A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o SL Benfica e a sua Gloriosa História. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.
UM GRUPO DE 24 INAUDITOS
JUNTARAM-SE UM DIA E FUNDARAM O NOSSO CLUBE.
Eles Que São o Nosso Guia e Nos Desafiam Sempre a Seguir o seu Exemplo
Uma composição gráfica no interior da Farmácia Franco com 7 dos 24 fundadores. Da esquerda para a direita: António Rosa Rodrigues, José Rosa Rodrigues, Cândido Rosa Rodrigues, Carlos França, Cosme Damião, Manuel Gourlade e Daniel dos Santos Brito
Esse dia foi há 117 anos, em 28 de Fevereiro de 1904. Com
ligações a Belém, por lá terem nascido, vivido ou trabalhado, convergiram para
um local conhecido e bem frequentado, a Farmácia Franco, na Rua Direita de
Belém.
Se Belém é
local de nascimento do Clube
Os seus fundadores têm progenitores por todo o Portugal. Esta
é a homenagem de dois Benfiquistas aos 24 que um dia criaram o “Mais Belo Clube
do Mundo”. Será evocada a sua origem, bem como a dos seus pais.
Com um País
como berço deles e dos seus antepassados
Em Belém, fundariam o Clube que depressa os honrou, em
grandeza, portugalidade e universalismo, pois também é de todo o Portugal. O maior clube desportivo de
Portugal.
(clicar em cima das imagens permitirá ver com melhor qualidade)
QUASE DOZE DECÉNIOS CUMPRIDOS E O CLUBE CONTINUA
A RECONHECER AS ASSINATURAS.
Fundado com princípios de elevação que condicionaram o Futuro
e objectivos simples, mas ambiciosos, o Clube foi sempre fiel aos que o
fundaram. Essa essência diária e coerência secular permitiram um crescimento
imparável com o engrandecimento a colocá-lo entre os melhores do Mundo.
Solidariedade
O Lema “E Pluribus Unum” que para os fundadores
significava “Todos Por Um” como consta da estrofe do Hino, marcou o início
do Clube, então e até 1908, Grupo Sport Lisboa, vincando a Ideia de que o
emblema só singraria se conseguisse ombrear rapidamente com os mais fortes e
enfrentar o domínio que os ingleses exerciam no futebol em Portugal. O Clube
fortaleceu-se, por dentro, com métodos elementares mas exigentes, onde a
entreajuda permitiu ultrapassar dificuldades. Foram anos em que se encontraram
soluções para problemas prementes e, até, começar a ter soluções que antecipassem
problemas previsíveis. O Futebol depressa se tornou «Glorioso», logo em 1907,
sendo o espelho, para o exterior, do que era a realidade vivida no Clube. A
organização dos quatro plantéis ou categorias a participar nos quatro
campeonatos regionais era feita de modo a tornar todas competitivas e
conquistadoras. Eram os futebolistas que estavam ao serviço delas e não as
equipas ao serviço de uns ou de outros. Esta exigência de superação nunca permitiu
fazer distinções, excluir ou vilipendiar quem quer que fosse. Nem sequer os adversários, instituições ou jogadores, que eram respeitados como tal, mas sempre para se tentar vencer, por isso, categoricamente. Todos os que chegavam eram
bem-vindos se viessem ajudar e engrandecer. E assim se foi erguendo um colosso
desportivo com base numa sã solidariedade.
Lisura
A Águia como elemento-símbolo transportou o Clube até à
actualidade fazendo reconhecer o Benfica, entre os portugueses e estrangeiros,
como um emblema que era exemplo, nos processos e no modo como sabia vencer
(quase sempre) mas também perder (quando outros eram mais fortes). Os
portugueses desde cedo se apaixonaram por um clube que além de vencedor e
conquistador era simples, nas atitudes e exemplar, nas decisões. Temerários e
brilhantes os associados, dirigentes e jogadores souberam merecer o apoio de
cada vez mais portugueses. A paixão de uns e outros tornou-se reciproca.
Mesmo nas escassas derrotas e insucessos havia, até dos adversários, um reconhecimento inequívoco. O Benfica era um clube que honrava Portugal e o Desporto,
porque encarava os jogos, as provas e competições com vontade extrema de as vencer, mas
sempre com lisura.
Benevolência
O vermelho-e-branco pontuaram sempre a História do Clube, desde 1904 até 2020. Da
arcaica flanela herdada do século XIX às fibras sintéticas do século XXI. O
vermelho é símbolo de garra, orgulho e brilhantismo. Tolerantes e exigentes, o
vermelho dá o toque da paixão, da fogosidade, emoção e beleza. Atrai quem o vê,
emociona quem o usa. Jogadores e adeptos seguem juntos, irmanados numa
conjugação forte onde impera a benevolência.
S.L.B.
Após 116 anos e outras tantas temporadas a jogar futebol a um
nível sempre elevado, praticando outros desportos praticamente pioneiro em
todos, o Benfica de hoje mantém intactos os valores do início do século XX. Com
a mesma garantia de outrora. O Benfiquismo não é algo exterior que se possa
destruir com facilidade. É muito mais que uma carapaça, até uma impressão
digital. Está dentro de cada um, herdado de gerações anteriores e passada às
seguintes. É um sentimento de pertença em que cada um se entrega, por isso
nunca se poderá temer o Futuro. Não há na globalidade máscaras ou armaduras. Os
Benfiquistas deram de cada um a sua individualidade, como as assinaturas que
mostram em escrita a personalidade de cada um para formar o todo. O conjunto de assinaturas de cada um de nós, por isso de todos, continuam diferentes, mas também continua intacta a
assinatura colectiva:
Sempre
Leais ao Benfiquismo
Carocha, Victor João Miguéns, Alberto
NOTA: Que toque o Hino, interpretado pelo Órfeão do Sport Lisboa e Benfica. Nunca é supérfluo recordar que foi pedido por Félix Bermudes ao maestro Alves Coelho (pai), entre 1928 e 1929, uma melodia intimista para que os futebolistas - até aos Anos 50 todos sabiam a letra do Hino e a melodia - o entoassem em momentos, durante os jogos ou no intervalo, em que a actuação não estivesse a correr À Benfica. Por isso, o refrão incitava-os, reafirmando que tinham condições para redobrar os esforços e tudo correr melhor.
Comemoramos o colectivo. A consumação de uma Ideia que depois se transformou num Ideal generoso e de superação.
Em tempos...há dois anos
Foi possível saber que os 24 fundadores eram muito jovens, com uma média de 20 anos (clicar para o texto publicado em 28 de Fevereiro de 2017). Apesar dessa juventude, os 24 Fundadores souberam - por amor a essa Ideia original e inovadora - "fazer um team só com portugueses" juntando miúdos do bairro de Belém sedentos de vitórias com um grupo de casapianos veteranos "bons de bola".
Agora é possível perceber o seu percurso de vida
Com uma investigação notável Victor João Carocha conseguiu balizar o percurso de vida da maioria dos Fundadores. Para já passamos a conhecer o tempo que cada um viveu antes e depois do "Glorioso" nascer nesse Dia do Ideal Solidário (24 pares entre pares), sem protagonismos de um sobre os outros, com escolhas democráticas que iriam ser um dos pilares do Benfica para sustentar uma Glória Imorredoira.
O que dá mais prazer nestas descobertas
Além de resgatar para a memória colectiva, esses 24 pioneiros, ou seja, como escreveu Luís de Camões "libertá-los da morte" que tudo faz esquecer, é também perceber que quase todos tiveram uma vida biológica que lhes permitiu perceber que aquele gesto na Farmácia Franco não foi efémero, muito menos episódico. A maioria viveu para ter a noção que a fundação do Clube, teve um significado amplo e grandioso. Ao reunirem-se e fundarem o Clube iniciaram a vida do maior e mais popular clube português e um dos mais notáveis no Futebol Mundial. E perceberam ao longo das suas vidas que isso estava a ser uma realidade.
Quase todos viram o Benfica fazer o primeiro TRI
No campeonato nacional entre 1935/36 e 1937/38. Bem como a primeira «dobradinha», em 1942/43. Todos viram o Benfica ser altaneiro no futebol português, com oito títulos de campeão regional em onze temporadas (1909/10 a 1919/20). Viram o Benfica "só com portugueses" derrotar os ingleses do Carcavellos Club, em 1907, 1910 e 1911. Quase metade viu a conquista da Taça Latina (1950) e houve ainda quem visse que partindo-se de um pequeno grupo que dava para fazer treinos jogados de onze contra onze, o Clube chegou à Glória de se sagrar Bicampeão Europeu, em 1960/61 e 1961/62. Que orgulho não devem ter tido.
História do Sport Lisboa e Benfica 1904/1954; Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; I Volume, 1.º fascículo; página 13; Lisboa, Janeiro 1954; edição dos autores
O tempo justificou na perfeição os trabalhos e canseiras de carregar barrotes e redes, regadores e cal, bandeirolas e cordas com o rectângulo de jogo definido para marcar terrenos públicos, em Belém, para poderem jogar e treinar. De modo algum foi incómodo e inadequado, face aos meios existentes, a necessidade inicial de partilhar as Gloriosas camisolas já suadas do jogo anterior, de se equiparem ao ar livre e de tomarem banhos improvisados com um balde de água fria deitado sobre as suas cabeças. Tempos difíceis, só suportáveis por Homens de rija têmpera, acima de tudo crentes naquele Ideal generoso e de superação.
Vinte e quatro indomáveis legaram a milhões um Clube com classe e irascível em nunca desistir, de não querer nunca perder ou sequer empatar. Um Clube que sabe ganhar e reconhecer a superioridade do adversário na derrota mas com isso aprende para depois os vencer na desforra (jogo seguinte).
No seu túmulo, os 24 Fundadores descansam para a eternidade, credores perenes do carinho e reconhecimento dos actuais Benfiquistas e daqueles que hão-de vir. Sabemos agora onde a maioria repousa.
Que Descansem Em Paz.
Eis o génese do Benfica. O Clube que se tornou gigante porque começou solidário. Vinte e quatro entre 24.
28 DE FEVEREIRO DE 1904: DE MANHÃ A TREINAR, DEPOIS ALMOÇAR E FUNDAR.
CXIV
Seguiu-se treinar, treinar, treinar até jogar quase um ano depois, no Primeiro de Janeiro de Mil Novecentos e Cinco.
De manhã no "sítio do costume"...
Chegado o momento certo foi comparecer num treino marcado para o final da manhã desse domingo no terreno que ficava suficientemente longe da azáfama do bairro e suficientemente perto das habitações onde moravam os miúdos de Belém. Sem vestiários/balneários devia ser ainda e depois nas suas casas que se equipavam e desequipavam. Os casapianos eram sobejamente conhecidos e viviam longe não tendo nada a provar por isso a treinar.
...À tarde também
Depois de muitos terem almoçado num dos dois sítios habituais - António das Caldeiradas ou Café do Gonçalves - depois de treinos e jogos foi numa das dependências da Farmácia Franco que se consumou o que nos faz andar agora por aqui a assinalar. Estava fundado O CLUBE e definidos os requisitos mínimos para o seu funcionamento.
Escolha dos símbolos
As cores devem ter sido o mais fácil - branco que vinha do Football Club (Belém) e vermelho como a cor da alegria, garrido, vivacidade, base do entusiasmo na refrega desportiva - e aquela que mais atraía transeuntes para um clube que treinava e jogava em terrenos públicos junto de um bairro populoso onde crianças eram mais que muitas no início do século XX. José da Cruz Viegas (defesa à direita) no FC (Belém) propôs e o desafio foi aceite com facilidade.
O nome é sempre o mais complexo. Ainda é assim com muitas pessoas e empresas. Entre várias propostas ficou assente: Grupo Sport Lisboa (depois reduzido, como é habitual) a Sport Lisboa, mas também era referido na Imprensa como Grupo de Belém. Vulgaríssimo na época indexar as equipas aos bairros onde viviam os seus futebolistas.
O emblema envolvia não só escolher os seus elementos constituintes, como a disposição das cores, o significado e...desenhá-lo para depois ser bordado (que podia...) no bolso branco da camisola vermelha.
Divisão dos futebolistas por duas equipas
Os melhores para representarem o Clube frente a equipas dos melhores clubes e um segundo grupo para enfrentar igual equipa dos adversários mais fortes ou as melhores equipas de clubes menos poderosos.
Em breve havia até uma terceira
Com o sucesso crescente e a fama a impor-se de um modo inexorável já havia futebolistas em quantidade suficiente para constituir um terceiro grupo. Adversários é que devem ter escasseado. Nesses primeiros anos só o Grupo dos Pinto Basto, depois Internacional (CIF) com campo arrendado em Alcântara conseguia movimentar tantos jogadores.
Se há Águia em que os nossos fundadores se devem ter inspirado foi nos estandartes das Legiões Romanas em que a nobre ave heráldica agarrava nos suas garras implacáveis a divisa «Senado e PopulaQãode Roma» substituindo-a por E PLURIBUS UNUM, no sentido de "Todos por Um" como verteu no primeiro verso na primeira estrofe do Hino, Félix Bermudes um dos pioneiros que só não foi fundador porque, neste dia, há 114 anos, não estava, nesse domingo, em Belém
Muitas civilizações imperiais tiveram a Águia como símbolo de soberania mas, pelo que se conhece, apenas os Romanos empunhavam nos bastões e modelavam em pedra a Águia com a cabeça abaixo das asas numa demonstração de força perante os inimigos que estavam em terra como em terra estão a maior parte das presas das águias. Numa feliz composição o magnífico desenhador Stuart Carvalhais, em 1929, ergueu a cabeça da Águia dando mais sentido ao último verso da segunda estrofe do Hino: «Erguendo ao alto o nosso emblema»
Emblema: esse eterno símbolo
Foi uma grande escolha, cheia de simbologia com base na Águia (ave altaneira, símbolo de elevação da Ideia e do espírito de iniciativa com que se fundou o Clube) e num lema (assumindo a vontade de união, alma colectiva e força como se de uma família se tratasse) sendo a divisa latina E Pluribus Unum elevada para o Céu como se fosse todo o clube a subir até onde tem inicio o infinito. Félix Bermudes que acompanhou os primeiros tempos verteu para os versos do Hino (1929) essa Ideia de 1904, recuando 25 anos, para depois avançarmos até aos 114 e seguintes...
Obrigado a todos vocês aí no «Quarto Anel» que tanta Glória têm sentido em 114 anos. O sentido que souberam dar ao Clube:
Abílio Meireles
Amadeu Rocha
António Rosa Rodrigues
António Severino
Cândido Rosa Rodrigues
Carlos França
Cosme Damião
Daniel Santos Brito
Eduardo Corga
Francisco Calisto
Francisco Reis Gonçalves
Henrique Teixeira
João Inácio Gomes
João Goulão
Joaquim Almeida
Joaquim Ribeiro
Jorge Augusto Sousa
Jorge Costa Afra
José Linhares
José Rosa Rodrigues
Manuel Gourlade
Manuel França
Raul Empis
Virgílio Cunha
Alberto Miguéns
NOTA: Passam agora 41 anos (depois do Natal de 1976) que ouvi pela primeira vez referir o Benfica num tema musical que não está directamente relacionado com uma música do Clube ou feita por adeptos do Clube. O que eu me diverti, pois ainda não era associado - só o fui dois anos depois, em 1979 - tanto que o tema (n.º 5 da Face A: O Desporto Nacional) está "riscado" de tanto gasto. Um tema num dos melhores discos - graficamente (por Carlos Zíngaro) e musicalmente (Júlio Pereira e uma catrefada de músicos e não músicos, que talvez seja único em Portugal, até Júlio Isidro participou!) - feitos em Portugal: «Fernandinho Vai Ó Vinho» de Júlio Pereira. Neste tema além da voz de Júlio Pereira (Fernando), há ainda as vozes de José Afonso (Pai do Fernandinho que canta por duas vezes Benfica), Francisco Fanhais (Professor do Fernandinho que repartia mais desportos) e...Herman José (Ministro de todos os "fernandinhos deste país" que só quer Futebol! Pudera). E as televisões ainda não tinham inventado as tele-tascas para delícia dos Ministros. Ai, Portugal, Portugalzinho! Uma preciosidade: ouvir o enorme Zeca Afonso a pronunciar Benfica...duas vezes! Ah, mas que bem que te fica Como eu seres do BENFICA! Ah, se o BENFICA ganhar Vamos então passear!
28 de Fevereiro de 2017: Data Com História e Histórica.
UM GRUPO DE MIÚDOS DE BELÉM, DE BOAS FAMÍLIAS E OS SEUS AMIGOS RICOS E POBRES COM CASAPIANOS LIGADOS AO RESTELO NUM MOMENTO FELIZ DECIDEM FUNDAR UM CLUBE. O NOSSO CLUBE!
Desde 1904 até hoje, o Clube tinha uma lista de fundadores com 24 nomes de pessoas. A partir de 2017, através de uma pesquisa usando fontes documentais (em registos paroquiais, hemerotecas, bibliotecas e diverso conhecimento disperso incluindo contactar familiares e conhecidos de alguns deles) o SLB pode dizer que tem para o Futuro uma lista de 24 pessoas com nomes. Uma pesquisa notável e preciosa de Victor João Carocha que acrescenta pormenores que para os nossos fundadores e para o Clube são sempre “porMaiores”. Os detalhes agora revelados aumentam e melhoram significativamente o nosso conhecimento acerca desses homens e dos seus diversos contextos familiares e socioeconómicos. Haverá algum clube no Mundo que com esta longevidade centenária possa dizer o mesmo? Acima de tudo, com este trabalho presta-se uma justa homenagem e um sentimento de agradecimento a um extraordinário conjunto de Homens que nos deixaram há tantos anos e dos quais tão pouco sabíamos. O direito à memória e à verdade é a maior justiça que podemos fazer a associados já desaparecidos.
Apresentação simplificada
Eis de um modo simples a apresentação dos “Vinte e Quatro Magníficos”. Homens generosos e entusiastas que no último domingo de Fevereiro de 1904 fundaram o nosso querido Clube. Nesse dia, dez desses 24 pioneiros decidiram comparecer a um treino – marcado para o final da manhã em Belém num espaço logradouro situado entre as traseiras do vasto quintal da Quinta da Praia do Senhor Duque de Loulé e a linha de caminhos-de-ferro. Um local situado nessa populosa e animosa vila de Belém, junto à "linha de comboio" entre a estação ferroviária do popular e pesqueiro Cais do Sodré e a cosmopolita e finória vila de Cascais.
Sul: Traseiras da Quinta da Praia do Duque de Loulé até à linha férrea, nos Areais de Belém, local do primeiro treino do Clube. Se quiser saber como está o mesmo local na actualidade (clicar)Fonte AML
Seguiu-se uma reunião na bem frequentada e conhecida farmácia Franco, propriedade do 2.º Conde do Restelo Ignácio José Franco e de seu irmão Pedro Augusto Franco, localizada na movimentada rua direita de Belém. Nessa mítica reunião que decorreu numa das dependências no interior da Farmácia, 24 inolvidáveis imorredoiros constituíram o Acto Fundador do nosso Clube. Para além dos dez do treino compareceram mais 14 intrépidos, impedidos de treinar de manhã talvez por habitarem afastados de Belém ou por terem outros afazeres nessa manhã. É possível ainda que alguns desses 14 estivessem presentes nesse momento histórico apenas por razões circunstanciais. Se assim foi, nessa tarde, ganharam a imortalidade.
Dos 24 nomes de pessoas passamos a ter 24 pessoas com nomes Este não é um estudo ou uma pesquisa acabada. Muito longe disso. É antes de tudo uma evocação e um agradecimento aos 24 intrépidos fundadores que nos legaram desde há 113 anos – em 28 de Fevereiro de 1904 – este Clube inigualável. Os mesmos que Mário de Oliveira e Rebelo da Silva imortalizaram aquando das Bodas de Ouro do Clube, em 1954, através da edição da sua monumental obra “História do SLB 1904 – 1954” publicada em fascículos mensais e posteriormente encadernada em dois volumes, com 574 e 581 páginas, respectivamente. Os dados que agora se apresentam servem também de sugestão para que descendentes destes 24 homens e outros interessados venham contribuir para o progresso do conhecimento. Neste ano de 2017 fazemos votos para que nos próximos cem anos haja vontade e possibilidade de melhorar o conhecimento acerca destes 24 magníficos pois sem eles o SLB não existiria e não teríamos o orgulho e alegria de sermos Benfiquistas. A eles devemos o usufruto da felicidade de ser maior, de ser melhor, de poder sorrir, gritar e exultar em cada jogo, cada prova, cada competição ou recorde, onde quer que uma equipa do Glorioso se apresente.
O interior da famosa e imprescindível Farmácia Franco cerca de 1904
Numa simulação feita apenas para reunir, simplificar e tornar mais visual a informação agora revelada eis por ordem alfabética – tal como Cosme Damião listou – os dados biográficos desses 24 impolutos. Os dados apresentados, reportam-se à data da fundação, sabendo que 113 anos após esses 24 se multiplicaram por milhões espalhados por esse Mundo fora. (clicar em cima das imagens para obter uma melhor visualização)
Afinidades electivas entre eles
Em vinte e quatro – número suficiente para fazer duas equipas para “treinos jogados” – haveria uma multiplicidade de ligações e proximidades entre eles. Desde laços de familiaridade, a relações de vizinhança e entusiasmo expandido muito para lá da simpática e isolada Belém do início do século XX. Até bem próximo do centro da cidade onde alguns estudavam e contagiavam colegas de classe, carteira, turma, brincadeira e recreio. De longe ou perto irradiavam desejos de serem fortes – de mesmo só com portugueses conseguirem derrotar os ingleses “donos e senhores" do Futebol em Portugal - e isso fez deles convergentes em Belém. Os 113 anos de vida clubística intensa, palmilhados dia-a-dia, trataram de fazer divergir para os quatro Cantos do Mundo o foco imorredoiro que se acendeu naquele momento de legado. O que une milhões espalhados pelo Mundo a um grupinho de 24 em Belém com 113 anos de distância? O que une o Mundo em 2017 a Belém em 1904? E PLURIBUS UNUM. TODOS POR UM. TODOS POR UM CLUBE. TODOS PELO BENFICA! SEMPRE MAIS GLORIOSO!
(clicar em cima da imagem para obter uma melhor visualização)
DUAS NOTAS FINAIS:
1. A base gráfica para que a apresentação seja mais visual e tenha uma leitura mais consistente teve por suporte os dois cartões de associado mais antigos que se conhecem, datados de 1912 e 1915. Por isso, essa simulação não quer dizer, de modo algum, que aquando da fundação os cartões de identidade dos associados do Clube tivessem esse aspecto - formato e características – em 1904.
2. A História do SL Benfica tal como a própria dinâmica do Clube está permanentemente em actualização. É um processo sem final previsto rumo ao eterno infinito. Esperamos que este ano de 2017 seja uma encruzilhada de passagem após o extraordinário caminho iniciado, depois de 1945*, pela parceria entre Mário de Oliveira e Rebelo da Silva que nos legaram, em 1954, a lista das fundadores elaborada por Cosme Damião, referente a 28 de Fevereiro de 1904, bem como os primeiros passos do Clube, ainda que pequenos, sempre enérgicos e afirmativos. Que as boas vontades e Benfiquismo vindouras consigam num futuro próximo acrescentar porMaiores às certezas, evidências às dúvidas e esclarecer pormenores actualmente insondáveis. Um Clube Mítico como é o Glorioso não tem segredos escondidos nem impossíveis de obter. É tudo uma questão de boa pesquisa, ponderação, cuidado e tempo com vontade para a sua realização.
* Cosme Damião entrevistado por Mário de Oliveira em 1 de Março de 1945 com publicação nas páginas 5 e 7 do número 11 do jornal “A Bola” em 5 de Março de 1945.