O DIA 4 DE JULHO SERÁ SEMPRE UM DIA QUE CONTEMPLARÁ DUAS DAS MAIS GLORIOSAS EFEMÉRIDES.
Em 1874 nasceu Félix Bermudes e em 1946 faleceu António do Couto. Félix Bermudes faleceu em 5 de Janeiro de 1960 e António do Couto nasceu em 8 de Abril de 1874. Eram ambos da mesma geração, com o arquitecto António do Couto três meses mais velho (!) mas depois a vida, é sempre a vida, e enquanto António do Couto faleceu com 72 anos o escritor Félix Bermudes ia a caminho dos 86 anos! A genética e os hábitos do dia-a-dia da vida tresloucada de cada um fazem a diferença!
Ambos foram muito no «Glorioso»
Os dois foram pioneiros - só não foram fundadores porque naquele radioso 28 de Fevereiro de 1904 não estavam em Belém, com Félix a dizer para a filha Cesina, por volta dos anos 30: «Pensas que ir a Belém em 1904 é como agora! E cheta?!»;
Ambos foram futebolistas;
Ambos foram capitães. Aliás António do Couto foi o primeiro capitão no primeiro jogo, em 1 de Janeiro de 1905 e Félix Bermudes era o capitão da 2.ª categoria, em 1906/07 quando uma ideia brilhante de Marcolino Bragança fez inscrever essa categoria como 1.ª categoria no campeonato de Lisboa de 1907/08, após a deserção de vários futebolistas de todas as três categorias - sete da 1.ª - para o Sporting CP.
Ambos era intelectuais do melhor que havia em Portugal. António Couto como arquitecto (Prémio Valmor com a «Casa Empis») e um dos responsáveis pelo Monumento ao Marquês de Pombal, na Rotunda, em Lisboa. Félix Bermudes escritor e dramaturgo com sucessos retumbantes até no cinema, com o argumento do filme «Leão da Estrela».
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| Jornal "O Benfica" n.º 79; 27 de Maio de 1944; Primeira página |
Depois divergiram clubisticamente falando
Félix Bermudes manteve-se fiel ao «Glorioso» que inventou como «gloriosíssimo» para o Clube depois da célebre vitória (por isso gloriosa) sobre os ingleses do Carcavelos Club, em 10 de Fevereiro de 1907. E aliás foi ele que, em 4 de Setembro de 1908, aquando da junção do GSL com o SCB, propôs que o nome do Clube passasse a ser «Sport Lisboa e Benfica». Foi dirigente, presidente da Direcção por duas vezes (1916 e 1945), eleito três vezes, mas numa (1930) não tomou posse. Autor da letra do "Hino do Clube» para assinalar as «Bodas de Prata» em 1929. Contactou o seu amigo cenógrafo Stuart de Carvalhais, outro Benfiquista intrépido, para redesenhar o emblema, também para as «Bodas de Prata». Viu, sentiu, emocionou-se, chorou de alegria e dever cumprido, após tantos títulos e troféus serem conquistados, entre eles, a Taça Latina. Félix Bermudes foi tanto e quase tudo, entre 1904 e 1960. Até eu herdei algumas das suas seis magnificas cadeiras com a Águia!
António do Couto que fez parte da célebre equipa que ficou "gloriosa" em 10 de Fevereiro de 1907, no Verão desse ano, decidiu ingressar no Sporting CP onde jogou e fez justiça ao seu nome, com o projecto para erguer as bancadas do estádio sportinguista no Campo Grande, para onde iria o «Glorioso» em 1941, ainda que provisoriamente. Um "provisório" que durou até 1954! Mas foram amigos toda a vida. Até que a vida permitiu (4 de Julho de 1946).
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| Imagem da revista «Stadium» enviada pelo dedicado leitor Victor João Carocha. NOTA: Daniel Queiroz dos Santos também foi um dos que partiu, acompanhando António do Couto, no Verão de 1907, do «Glorioso» para o Sporting CP com mais cinco futebolistas da 1.º categoria (Emílio de Carvalho, Henrique Costa, Albano dos Santos, António Rosa Rodrigues e Cândido Rosa Rodrigues) e um ex-1.ª categoria em 1905/06 entretanto retirado: José da Cruz Viegas (principal responsável pela escolha do vermelho para as camisolas de flanela). Um total de oito futebolistas ligados ao «Glorioso» então com o nome reduzido a Sport Lisboa, mas saíram mais futebolistas da 2.º e 3.ª categoria, como Januário Barreto, Raúl Empis, Francisco Santos ou José Rosa Rodrigues, só para citar alguns dos que jogando em 1906/07 na 2.ª ou 3.ª categoria já tinham feito parte dos escolhidos para jogos da 1.ª categoria, entre 1904/05 e 1905/06 |
Honra a Félix Bermudes
Honra a António do Couto
O Benfica é como o Mundo. Gira sem parar!
Alberto
Miguéns
NOTA (às 01:28 horas): Afinal não é assim. Fiei-me numa enciclopédia que "Dicionário de Arquitectos Portugueses" cuja data de falecimento coincidia com a da Wikipédia portuguesa (clicar para esta treta) e fiquei com a data errada. Felizmente há leitores deste blogue dedicados e atentos como Victor João Carocha que rapidamente permitem repor a verdade. António José do Couto d'Abreu faleceu pelas 17 horas do dia 3 de Julho de 1946, ou seja, no dia anterior. Como se prova e comprova. Assim passará a constar das «Gloriosas Efemérides» de 3 de Julho e deixará as de 4 de Julho. Para 3 de Julho de 2020 fica prometida um texto com um texto que tentará «Honrar os ases Que Nos Honraram o Passado» (incluindo entrevistas a jornais) de um dos nossos mais significativos pioneiros, o enorme António do Couto.