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sexta-feira, 14 de maio de 2021

O Marquês e os Porquês

sexta-feira, 14 de maio de 2021 4 Comentários

NUNCA ME AGRADOU COMEMORAR TÍTULOS NO MARQUÊS DE POMBAL.   



Até tenho um "carinho especial" pela obra de arquitectura pois está ligada ao Clube, como se escreverá a seguir, mas não me parece que tenha o enquadramento urbano adequado para comemorar o que quer que seja quanto mais festas de clubes. A Praça do Comércio/Terreiro do Paço ou a Praça Dom Pedro IV/Rossio parecem muito mais indicadas para permitir ajuntamentos minimizando os problemas. 

 

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quinta-feira, 4 de julho de 2019

Félix António Bermudes do Couto

quinta-feira, 4 de julho de 2019 7 Comentários
O DIA 4 DE JULHO SERÁ SEMPRE UM DIA QUE CONTEMPLARÁ DUAS DAS MAIS GLORIOSAS EFEMÉRIDES.



Em 1874 nasceu Félix Bermudes e em 1946 faleceu António do Couto. Félix Bermudes faleceu em 5 de Janeiro de 1960 e António do Couto nasceu em 8 de Abril de 1874. Eram ambos da mesma geração, com o arquitecto António do Couto três meses mais velho (!) mas depois a vida, é sempre a vida, e enquanto António do Couto faleceu com 72 anos o escritor Félix Bermudes ia a caminho dos 86 anos! A genética e os hábitos do dia-a-dia da vida tresloucada de cada um fazem a diferença!

Ambos foram muito no «Glorioso»
Os dois foram pioneiros - só não foram fundadores porque naquele radioso 28 de Fevereiro de 1904 não estavam em Belém, com Félix a dizer para a filha Cesina, por volta dos anos 30: «Pensas que ir a Belém em 1904 é como agora! E cheta?!»;
Ambos foram futebolistas;
Ambos foram capitães. Aliás António do Couto foi o primeiro capitão no primeiro jogo, em 1 de Janeiro de 1905 e Félix Bermudes era o capitão da 2.ª categoria, em 1906/07 quando uma ideia brilhante de Marcolino Bragança fez inscrever essa categoria como 1.ª categoria no campeonato de Lisboa de 1907/08, após a deserção de vários futebolistas de todas as três categorias - sete da 1.ª - para o Sporting CP.
Ambos era intelectuais do melhor que havia em Portugal. António Couto como arquitecto (Prémio Valmor com a «Casa Empis») e um dos responsáveis pelo Monumento ao Marquês de Pombal, na Rotunda, em Lisboa. Félix Bermudes escritor e dramaturgo com sucessos retumbantes até no cinema, com o argumento do filme «Leão da Estrela».


Jornal "O Benfica" n.º 79; 27 de Maio de 1944; Primeira página

Depois divergiram clubisticamente falando
Félix Bermudes manteve-se fiel ao «Glorioso» que inventou como «gloriosíssimo» para o Clube depois da célebre vitória (por isso gloriosa) sobre os ingleses do Carcavelos Club, em 10 de Fevereiro de 1907. E aliás foi ele que, em 4 de Setembro de 1908, aquando da junção do GSL com o SCB, propôs que o nome do Clube passasse a ser «Sport Lisboa e Benfica». Foi dirigente, presidente da Direcção por duas vezes (1916 e 1945), eleito três vezes, mas numa (1930) não tomou posse. Autor da letra do "Hino do Clube» para assinalar as «Bodas de Prata» em 1929. Contactou o seu amigo cenógrafo Stuart de Carvalhais, outro Benfiquista intrépido, para redesenhar o emblema, também para as «Bodas de Prata». Viu, sentiu, emocionou-se, chorou de alegria e dever cumprido, após tantos títulos e troféus serem conquistados, entre eles, a Taça Latina. Félix Bermudes foi tanto e quase tudo, entre 1904 e 1960. Até eu herdei algumas das suas seis magnificas cadeiras com a Águia! 
António do Couto que fez parte da célebre equipa que ficou "gloriosa" em 10 de Fevereiro de 1907, no Verão desse ano, decidiu ingressar no Sporting CP onde jogou e fez justiça ao seu nome, com o projecto para erguer as bancadas do estádio sportinguista no Campo Grande, para onde iria o «Glorioso» em 1941, ainda que provisoriamente. Um "provisório" que durou até 1954! Mas foram amigos toda a vida. Até que a vida permitiu (4 de Julho de 1946).


Imagem da revista «Stadium» enviada pelo dedicado leitor Victor João Carocha. NOTA: Daniel Queiroz dos Santos também foi um dos que partiu, acompanhando António do Couto, no Verão de 1907, do «Glorioso» para o Sporting CP com mais cinco futebolistas da 1.º categoria (Emílio de Carvalho, Henrique Costa, Albano dos Santos, António Rosa Rodrigues e Cândido Rosa Rodrigues) e um ex-1.ª categoria em 1905/06 entretanto retirado: José da Cruz Viegas (principal responsável pela escolha do vermelho para as camisolas de flanela). Um total de oito futebolistas ligados ao «Glorioso» então com o nome reduzido a Sport Lisboa, mas saíram mais futebolistas da 2.º e 3.ª categoria, como Januário Barreto, Raúl Empis, Francisco Santos ou José Rosa Rodrigues, só para citar alguns dos que jogando em 1906/07 na 2.ª ou 3.ª categoria já tinham feito parte dos escolhidos para jogos da 1.ª categoria, entre 1904/05 e 1905/06

Honra a Félix Bermudes
Honra a António do Couto
Que nos fez «Glorioso» antes de nos deixar (clicar para necrologia do jornal «Diário de Lisboa»).




O Benfica é como o Mundo. Gira sem parar!

Alberto Miguéns

NOTA (às 01:28 horas): Afinal não é assim. Fiei-me numa enciclopédia que  "Dicionário de Arquitectos Portugueses" cuja data de falecimento coincidia com a da Wikipédia portuguesa (clicar para esta treta) e fiquei com a data errada. Felizmente há leitores deste blogue dedicados e atentos como Victor João Carocha que rapidamente permitem repor a verdade. António José do Couto d'Abreu faleceu pelas 17 horas do dia 3 de Julho de 1946, ou seja, no dia anterior. Como se prova e comprova. Assim passará a constar das «Gloriosas Efemérides» de 3 de Julho e deixará as de 4 de Julho. Para 3 de Julho de 2020 fica prometida um texto com um texto que tentará «Honrar os ases Que Nos Honraram o Passado» (incluindo entrevistas a jornais) de um dos nossos mais significativos pioneiros, o enorme António do Couto. 






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domingo, 20 de maio de 2018

Sou o Benfiquista Mais Rico do Mundo

domingo, 20 de maio de 2018 8 Comentários
DESDE SEGUNDA-FEIRA!


Neste caso os primeiros são mesmo os primeiros. Agradeço a oferta da cadeira de Félix Bermudes. Muito obrigado ao familiar que me proporcionou ser o «Benfiquista Mais Rico do Mundo».



Por tudo isto
O texto de hoje oferece, ao iniciar-se, ser propício a ficar longo, pois longa será a explicação. Assim vão existir cinco textos/capítulos a explicar a importância de doutora Cesina bem o porquê de ter a cadeira do pai Félix em meu poder: capítulo leve, semi-leve, assim-assim, semi-denso e denso.


Só esteve casada um dia. Contou-me que casando de manhã logo pela tarde o marido deu-lhe uma ordem! Ela disse. «Isto vai ser assim uma vida inteira? Acabou!»

Leve (desde segunda-feira)
No domingo, após o jogo com o Moreirense FC, em casa, ao aceder ao correio electrónico, eis que fico hilariante, após a tristeza de perder o campeonato. Tinha uma mensagem de um descendente de Félix Bermudes a escrever que as cadeiras que estavam apalavradas já estavam disponíveis perguntando quando queria ir buscá-las. Claro que respondi de imediato: Amanhã (segunda-feira) e assim foi!


Semi-leve (desde há pouco mais de um ano)
Quando de regresso, em 2017, a uma sala onde já tinha estado em...1996 ou 1997, questionei: «O que foi feito daquelas cadeiras com um encosto com uma Águia, entre elas a que doutora Cesina disse ser nela que o pai Félix fizera o HINO? O descendente de Félix Bermudes respondeu-me, citando de memória. »Estão na arrecadação, mas têm uma história a envolvê-las. Há uns anos, depois da inauguração do Museu (26 de Julho de 2013, disse-lhe eu) telefonei para lá a dizer que podiam vir buscar as cadeiras. Responderam-me. Não vamos buscar as doações a casa das pessoas. Tem de vir cá trazê-las! Fiquei incrédulo e claro que não fui levar nada. Levei-as para a arrecadação». Eu fiquei a rir-me dizendo-lhe qualquer coisa do tipo: «Eles no Museu sabem lá quem foi Félix Bermudes, pelo menos a sua importância no Benfica! Que ridículo. Do Estádio aqui são uns quatro quilómetros e faz-se de carro em menos de 20 minutos! E carros é o que não falta no Benfica. Servem para tudo e mais alguma coisa. Olhe. O senhor não as querendo eu fico com elas. Teria o maior prazer do Mundo! Se quiser até o posso ajudar». Entretanto foi-se passando o tempo, até que em 6 de Março de 2017 enviei uma mensagem que foi esta: 




Eis que no domingo (15 de Maio de 2018, mais de um ano depois) recebi a resposta. «As cadeiras já estão à sua espera!» Eu até pensava que o assunto estava esquecido e por uma questão de educação não quis insistir. Mas não. O descendente do nosso antigo presidente e muito mais que «só isso e isso já era muito», pois até o foi duas vezes, pode não ser Félix, nem Redondo, nem Adães, nem Bermudes, mas claro, tem o mesmo ADN. E neste caso é mesmo genético não é de converseta. Prometeu e cumpriu, não se esquecendo. Muito obrigado! Ter a cadeira de Félix Bermudes? Sou o Benfiquista Mais Rico do Mundo! 


Assim-assim (desde há dois anos)
Há mais de 15 anos, desde 9 de Dezembro de 2001, data do falecimento de doutora Cesina Bermudes, que procurava descendentes de Félix Bermudes, mas era praticamente impossível. doutora Cesina não teve descendência. Eu bem passei pela campainha onde ela morava (avenida Santos Dumont) cinco ou seis vezes mas ninguém atendia. Andei por uma outra morada onde só tinha estado uma vez, mas sendo uma avenida compridíssima era impossível localizar o prédio. Desisti. Até porque tendo Félix Bermudes duas filhas ( Cesina e Clara) e esta também filhas duas ou três gerações depois o Adães e o Bermudes desapareceriam dos nomes. Eis que surge um dedicado leitor deste blogue que ainda é mais teimoso do que eu e "conversa para aqui e para ali" fomos (foi mais ele) apertando a "malha" até que surgiram dois nomes que "encaixavam" em descendentes, embora não fossem Félix, nem Redondo, nem Adães, nem Bermudes. Assim que ficou definido apresentei-me no emprego de um desses nomes e questionei (sem saber se seria a pessoa certa). Queria falar com o senhor .... a propósito de Félix Bermudes. Eis que surge a pessoa procurada e confirma. Tinha ganho o dia, o mês, o ano e a década! Devia ter registado o dia e não o fiz! O certo é que o melhor estava para vir. Depois de alguns contactos combinámos um encontro em sua casa que para espanto meu era a casa onde tinha estado uma vez, apenas uma vez, com a doutora Cesina. A mesma casa! E esse descendente disse-me. «Tenho uma surpresa para si. Veja este texto da doutora Cesina. Ela disse que ficou tão entusiasmada com umas conversas com um Benfiquista a propósito de Félix Bermudes que decidiu fazer uma espécie de resumo biográfico do pai. Deve ter sido consigo pelo que já me contou!». Eu disse-lhe: «Provavelmente. Agradeço a cópia do texto não o publicando pois ela já cá não está para autorizar, mas tenho todo o gosto em ficar a saber mais acerca do grande Félix Bermudes. E as cadeiras?» 



Semi-denso (num dia em 1996 ou 1997)
Depois de duas ou três vezes ter ido a casa da doutora Cesina falar acerca do pai, ela disse-me que tendo eu tanta curiosidade também seria útil falar com outra familiar que vivia perto pois essa descendente de Félix Bermudes passara muito tempo com ele aquando do tempo em que era criança pois os pais por motivos profissionais ausentavam-se, com frequência, longos períodos para longe de Lisboa e a escola não podia ser negligenciada. E assim foi. Combinámos o encontro e eis que numa sala cheia de livros vejo umas cadeiras com o encosto a ser feito em forma de Águia! Questiono e doutora Cesina respondeu à doutora Cesina: «Então não vê que é a mobília lá de casa (rua Renato Baptista, 94 - 3.º andar, Lisboa) e a cadeira preferida de Félix Bermudes era esta, com a marca na lateral do assento, pois sendo escritor passava horas sentado. Já que gosta tanto de histórias do meu pai ligadas ao Benfica, conto-lhe uma a propósito desta cadeira. Era frequente Félix Bermudes quando estava a escrever peças, que geralmente eram comédias, de vez em quando "declamar" umas frases como deixas cómicas para saber se tinham impacte em mim e na minha irmã. Por vezes desatávamos à gargalhada e ele ficava contente. Noutras percebia que o melhor era "dar a volta ao texto". Até que uma vez, eu ainda era menor, ele escrevia, escrevia, escrevia e nada dizia. Achei estranho e perguntei-lhe que peça era aquela? Ele disse que: «não era uma peça de teatro que estava acabada quando acabasse sem data. Esta tinha data de entrega pois era para assinalar as Bodas de Prata do Benfica. Era a letra do Hino!» Perguntei-lhe: "Um hino como os Heróis do Mar". O meu pai vira-se na cadeira, olha para mim, sorri e diz: «Neste caso é mais os "Heróis da Bola"!    

Colorida pelo dedicado leitor deste blogue, deste Victor João Carocha. Verdadeiramente notável. Vermelho é tudo!

Denso (algures para lá de meados dos anos 90)
Quando soube da existência de Cesina Bermudes que sobreviveu à irmã D. Clara foi possível através do senhor Joaquim Macarrão - para ele Benfiquismo era sempre sinal de possibilidade - conseguir o telefone e a morada da filha mais velha de Félix Bermudes. O objectivo era claro. Talvez a doutora Cesina soubesse mais do que era conhecido acerca da Fundação bem como da escolha dos símbolos do Clube - nome, cores e principalmente emblema. O resultado foi parco, mas falar com Cesina Bermudes é algo que nunca esquecerei. Em sua casa, na avenida Santos Dumont, conheci alguém que é indescritível. Cesina Borges Adães Bermudes com 1,52 metros era uma gigante. Eu com 1,82 metros sentia-me uma formiguinha, tal a assertividade, erudição e cultura da doutora Cesina. Eu com pouco mais de trinta anos e ela já bem perto dos 90 anos. Com idade para ser minha avó. Foram dois ou três encontros fabulosos em que se falou pouco dela e muito de Félix Bermudes. Deu-me livros da autoria do pai e disse que o pai só não foi fundador por nada ter que fazer em Belém num domingo de Inverno vivendo ele no Intendente/Anjos apesar de já acamaradar com o grupo que deu origem ao "Glorioso". Quanto ao emblema o pai nada lhe dissera ou ela nada recordava de significativo a não ser que tinha a ideia que Félix Bermudes considerava ter sido decisivo ou importante na escolha da divisa (E PLURIBUS UNUM). Ideia dele ou muito apoiado por ele afirmando sempre que durante a sua vida referia que o lema ajustara-se bem à evolução do Clube, principalmente para superar momentos complexos na vida atribulada do "Glorioso" até estabilizar em finais dos anos 20. Posso ter falado com muitas pessoas acerca do Benfica ou de outros temas mas o modo como Cesina Bermudes dialogava foi para mim um marco no relacionamento entre dois seres humanos que se desconheciam por completo. Nunca pensei que houvesse alguém tão clarividente, genial e com uma simplicidade a que ninguém conseguia ficar indiferente. Foi das decisões Benfiquistas (e não só) que tive a sorte de tomar. Obrigado doutora Cesina.   
   
Foi assim que em meados dos Anos 90 conheci Cesina Bermudes. Por cima, na parede, um retrato emoldurado de Félix Bermudes. Uma gigante no modo de ser assertivo e com uma simplicidade só ao alcance de quem está bem com a vida 


A questão das cores do emblema
Se eu queria saber de Cesina Bermudes o que lhe tinha dito o pai Félix acerca da Fundação do Glorioso e do significado dos componentes do emblemas, o que mais desejava era saber a composição das cores pois era «impossível» num clube com tão grandes fundadores, também em bom gosto, serem mentecaptos ao ponto de fazerem o que ninguém fazia, quer em brasões familiares, escudos regionais, nacionais e imperiais, bem como em emblemas conhecidos de clubes contemporâneos do nosso (até mais antigos). O Sport Lisboa ter um emblema descolorido. E o escudo bipartido a vermelho até foi uma invenção minha para fazer um artigo para a revista "O Benfica Ilustrado" n.º 40, em Abril de 1997, pois pedi ao gráfico que substituísse o quadriculado e o tracejado no escudo do emblema até aí utilizado que era este...



...por vermelho-e-branco, pois não fazia sentido continuar a utilizar o emblema publicado na página 2 de "O Benfica Ilustrado" n.º 17, de Fevereiro de 1959. Ou seja, o emblema branco com escudo vermelho nunca existiu. Aliás só existe na página 57 da referida revista! 



Em «O Benfica Ilustrado» e no Museu Cosme Damião. Ou seja, esta composição de emblemas nunca existiu no Clube, só nas páginas da referida revista de 1997! Aliás sendo mais "preciso e picuinhas" até data de 1995 ou 1996 quando me foi pedido, por Silva Gomes, vice-presidente da Direcção de Manuel Damásio um "parecer" acerca de três emblemas que queriam mandar fazer num "estojo de luxo "para oferecer a "altas figuras" e clubes estrangeiros, utilizando os três emblemas antigos e eu disse (citando de memória): «Isso parece-me um anacronismo, estar a fazer emblemas de há quase cem anos como se fossem actuais, mas como vocês é que mandam...façam. Mas pelo menos, no de 1904 e de 1908, coloquem o escudo a vermelho-e-branco em vez de preto-e-branco que o "Glorioso" não copiou a Juventus de Itália!». Nem sei se alguma vez esse estojo foi feito e se foi, quantos foram feitos! Enigmas à Benfica damasiano!



Felizmente poucos anos depois, numa conversa com um outro filho de um dos 24 fundadores foi possível descobrir o significado e a composição das cores dos primeiros emblemas do Clube. Talvez um dos dias mais felizes de "A Minha Vida Benfiquista". Mas isso fica para outro dia. Um dia destes!
   
Porque és Benfiquista...Félix Bermudes?




Que categoria
Eis a cadeira de Félix Bermudes. Um verdadeiro:



Trono do Benfiquismo

Alberto Miguéns


NOTA1: Entrevista notável da doutora Cesina Bermudes ma RTP descoberta por um dedicado leitor deste blogue. Entrada a pés juntos à Cesina! Com classe! «Deu a volta» ao programa. Querem falar de mim, então vamos falar do meu pai. Injustamente ignorado, apenas 15 anos após o seu falecimento, quanto mais na actualidade. Félix Bermudes um dos portugueses mais brilhantes dos nascidos nos anos 70 do século XIX, em 4 de Julho de 1874. Cesina Borges Adães Bermudes um dos portugueses mais brilhantes dos nascidos na primeira década do século XX, em 20 de Maio de 1908, há precisamente 110 anos, a completar hoje! Injustamente esquecidos em detrimento de tanta pimbalhada! Aos molhes! E bimbalhada! Aos montes!

Clicar para entrevista da doutora Cesina Bermudes à RTP


O comício que a levou à prisão, em Caxias, detida pelos esbirros de Salazar (PIDE). Em baixo, preparando a sua intervenção

Clicar para artigo no jornal "Expresso" acerca de Cesina Bermudes






NOTA2: O HINO que foi escrito nesta cadeira, por Félix Bermudes, entre final de 1928 e início de 1929 para assinalar as «Bodas de Prata» do Sport Lisboa e Benfica.


 


NOTA3: O "Se..." tradução de Félix Bermudes provavelmente a mais bela tradução do "If..." só não podendo dizer que é melhor que o original inglês por isso ser uma impossibilidade. Mas quem sabe se também não foi traduzido nesta cadeira!




NOTA4: Obrigado Museu....Cosme Damião ri-se no Quarto Anel. Já Félix Bermudes, a seu lado, chora!

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terça-feira, 4 de julho de 2017

Félix Bermudes 143

terça-feira, 4 de julho de 2017 7 Comentários
NO DIA EM QUE NASCEU, HÁ 143 ANOS (4 DE JULHO DE 1874) EIS UM DOS BENFIQUISTAS MAIS IMPORTANTES NA DEFINIÇÃO DA ÉTICA BENFIQUISTA.


A par de Cosme Damião (mais prático) coube a Félix Bermudes a componente mais teórica e conceptual do Benfiquismo. Que tão bem soube derramar para o Hino mas também no exemplo que dava a atletas e associados. E escrevia-o!

Jornal "O Benfica" n.º 79; 27 de Maio de 1944; Primeira página

«Mesmo batido pelas vagas mais alterosas, o Benfica não sossobra»

Alberto Miguéns
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sábado, 3 de junho de 2017

Félix Bermudes e o Glorioso

sábado, 3 de junho de 2017 1 Comentários
AS REFERÊNCIAS AO GLORIOSO REMONTAM A 1907 (SEGUNDO D. CESINA BERMUDES). A PALAVRA ESCRITA COMO GLORIOSÍSSIMO DATA DE 2 E 4 DE SETEMBRO DE 1908.



Por isso um mês antes da "tal" notícia publicada no jornal "O Século" em 25 de Outubro de 1908 e que foi mote para o texto de ontem aqui no blogue.

Vejamos a palavra escrita. Em 2 de Setembro de 1908, Luís Carlos de Faria Leal (vice-presidente da Direcção do Sport Clube de Benfica) classifica o Sport Lisboa de "Gloriosíssimo"!



Dois dias depois (4 de Setembro) Félix Bermudes (delegado do Sport Lisboa na reunião da Direcção do Sport Clube de Benfica) volta a utilizar o termo. E quem melhor do que ele para o utilizar (como pode ser visto no texto a seguir a esta digitalização da acta n.º 94).



E o que me contou a D. Cesina Bermudes em finais dos anos 90 do século passado que foi o XX!



Numa das muitas conversas entre pai e filha com o Benfica pelo meio, D. Cesina que sendo solteira (ou divorciada casada apenas...um dia) vivia com o pai e a mãe questionava o porquê do pai, criador (proponente) da legenda "E Pluribus Unum", andando por Belém em finais de 1903 e conhecendo os fundadores não era fundador. Félix Bermudes explicou-lhe (vou deixar essa explicação para daqui a umas quantas meias-noites). Então o porquê de estar a escrever acerca disso? Porque acaba por se ligar ao termo "Glorioso"!

D. Cesina perguntou (depois de ouvir a explicação de Félix Bermudes de não estar em Belém a 28 de Fevereiro de 1904) se alguma vez se arrependeu! Félix Bermudes respondeu à Félix Bermudes. Arrependido? Nada! Arrependi-me foi de não ter ido ver o jogo em que "nós" derrotamos os ingleses invencíveis. Não quis ir a Carcavelos e fiz mal porque não presenciei esse momento histórico (Nota do EDB: dia 10 de Fevereiro de 1907). Só soube numa tertúlia no Café Gelo (NOTA do EDB: no Rossio/topo norte/lado esquerdo) que tínhamos ganho! Respondeu: Vencemos os invencíveis!? Mas hoje é um dia de Glória. Que dia memorável. Glorioso! 

E assim ficou!

Alberto Miguéns
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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Acto 5 (Um Benfiquista Inaudito)

quarta-feira, 20 de julho de 2016 5 Comentários
DEPOIS DA DESILUSÃO DE 1946 RESTARAM-LHE 13 ANOS.



Homem de convicções não aceitou a decisão dos associados. Ele que a par de Cosme Damião tinham moldado o Benfica, fazendo-o de Amor e Paixão...fraquejou. O Benfica era assim porque eles, essencialmente eles os dois, fizeram com que fosse assim! Não admitiu que a criação (SLB) traísse um dos criadores (Félix Bermudes). Anunciou-o no jornal “O Benfica”.





Em 3 de Abril de 1946 na última aparição pública Cosme Damião mostrava-se preocupado. Pedagógico, foi simplesmente Cosme. Como só ele sabia ser...


Entre os actuais 20 dirigentes eleitos para os três Órgãos Sociais há muitos que ficavam com as "barbas" a arder se lessem estas declarações do nosso Cosme!
No Benfica entendia-se Félix Bermudes - e mais importante -respeitava-se o homem que quase sempre soubera estar ao nível do grande Benfiquismo. Félix Bermudes nunca saiu do Clube (ou se saiu foi fisicamente mas reentrou com facilidade) pois ainda recebeu o "Emblema de Dedicação por 50 anos de associado" na presidência de Maurício Vieira de Brito (1957 - 1962). E antes já tinha aceite a proposta de Joaquim Bogalho (1952 - 1957) para integrar a Comissão de Honra da "Saudosa Catedral", precisamente o motivo -principal mas não o único - pelo qual foi derrotado nas eleições em 1946.

(clicar em cima para visualizar com mais pormenor)



Apesar da localização do estádio ser o principal motivo de discórdia entre a Direcção de Félix Bermudes (eleita em 1945) e os dirigentes que a derrotaram em 1946, Félix Bermudes soube estar - como sempre - do lado da maioria. Fazendo o elogio à obra e ao Benfiquismo que a tornou possível. Ou não fosse ele um dos Benfiquistas que nos legaram uma Cultura de crítica e responsabilidade sem paralelo. O «motor» que nos tem guiado desde 28 de Fevereiro de 1904 e colocado na vanguarda do desporto em Portugal

Aos 71 anos (tinha nascido em 1874) decidiu que a Literatura iria ser o Amor do Resto da Sua Vida
Publica praticamente toda a sua obra depois da desilusão de 1946 (ao ser derrotado quando se propunha a ser reeleito). A excepção foi o livro de 1943: “...Cinza e nada” (versos e novelas)



Seguiram-se:

1949 – “Aos Meus Irmãos Comunistas” (ensaio de filosofia política)



1949 – “O Homem Condenado a Ser Deus” (ensaio teosófico); traduzido para francês, editado em 1959, como: “La Conquête de L’Eternel”; editado no Brasil, em 1974, com o título “A Conquista do Eterno



1952 – “À Mulher Portuguesa” (colectânea de poesia)




1959 – “Buda Instruindo os Discípulos” (ensaio teológico)



1961 (obra póstuma) – Opúsculo "De Fronteira a Fronteira" - Excerto do livro “Sem Armas no Meio das Feras – A Vida na Selva” (descrição de duas viagens a Moçambique em 1956 e 1957)



Sem Armas no Meio das Feras – A Vida na Selva” (descrição de duas viagens a Moçambique em 1956 e 1957); 1.ª edição (1962); 2.ª edição (1963)



Sociedade Portuguesa de Autores (SPA)
Em 1925, foi um dos principais entusiastas que permitiram a fundação de uma instituição que protegesse os direitos de quem vive do trabalho intelectual, a Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (actual SPA). Félix Bermudes foi o segundo presidente, sucedendo ao consagrado Júlio Dantas, entre 1928 até falecer em 1960, ou seja, durante 31 anos!



Aos 85 anos
Em 5 de Janeiro de 1960, passaram 56 anos neste 5 de Janeiro de 2016, faleceu vítima de agranulocitose (forma especial de leucemia) detectada, em Novembro de 1959, pela sua filha Cesina, cerca de cinco semanas antes de falecer. Ainda conseguiu terminar o seu último livro, com 91 páginas, que praticamente só estava iniciado). Já foram os seus descendentes a ver o Bicampeonato Europeu, em 1961 e 1962, do Clube que fez “Gloriosíssimo” em 1907, resistindo com sabedoria em 1908, 1916, 1945 e em muitos outros anos! Obrigado, Félix. Sempre foste, para os Benfiquistas, também, Féliz!

Que prestígio ter um Português deste quilate no Benfica como atleta e dirigente. Mas, acima de tudo, como Benfiquista da “primeira hora”!

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Sport Lisboa e Benfica (S.L.B.) é o nosso nome por sugestão dele. A proposta inicial, que parecia irredutível, era outra. O clube denominar-se Sport Clube de Lisboa e Benfica (SCLB). Também foi ele a justificar o porquê das cores da equipe (equipamento) dever ser o vermelho (camisolas) e branco (calções). Eram cores GLORIOSÍSSIMAS.

(clicar em cima para visualizar com mais pormenor)



NOTA1: Quem quiser ouvir (ou re-ouvir) a entrevista que concedeu a Igrejas Caeiro em 17 de Junho de 1958 é só clicar

NOTA2: Não houve nenhum Jornal que não lhe fizesse um elogio. Também é assim quando alguém morre. Foram sempre todos do melhor que podia haver, uma perda para a Nação. No caso dele foi mesmo. Nunca tinha havido, nem haverá (a menos que morra durante o exercício da presidência) um presidente cujo falecimento fosse tão assinalado e honrado. E por vontade dele só se soube da sua morte depois de realizado o funeral. Foi uma cerimónia anónima, em termos públicos!







Notícias de "O Século", "Diário Popular", "Diário de Notícias" e "Diário da Manhã" ou Manha (sem til por ser o órgão oficioso do Estado Novo). Curiosamente (ou talvez não!) a notícia mais lacónica de todas num jornal que tinha fama de fazer panegíricos até..."a sargentos desarmados"!








"O Século"; Página 8; 7 de Janeiro de 1960



Lá do infinito no "Quarto Anel" aquela luz que brilha e parece enlouquecer-nos é a dele. Feliz! De Félix Bermudes!



Alberto Miguéns
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