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quarta-feira, 25 de novembro de 2020

José Bastos no Quarto Anel

quarta-feira, 25 de novembro de 2020 6 Comentários

FALECEU ONTEM, 24 DE NOVEMBRO, O GUARDA-REDES DA TAÇA LATINA.



Com 91 anos, assinalados em 17 de Outubro deste ano. Nasceu em Alquerubim, em 1929, no concelho de Albergaria-a-Velha (Aveiro) chegando a Lisboa aos seis anos. Entretanto com 13 anos, a caminho dos 14 anos, em 9 de Agosto de 1943, inscreveu-se como sócio do Clube e tentou, no Campo Grande, ser futebolista do Benfica, mas foi "chumbado" por Janós Biri.  Iniciou-se no futebol aos 14 anos, no Estrela do Castelo, clube popular de Lisboa, como avançado mas um dia acabou na baliza por faltar o guarda-redes titular. Em 1945, voltou ao Campo Grande e desta vez, já como guarda-redes, foi aprovado por Biri. Ficaria no Clube até ao início de 1960/61, com festa de despedida, saindo para o Atlético CP, englobado na transferência de Germano para o Benfica. Jogou no Atlético CP (1960/61; I Divisão), SC Beira-Mar (1961/62; I Divisão), Atlético CP (1962/63; I Divisão), GD Pescadores da Costa da Caparica (1963/64; Distrital de Setúbal), Alhandra SC (1965/66 e 1966/67; II Divisão), SC Leiria e Marrazes (1967/68; Distrital de Leiria; como jogador-treinador) seguindo-se o GD Estoril Praia sendo depois adjunto de Jimmy Hagan nos Anos 70. Treinador de juniores no GD Estoril Praia ainda iria ser treinador principal após o despedimento do técnico António Medeiros. Uma vida dedicada ao Futebol. Era presença regular na "Saudosa Catedral" e no actual Estádio. Sempre bem disposto, contador de histórias e com aprumo só ao alcance de quem teve uma vida preenchida e sentida. Era um companheiro sempre a aconselhar e ajudar, para alguns dos antigos jogadores, como Saraiva, em Portimão e muitos outros.



Cifras impressionantes na categoria de Honra

Com 274 jogos (22 649 minutos) durante doze temporadas (contabilizando a da festa de despedida em que fez um jogo), entre 1949/50 e 1960/61. Estreou-se em 15 de Janeiro de 1950 (clicar para jornal «Diário de Lisboa»), iniciando a época na Reserva, após duas temporadas nos juniores (1946/47 e 1947/48), duas na Reserva (1948/49 e 1949/50) e a festa de despedida realizou-se, em 1 de Setembro de 1960, frente ao Real Bétis Balompié (Sevilha), com crónica no jornal «Diário de Lisboa» (clicar). Pelo «Glorioso» conquistou a Taça Latina (1950), três campeonatos nacionais (1949/50, 1954/55 e 1956/57) e cinco Taças de Portugal (1950/51, 1951/52, 1952/53, 1956/57 e 1958/59).




A estreia frente ao poderoso emblema argentino San Lorenzo de Almagro (clicar para jornal «Diário de Lisboa»). 



A merecer o devido destaque proximamente, neste blogue, de modo a mostrar a classe que tinha como futebolista e Benfiquista. Uma Glória do Benfica que jamais deixará de brilhar.



Foi Bastos como guarda-redes do Atlético CP que sofreu os primeiros golos de Eusébio, na sua estreia pela Reserva, em 23 de Maio de 1961 (clicar para jornal «Diário de Lisboa»).


A despedida em 1 de Setembro de 1960, frente ao Real Bétis (Sevilha)

Até sempre, Bastos

 

Alberto Miguéns


NOTA1: Agradecimento ao dedicado leitor Victor João Carocha pela magnífica composição fotográfica que abre este texto;

NOTA2: Aquando do 90.º aniversário do nosso José Bastos este blogue fez uma singela, mas sentida, homenagem, em 17 de Outubro de 2029 (clicar)

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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

José Bastos 90

quinta-feira, 17 de outubro de 2019 2 Comentários
O DECANO DOS NÚMEROS UM DO “GLORIOSO” COMPLETA 90 ANOS.


Já houve muitos guarda-redes em Portugal, mas só há um que é campeão latino!


José Bastos nasceu na pequena aldeia de Alquerubim, a cerca de 15 quilómetros de Aveiro, em 17 de Outubro de 1929, há precisamente nove décadas. Ainda muito jovem rumou com os pais para Lisboa, iniciando-se no futebol num pequeno clube de bairro, o Desportivo do Castelo, jogando a interior, ou seja, na linha avançada. Apaixonado pelo Benfica, tornou-se associado em 9 de Agosto de 1943, ainda com 13 anos, passando a ver os jogos do “Glorioso” no nosso estádio do Campo Grande. Três anos depois inscreveu-se como futebolista do Clube na equipa B dos juniores, estreando-se (como guarda-redes) em 15 de Dezembro de 1946 quando o «Glorioso» empatou a um golo, no campo das Salésias, com o CF “Os Belenenses” para o campeonato regional. Subiu em 1947/48 à equipa A dos juniores e na temporada seguinte já actuava na 2.ª categoria. 


Campeão Latino
Iniciou a época de 1949/50 na categoria de Reserva mas iria terminá-la como campeão latino. Foi um guarda-redes que “subiu a pulso” o caminho do sucesso. Nada lhe foi oferecido, mas tudo conquistado com trabalho rigoroso e dedicação ao Benfica. Estreou-se na categoria de Honra no Estádio Nacional, em 15 de Janeiro de 1950, num jogo particular com a “endiabrada” equipa do clube argentino San Lorenzo de Almagro que dava “festival de futebol” na sua digressão europeia. Não foi titular, entrando aos 55 minutos e sofrendo apenas um golo! “Regressou” à Reserva, para só dois meses depois conquistar a titularidade fazendo os seis últimos jogos do Nacional, que tinha 26 jornadas, sagrando-se campeão! E em 18 de Junho de 1950 consagrou-se como campeão latino, quando o Benfica venceu, por 2-1, o FC Girondins (Bordéus), no Estádio Nacional, numa finalíssima com 146 minutos! Tinha então 20 anos, oito meses e um dia,  jogando há quatro temporadas no “Glorioso”.

A estreia num «Dérbi de Lisboa» campeonato nacional, no jogo da segunda volta (23.ª jornada) em 16 de Abril de 1950: 20 anos, cinco meses e 30 dias 

Seguro, valente e intrépido
José Bastos tinha excelentes condições físicas para o lugar – alto e forte, mas esguio, com mãos seguríssimas. Com boas qualidades inatas foi refinando a sua classe com a experiência durante os anos 50. Valente a sair da baliza para conjurar a ameaça ou expedito para anular o perigo. Foi titular em quatro épocas consecutivas entre 1950/51 e 1953/54. Na temporada de 1954/55 foi afectado por grave lesão que lhe retirou a titularidade, fazendo a época de 1955/56 na Reserva. Mas recuperaria a titularidade na principal equipa nas duas épocas seguintes, em 1956/57 e 1957/58.


Seis jornadas consecutivas sem sofrer golos
Na temporada de 1952/53 manteve-se imbatível durante seis jornadas do Nacional num total de 646 minutos estabelecendo uma nova marca de “jogos consecutivos sem sofrer golos” nesta competição. Duraria 19 temporadas, até ser melhorado (para oito jornadas) por José Henrique no Nacional de 1971/72! Mas o recorde pessoal absoluto de Bastos (e do Benfica) fixou-se “apenas” em cinco jogos (porque sofreu dois golos num jogo particular internacional, entre duas dessas jornadas do Nacional) num total de 482 minutos, mas suficiente para melhorar a marca de Paiva Simões (407 minutos) que datava de há 40 anos, em 1912/13.

Internacional “B”
Apesar de tantos títulos e prestações notáveis nas balizas do Benfica nunca foi chamado à principal selecção nacional. Mas representou Portugal pela selecção B. Ele que se revelou sempre um guarda-redes de inegáveis méritos em jogos internacionais, pois para além de campeão latino em 1950, fez também notáveis exibições nesta mesma competição nas edições de 1956 (Milão) e em 1957 (Madrid).


Estreia Europeia
Na temporada de 1957/58 foi o guarda-redes na estreia do Benfica na Taça dos Clubes Campeões Europeus, quando em 19 de Setembro de 1957 jogámos no Estádio Nervion, na capital andaluza, com a equipa do clube espanhol Sevilha FC.


Adeus (provisório)
No início da temporada de 1960/61 em 1 de Setembro de 1960 despediu-se do “Glorioso” num jogo integrado na sua festa de homenagem, organizada pelo Benfica, no Estádio da Luz, com o Real Bétis de Sevilha. Tinha 30 anos. Continuou a jogar futebol no Atlético CP. Depois de terminar a carreira seria presença assídua no Clube.


Sair a favor do Benfica
Até a sua saída para o Atlético CP permitiu prestar um serviço ao “Glorioso”, pois esteve envolvida na transferência do defesa Germano para o Benfica, embora já estivesse acertada antes da decisão final fez parte das excelentes relações que os dois emblemas tinham nos anos 50. José Bastos que apadrinhara (época após época) a geração que se sagraria campeã europeia em 1960/61 (a temporada em que deixou o Benfica) “contribuía” para a chegada de mais um futebolista que daria o enquadramento final para o domínio do futebol europeu na década de 60. Assim “à sua maneira” também foi campeão europeu. Ele que sempre pôs os interesses do “Glorioso” acima dos seus próprios interesses, até na hora da despedida! Haviam passado 14 temporadas consecutivas (num total de 378 jogos em várias categorias) como guarda-redes benfiquista das quais onze na categoria de Honra, com seis a titular!


Cifras de excelência
Jogou um total de 22 649 minutos na nossa baliza em 274 jogos, com 250 a titular e 232 completos, sofrendo apenas 312 golos, obtendo por isso uma média de pouco mais de um golo (1,14) por encontro, ou seja, sofreu um golo a cada 83 minutos.


Triunfos Gloriosos
Ajudou a equipa principal do Benfica a conquistar nove competições oficiais: a Taça Latina em 1950; três Nacionais da I Divisão em 1950, 1955 e 1957; e cinco Taças de Portugal (jogando todas as finais) em 1951, 1952, 1953, 1957 e 1959, ou seja, três consecutivas e uma “dobradinha” em 1957! Nos 274 jogos em que representou o Benfica permitiu ao Clube a obtenção de 180 (66 %) vitórias e 42 empates. Não sofreu golos em 104 (38 %) dos encontros, sofrendo um golo em 78 jogos, dois golos em 55 encontros, três golos em 26 jogos, quatro golos nove encontros e cinco golos em dois jogos.



… e continua no activo!
Na actualidade com 90 anos é presença assídua na “Nova Catedral” nos encontros da nossa equipa de futebol e noutras actividades do “Glorioso”. É com admiração e satisfação que ouvimos as múltiplas histórias que conta de uma vivência desportiva e associativa com mais de 75 anos.


Uma galeria com equipas fantásticas
Desde 1949/50 até 1956/57 com Taça Latina (1950), Um tri de Taças de Portugal (1951, 1952 e 1953) e duas "dobradinhas" (1954/55 e 1956/57).


A fotografia da meia-final (SS Lazio) com a mesma constituição da que disputou a finalíssima






Parabéns, Rei do Sono!

Alberto Miguéns

NOTA: O decano dos futebolistas do «Glorioso», Rogério Lantres de Carvalho (97 anos a completar em 7 de Dezembro de 2019) quando o via despreocupado encostado junto a um poste enquanto o Benfica atacava a baliza contrária e depois se mostrava ágil a defender a Gloriosa Baliza apelidou-o de «Rei do Sono». Calmo e confiante nas capacidades dos outros dez futebolistas para ele estar na baliza era um descanso…




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