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terça-feira, 25 de agosto de 2020

Leopoldo Mocho 131

terça-feira, 25 de agosto de 2020 9 Comentários
NASCEU PARA O MUNDO EM 1889, EM 25 DE AGOSTO, HÁ PRECISAMENTE 131 ANOS.


Mas sendo um futebolista de excelência - e só isso já seria suficiente - fazendo de mais um emblema desportivo, o Clube Glorioso, ainda acrescentou Benfiquismo tornando-se o primeiro embaixador do Clube, ao criar em 1911, a primeira filial do Clube em Portalegre.



NOTA INICIAL: O texto acabou por ficar demasiado longo (muito pelas ilustrações) mas Leopoldo Mocho é uma das maiores figuras do Clube. Pelo que fez em Lisboa, depois pelo que fez em Portalegre e Arronches e até pelo que fez entre Portalegre/Lisboa/Portalegre pois chegava a sair sábado à tarde de comboio para Lisboa para poder jogar encontros complexos pelo SLB regressando depois ao emprego nos CTT de Portalegre e depois de Arronches. Talvez eu seja do Benfica por causa dele, pois nascendo numa aldeia (Montalvão) do distrito de Portalegre, neste distrito para aí 90 por cento são Benfiquistas. Lembro-me de entre final dos Anos 60 e início da década de 70 se fazerem "futeboladas" Benfica/Sporting no "Adro da Igreja Matriz" de Montalvão e enquanto os Benfiquistas tinham o "azar" de sendo tantos ter de se fazer substituições enquanto os sportinguistas viam-se aflitos para conseguir número suficiente de jogadores. Resta dizer que nascendo eu na rua das Almas, que é o arruamento, mais a norte de Montalvão, a sede de freguesia mais a norte do Alto Alentejo, segundo Pinto da Costa, todos os que nasceram nas ruas a sul da "minha" (que são todas) são... mouros!


O célebre jogo cinco mil de pé (recorde que depois seria batido), no campo da Feiteira (14 de Fevereiro de 1909) frente aos "mestres ingleses do Cabo Submarino",como lhes chamava Cosme Damião Tricampeões de Lisboa.  Este com derrota por 0-4, mas depois haveria de surgir um, um ano depois que mudaria tudo, o dos "oito mil de pé", em 23 de Janeiro de 1910, com a vitória por 1-0 o SLB assegurou - apesar de faltarem mais vitórias, mas ficou na frente do Carcavellos Club - a conquista do primeiro título. Da esquerda para a direita: Henrique Costa, Luís Vieira, LEOPOLDO JOSÉ MOCHO, Cosme Damião (cap.), Constantino Encarnação e João Persónio.   Fotografia publicada em separata, no volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1954

«Nem devia "jogar à bola" quanto mais a defesa", Cosme Damião dixit
Mas nunca prescindia dele! Jogador aparentemente débil tinha uma genica impressionante. Fora de campo parecia de papel, assim que o árbitro "apitava" até dar por terminado o jogo parecia valer por dois. Era o oposto dos defesas do seu tempo. Um "back" tinha de se impor pelo físico tendo rapidez e astúcia suficiente para defender os avançados rápidos e habilidosos. Leopoldo Mocho era "um pau de virar tripas" que - os avançados de equipas poderosas (estrangeiras) que não o conheciam - "esfregavam as mãos" pois estava ali uma "passadeira". Só que depois não conseguiam enganá-lo. Jogava na antecipação. Aparecia-lhes "do nada" e ficava com a bola antes dela lhes chegar. Adivinhava para onde iriam desmarcar-se chegando primeiro. Se o queriam fintar ou "driblar" tinha calma suficiente para esperar os "décimos de segundo certos" para com subtileza tirar a bola enquanto os avançados contrários ainda estavam a imaginar o que iriam fazer. Luís Vieira (avançado-centro do «Glorioso» dizia: «Ainda bem que só há um Mocho e joga na minha equipa!».    


Frente ao Sporting CP, em 25 de Outubro de 1908 (V 2-0; campo da Quinta da Feiteira), os dois defesas do Benfica controlam Francisco Stromp. De um lado, o ágil Leopoldo Mocho e do outro o possante e experiente Henrique Costa, que até foi dos que saiu (1907/08 para o adversário) e regressou ao seu «Glorioso», re-estreando-se frente ao Sporting CP onde tinha jogado em 1907/08. Fotografia publicada na página 142, do volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1954

De Arronches para Lisboa
Nascido na vila de Arronches, cedo está em Lisboa, para estudar, pensa-se que como aluno externo da Real Casa Pia de Lisboa. É um dos que primeiro adere, em 1904 ou 1905, ao clube fundado em 28 de Fevereiro de 1904, contava então 14/15 anos. 

1905/06
Começa nas categorias inferiores, talvez pela terceira, mas certamente na segunda.


Da esquerda para a direita. Alinharam para a fotografia como jogaram em campo. Em cima (defesas): Henrique Teixeira, Manuel Gourlade e LEOPOLDO JOSÉ MOCHO (defesa-esquerdo); ao meio (meias-defesas ou médios): Carlos Monteiro, Carlos Cunha e Luís Vieira; sentados (avançados): António Costa, António Alves, Luís Rodrigues, Eduardo Corga e António Meireles

1906/07
Continuou na segunda categoria que se revelou invencível, conquistando o torneio do Internacional/CIF após eliminar o organizador do torneio e, na final, o FC Cruz Negra (que eliminara o Sporting CP). Foi esta categoria que fez o clube começar a coleccionar troféus embora este "bronze" tenha sido vítima de um empregado, ainda o Benfica, tinha Sede no Largo do Carmo que o "empenhou". Deve andar aí por uma casa fina.


A 2.ª categoria em 1906/07. Uma equipa fortíssima. Foi fundamental para responder à deserção de uma dezena e abandono forçado de três "Gloriosos" em Maio (Verão) de 1907. Foi inscrita como 1.ª categoria em 1907/08. De cima para baixo. Da esquerda para a direita. Alinhados com a táctica do jogo. Em cima, os dois defesas e o guarda-redes: Henrique Teixeira, João Persónio e José Netto; Ao centro, os cinco avançados: Félix Bermudes (cap.), Eduardo Corga, LEOPOLDO JOSÉ MOCHO (avançado-centro), António Meireles e Carlos França; Na frente, os três meio-defesas ou médios: Luís Vieira, Cosme Damião e Marcolino Bragança. Fotografia publicada na página 51, do volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1954

A primeira de muitas
Com a primeira categoria a concorrer ao campeonato da Liga de Foot-Ball Association o «Glorioso» apresentou a "categoria dos espertos" como lhe chamou Félix Bermudes, pois designava a primeira "pelos bons de bola" em oposição aos "bons da bola" (cabeça) numa das suas "tiradas criativas" de autor dramaturgo que viria a ser dos melhores do seu tempo. O Sporting CP dos quatro clubes foi o único que não participou no campeonato da primeira categoria, por isso apresentou-se com os seus melhores futebolistas.




Deserção...
No Verão de 1907, com o abandono de oito futebolistas da primeira categoria e mais uns tantos das categorias inferiores para o Sporting CP o «Glorioso» correu o risco de acabar. 


Entrevista (extracto) de Cosme Damião concedida a Mário de Oliveira; jornal «A Bola»; N.º 11; 5 de Março de 1945;; página 7


... e resistência
Mas surgiu uma solução e Leopoldo Mocho fez parte dela, não só como associado n.º 25 (já funcionário público) mas como futebolista da segunda categoria (em 1906/07) inscrevendo-se com esta no campeonato para primeiras categorias, em 1907/08. Há uma alteração táctica, passando de avançado-centro para... defesa-direito.

A 1.ª categoria em 1907/08, em 24 de Novembro de 1907 (V 1-0 ao Internacional na estreia do campo na Quinta da Feiteira). Da esquerda para a direita. Alinhados com a táctica do jogo. Em baixo, os dois defesas e o guarda-redes: LEOPOLDO JOSÉ MOCHO (defesa-direito), João Persónio e Alfredo Machado; Ao centro, os três meias-defesas ou médios: Luís Vieira, Cosme Damião e Marcolino Bragança; Atrás, os cinco avançados: Félix Bermudes (cap.), António Costa, António Alves, Eduardo Corga e António Meireles. Fotografia publicada na página 55 do volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1954

1907/08
Em 17 de Novembro de 1907 (clicar para revista «Tiro e Sport») estreava-se na primeira categoria (ex-segunda em 1906/07) num encontro frente ao Campeão Regional, Carcavellos Club (ingleses do Cabo Submarino) numa derrota, por 1-4. Passou a jogar a defesa-esquerdo até ao final da sua longa carreira, com o regresso de Henrique Costa (o melhor defesa à direita do seu tempo) do Sporting CP, depois de justificar em assembleia geral que só foi para o SCP porque "dera a sua palavra" a José Alvalade depois deste lhe garantir que o «Glorioso» ia acabar...


A 1.ª categoria em 1908/09, em 28 de Junho de 1908 (E 0-0 com o Internacional) ou 25 de Outubro de 1908 (V 2-0, ao Sporting CP). De cima para baixo. Da esquerda para a direita. Alinhados com a táctica do jogo. Atrás os defesas e centrocampistas: Henrique Costa, Luís Vieira, João Persónio, Cosme Damião (cap.), LEOPOLDO JOSÉ MOCHO (defesa-esquerdo) e Artur José Pereira; segue-se o árbitro, Gastão Pinto Basto, do Internacional/CIF;  À frente, os cinco avançados: António Costa, Eduardo Corga, David Fonseca, António Meireles e Carlos França. Fotografia publicada em separata no volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1954


A organização de Cosme Damião foi exemplar. Tudo bem pensado para facilitar os golos, vitórias e conquistas

A 1.ª categoria em 1908/09, em 6 de Dezembro de 1908 (V 4-0 com o Sport União Belenense). De cima para baixo. Da esquerda para a direita: Eduardo Corga, Luís Vieira, Henrique Costa, Cosme Damião (cap.), António Meireles e Artur José Pereira, com Félix Bermudes com o seu equipamento de velocista; António Costa, Alberto Alves, João Persónio, LEOPOLDO JOSÉ MOCHO (defesa-esquerdo) e Carlos FrançaFotografia publicada na página 141 do volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1954

1908/09
Com o Clube e o Futebol a implantar-se em Portugal é um dos sete totalistas, participando nos dez jogos realizados pelo SL Benfica. Marca o seu único golo como futebolista da primeira categoria, em 24 de Janeiro de 1909, na vitória por 2-1, sobre o Sporting CP, para o campeonato regional de Lisboa, com relato na Imprensa da época (clicar para Revista «Tiro e Sport»). 


A 1.ª categoria no início da época de 1909/10, em 21 de Novembro de 1909 (V 2-0 com os ingleses do Carcavellos Club). De cima para baixo. Da esquerda para a direita: António Costa, Luís Vieira, Alfredo Machado, Cosme Damião (cap.), Artur José Pereira e LEOPOLDO JOSÉ MOCHO (defesa-esquerdo); António Rosa Rodrigues (regressou do Sporting CP: ver NOTA NO FINAL DA LEGENDA), Constantino Encarnação, Henrique Teixeira, António Meireles e Henrique Costa.  Fotografia publicada na página 126 do volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1954. NOTA FINAL: António Rosa Rodrigues foi um dos fundadores que desertou para o Sporting CP, regressando da temporada de 1909/10 voltando depois ao Sporting CP. Fazia questão de jogar com a camisola de flanela vermelha que dizia ser dele e do irmão Cândido Rosa Rodrigues pois as 12 primeiras camisolas foram compradas a meias por 24 (cada um - futebolistas da 1.ª e 2.ª categoria - deram 500 réis) em 18 de Fevereiro de 1905. Foi esta a justificação de Luís Filipe Rosa Rodrigues, filho de Cândido Rosa Rodrigues que ainda tinha - faleceu há ano e meio - esta camisola na sua casa da Nazaré! Contou esta e outras estórias deliciosas. Uma saudade, sendo um dos sócios mais antigos do SCP foi sempre de uma atenção inexcedível para comigo e para este blogue! Grandes conversas na Pastelaria Versailles, em Lisboa!

1909/10
No ano do primeiro título de campeão regional não faz muitos jogos (apenas três) mas está nos mais importantes com destaque para o que "escancarou as portas do título" (clicar para Revista «Tiro e Sport»).


A 1.ª categoria no final da temporada de 1909/10, em 23 de Janeiro de 1910 (V 1-0 com o Carcavellos Club, num dos jogos mais importantes do Clube. Ver NOTA NO FINAL DA LEGENDA). Da esquerda para a direita. Em cima, os defesas e centrocampistas: António Costa, Cosme Damião (cap.), Alfredo Machado, Henrique Costa, LEOPOLDO JOSÉ MOCHO (defesa-esquerdo) e Artur José Pereira; Em baixo, os avançados:  Germano Vasconcelos, Manuel Lopes, Luís Vieira, António Meireles e Virgílio Paula. NOTA FINAL: A vitória permitiu conquistar o primeiro título de campeão regional, depois do Tricampeonato do Carcavellos Club. Foi a segunda vitória sobre os ingleses depois da obtida em 10 de Fevereiro de 1907, na Quinta Nova, por 2-1, em Carcavelos. Este encontro, na Quinta da Feiteira, é considerado o jogo com maior assistência em Portugal (5 a 8 mil pessoas de pé., pois nem uma cadeira havia no nosso campo! Aliás, de pé, ainda deve ser recorde 110 anos depois. 

1910/11
Depois de concluídos os estudos e feita a iniciação profissional vai chefiar a estação dos CTT de Portalegre. Mesmo assim, quando Cosme Damião tem necessidade de reforçar a equipa pede-lhe para vir a Lisboa de comboio. Chega  nas noites de sábado, joga domingo e regressa ao final da tarde a Portalegre. Sempre de comboio. Uma dedicação exemplar. Cosme Damião reconhece-o, abrindo uma excepção. Num jogo, em 11 de Dezembro de 1910, frente ao SC Império elege-o capitão, mesmo com Cosme Damião na equipa. Notável. A simbiose entre os dois é perfeita. 


A 1.ª categoria em 1910/11, em 5 de Março de 1911 (E 1-1 com Internacional/CIF). De cima para baixo. Da esquerda para a direita: Germano Vasconcelos, António Costa (entre eles uma grande dedicação nos primeiros anos do Clube: Cirilo Miramon), Alfredo Machado, José Domingos Fernandes, Carlos Homem de Figueiredo e Virgílio Paula; Henrique Costa, LEOPOLDO JOSÉ MOCHO (defesa-esquerdo), Cosme Damião (cap.), Luís Vieira e.Artur José Pereira. Fotografia publicada na página 151 do volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1954


Sport Lisboa e Portalegre
Colocado em Portalegre como chefe da estação dos CTT , é pioneiro a levar o Benfiquismo para todo o País numa estratégia planeada e divulgada na Imprensa por Cosme Damião  (clicar para 28 de Outubro de 2018). Funda a primeira filial do Clube (18 de Julho de 1911) que, impondo o "modelo Benfica", rapidamente é hegemónico no futebol portalegrense conquistando todos os troféus em disputa (clicar para 18 de Julho de 2014)


Dirigentes da Associação de Futebol de Portalegre. A segunda fundada em Portugal (29 de Outubro de 1911) depois de Lisboa (23 de Setembro de 1910) e antes do Porto (10 de Setembro de 1912). São estas três associações que vão fundar a Federação Portuguesa de Futebol (31 de Março de 1914 como União Portuguesa de Futebol). Da esquerda para a direita: Leopoldo José Mocho, do Sport Lisboa e Portalegre (primeiro-secretário); Álvaro Coelho Sampaio, do Grupo de Bombeiros Voluntários de Portalegre (presidente da Direcção); Bernard Shaw, do Grupo de Bombeiros da Fábrica Robinson (tesoureiro); e Ilídio José da Silva, do Sport Clube Esperança ou Esperancense (segundo-secretário)

1911/12
Com dificuldades em deslocar-se participa em jogos da segunda categoria sagrando-se campeão regional. Era possível jogar, na mesma temporada, por clubes diferentes se estes não pertencessem à mesma associação regional.



1912/13
Continua em Portalegre e a jogar na segunda e terceira categoria, em Lisboa, conquistando esses dois títulos de campeão regional, na segunda e na terceira categoria..


Visita de Cosme Damião a Portalegre para se aperceber da potencialidade de ter os valores do Benfica em todo o País...

1913/14
Com mais disponibilidade, termina as suas funções em Portalegre a 31 de Dezembro de 1913, para instalar uma «Estação de Correios» na sua terra Natal, em Arronches. Consegue participar em todos os jogos realizados em 1914, sagrando-se campeão regional.


O Benfica frente a um misto de futebolistas ingleses, em 12 de Outubro de 1914. Do «Glorioso» da esquerda para a direita: Cândido Oliveira, Mário Monteiro, Júlio Ribeiro da Costa, Herculano Santos, Aníbal Santos, Manuel Veloso, Cosme Damião (cap.), Augusto da Fonseca Júnior, Carlos Homem de Figueiredo e LEOPOLDO JOSÉ MOCHO (defesa-esquerdo). Alberto Rio jogou mas não está na fotografia. Um dia grande, não só por ser um jogo de benemerência, mas por ter as estreias de Cândido Oliveira (depois notável em tudo o que diz respeito ao Futebol) vindo da equipa escolar da Casa Pia de Lisboa e de Augusto da Fonseca (foi presidente dos três Órgãos Sociais do SLB) vindo da equipa escolar do Liceu de Faro, ele que nasceu em Colos (Odemira). Jogou Júlio Ribeiro da Costa que foi presidente da Direcção do SLB


A 1.ª categoria no início da época de 1914/15, em 6 de Dezembro de 1914. De cima para baixo. Da esquerda para a direita: Augusto da Fonseca Júnior (não jogou),Jaime Cadete, Carlos Homem de Figueiredo,  Mário Monteiro, José Domingos Fernandes, Henrique Costa, Cosme Damião (cap.) e LEOPOLDO JOSÉ MOCHO (não jogou); Aníbal Santos, Cândido Oliveira, Francisco Pereira, Herculano Santos e Alberto Rio. Fotografia publicada na página 311 do volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1954
Digressão a Madrid
Com resultados de grande classe deixando a capital de Espanha maravilhada com o seu futebol "científico" (defender com agilidade e em antecipação como que adivinhando trajectórias dos passes contrários e posicionamentos dos adversários) complementando o futebol mais físico de Henrique Costa (defesa à direita).


A 1.ª categoria no campo O'Donnell, em Madrid, a 2 (V 5-4) e 6 (V 4-1) de Janeiro de 1915, frente ao Real Madrid CF, com duas vitórias. Da esquerda para a direita: (?), Aníbal Santos, Mário Monteiro, Cosme Damião (cap.), Carlos Homem de Figueiredo, Manuel Veloso, Rogério Peres, LEOPOLDO JOSÉ MOCHO (defesa-esquerdo), Cândido Oliveira e Augusto da Fonseca Júnior (não jogou) e (?)

1914/15
Mais uma época de excelência com 22 jogos dos 27 realizados pelo Benfica. Mas, depois de um Tricampeonato do Benfica, o Sporting CP conquista pela primeira vez o campeonato de Lisboa.


O segundo jogo a favor da angariação de fundos para auxiliar Álvaro Gaspar (Chacha) entre o Benfica e um Misto, em 25 de Abril de 1915 (E 1-1). Da esquerda para a direita. De cima para baixo: Mário Monteiro junto de Aníbal Santos, Francisco Pereira, Cosme Damião (cap.), LEOPOLDO JOSÉ MOCHO (defesa-esquerdo) e Henrique Costa; Cândido Oliveira, Rogério Peres, Herculano Santos, Carlos Homem de Figueiredo e Jaime Cadete. Fotografia publicada na página 301 do volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1954


A 1.ª categoria em 1914/15, a 17 de Janeiro de 1915. De cima para baixo. Da esquerda para a direita: Mário Monteiro, Carlos Homem de Figueiredo, Henrique Costa, Cosme Damião (cap.), LEOPOLDO JOSÉ MOCHO  (defesa-esquerdo) e Francisco Pereira;  avançados: Aníbal Santos, Herculano Santos, Manuel Veloso, Rogério Peres e Cândido OliveiraFotografia publicada na página 312 do volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1954

1915/16
Na temporada de despedida de Cosme Damião como futebolista, (26 de Fevereiro de 2016, a dois dias do Clube completar 22 anos!) Leopoldo Mocho participa em 22 dos 24 jogos do Benfica que regressa aos triunfos no campeonato de Lisboa.


A 1.ª categoria que conquistou o «Torneio das Quatro Cidades», em 1, 2 e 4 de Janeiro de 1916 no campo do SLB (Sete Rios), sempre com a mesma equipa (sem substituições) frente ao FC P V 9-0), Racing Club Madrid (V 5-0) e Montriond SC Suíça (V 3-1). Da esquerda para a direita: Adolfo Stock, Cândido Oliveira, Herculano Santos, Artur Augusto, Carlos Homem de Figueiredo, Cosme Damião (cap.), Francisco Pereira, Carlos Sobral, Henrique Costa, LEOPOLDO JOSÉ MOCHO (defesa-esquerdo), Alberto Rio e (?). Fotografia publicada na página 318 do volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1954


A 1.ª categoria em 1914/15, a 6 de Janeiro de 1916. Jogo de desforra pedido pelo Montriond SC (E 1-1). De cima para baixo. Da esquerda para a direita: Cândido Oliveira, Henrique Costa, Carlos Homem de Figueiredo, Cosme Damião (cap.), Adolfo Stock e LEOPOLDO JOSÉ MOCHO (defesa-esquerdo); avançados: Artur Augusto, Manuel Veloso, Herculano Santos, Carlos Sobral e Alberto Rio. 
Fotografia publicada na página 320 do volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1954


1916/17
A última temporada é já realizada, para ele, em condições físicas precárias, aos 27 anos. Só actua em cinco dos seis jogos iniciais abandonando o Futebol. O derradeiro jogo é a 11 de Fevereiro de 1917.



A 1.ª categoria em 1915/16, a 2 e 9 de Abril de 1916 (dupla vitória sobre o Sporting CP, por 3-2 e 3-0). Da esquerda para a direita: E. Monteiro, capitão do Racing Club Madrid; Herculano Santos, Manuel Veloso, Cândido Oliveira, Carlos Sobral, Artur Augusto, Francisco Pereira, Henrique Costa (cap.), José Picoto, Silvestre Rosmaninho, Alberto Rio e  LEOPOLDO JOSÉ MOCHO (defesa-esquerdo). Fotografia publicada na página 328 do volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1954


Com o regresso a Arronches
Vai ser o grande impulsionador da filial na localidade, fundada em 1 de Abril de 1939, tendo actualmente o n.º 14. Foi de lá que chegou uma Glória Eterna do Benfica, Francisco Palmeiro. Este futebolista de grande classe e bonomia dizia que o conhecera bem em Arronches.



Satisfação de perceber que tendo uma vida tão longa
Percebeu, bem, como cresceu e se afirmou um clube que nem campo tinha, muito menos bancadas, até 1915, para passar a ter o maior estádio de Portugal, além de todas as grandes conquistas, falecendo em 13 de Maio de 1980, aos 90 anos. Na primeira categoria conquistou quatro campeonatos regionais (1909/10, 1913/14, 1915/16 e 1916/17), participando em 83 jogos (dois como capitão) marcando um golo em 7435 minutos, sempre como defesa, à esquerda (74 encontros) ou à direita (nove jogos).



Obrigado, Leopoldo Mocho!

Alberto Miguéns

NOTA: Só foi possível ilustrar com tantas imagens e estarem bem legendadas porque o atento e dedicado leitor Victor João Carocha dedicou parte do tempo de ontem a fazer as legendas de muitas das fotografias além de ter enviado muitas do seu arquivo muito melhor organizado que o meu que tem por originalidade estar... desorganizado!

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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Gloriosas Filiais: Pioneirismo Benfiquista em Portalegre

sexta-feira, 18 de julho de 2014 11 Comentários
FOI HÁ 103 ANOS QUE SE FUNDOU, EM PORTALEGRE, A PRIMEIRA FILIAL DO CLUBE

Tal como muitas das iniciativas e resoluções nos primeiros tempos do "Glorioso" a ideia de fundar filiais longe de Lisboa nasceu de duas dificuldades transformadas em probidade.



Das duas uma!
Ter "andado de casa e baliza às costas" pela cidade, entre 1904 e 1911 (e até depois...) percebeu que deixar delegações nos antigos locais das Sedes - Belém e Benfica - era útil para continuar a beneficiar de apoio local para manter e angariar associados, que nesse tempo também significava atletas de futebol ou outras modalidades;
Quando algum associado era obrigado a deixar Lisboa, geralmente por motivos profissionais - emprego - transferindo-se para localidades mais afastadas, o amor ao Clube era tão grande que tentava fazer "uma extensão do Benfica na localidade onde passava a trabalhar e viver". Neste aspecto, e fundamental para o sucesso e perceber a importância em Lisboa, deste tipo de agremiações desportivas ligadas ao Benfica, o pioneiro foi o enorme futebolistas (defesa) Leopoldo José Mocho que deixou Lisboa para trabalhar nos correios de Portalegre e Arronches, fundando na capital de distrito a primeira filial do "Glorioso", há precisamente 103 anos, em 18 de Julho de 1911.

O Benfica é assim. Ou era assim! Aproveitava as dificuldades para ser melhor e mais forte, em vez de desfalecer.

A primeira de muitas
O Sport Lisboa e Portalegre cedo começou a destacar-se entre os portalegrenses. Com Leopoldo Mocho era também mais fácil. Ele sabia muito bem quais os valores do Benfiquismo. Se resultavam em Lisboa, resultariam em Portalegre. E assim foi. Rapidamente organizaram-se vários clubes que permitiram que em Portalegre acontecesse algo impensável. Foi fundada a segunda Associação de Futebol, depois de Lisboa e antes do... Porto, o que é um anacronismo que ficará para sempre a marcar o desporto - em particular, o futebol - em Portugal. É que jogava-se futebol no Porto há muitos mais anos, até décadas, que em Portalegre. Mas em Portalegre estava a viver uma Glória Benfiquista, o que significava não só destreza, amor aos valores da tolerância e união, mas também organização. Diz-se que o futebol até era jogado em Portalegre, antes de 1911, mas de um modo artesanal e privado, entre os ingleses das fábricas de cortiça e lanifícios da cidade. Com Leopoldo Mocho o futebol passou a ser um caso sério: em popularidade e beneficência.


Fotografia tirada por Leopoldo Mocho na Quinta Branca, na Estrada da Serra de São Mamede, aquando da visita de Cosme Damião (ao centro) a Portalegre. 
Cosme Damião quis saber o desenvolvimento da ideia
Leopoldo Mocho apesar de viver e trabalhar longe de Lisboa, quando havia jogos mais exigentes do SLB deslocava-se, de comboio a Lisboa ficando alojado às custas de dirigentes do Clube. Por isso os Benfiquistas de Lisboa sabiam muito bem o que se passava a quase 200 quilómetros. Mesmo assim Cosme Damião deslocou-se a Portalegre para verificar o sucesso e importância de ter filiais que agregassem e expandissem o Benfiquismo. E veio de lá entusiasmadíssimo, como referiu numa notável entrevista publicada no jornal "Os Sports Illustrados"; n.º 72, em 28 de Outubro de 1911. Não sendo possível digitalizar o original - a BNP não autoriza devido ao mau estado dos exemplares - transcrevo o extracto onde Cosme Damião explica o que pensa fazer:

«O Sport Lisboa e Bemfica vai ficar com três sedes, pelo menos, na Capital. Tenciona instalar na Baixa da cidade a sua sede principal, com todas as comodidades precisas para os seus associados, passando à categoria de delegação a sua actual sede em Bemfica e criando outra delegação em Belém, onde também conta elevado número de sócios.
É motivado este desdobramento pela numerosa quantidade de associados espalhados por toda a cidade, muitos deles em locais situados a grande distância da sua sede actual. Não se vê, porém, unicamente neste desdobramento a prosperidade do Bemfica. A sua influência é hoje absolutamente extraordinária, a ponto de ter ensejo para criar delegações em várias terras da província, como Portalegre, Coimbra, Figueira da Foz, Setúbal, Porto, Faro, etc., delegações que seguirão os Estatutos do Clube e lhe enviarão anualmente relatórios de todos os seus trabalhos e vida desportiva.»

Carinho e sucesso
Rapidamente a "febre das filiais Sport Lisboa e ............" alastrou a todo o Portugal. Tal como Cosme Damião previra e... desejara, quer criando clubes de "raiz" quer filiando clubes já existentes. Seria uma lista - com todos, mesmo os que entretanto foram extintos na passagem do tempo, infindável que tornaria este texto demasiado pesado, ficando para outra ocasião. Deixo os primeiros:
1 de Novembro de 1914: Estrela Futebol Clube (Braga);
29 de Julho de 1915: Sport Lisboa e Seixal;
7 de Outubro de 1915: Sport Lisboa e Lagos;
1 de Dezembro de 1915: Sport Lisboa e Santarém;
10 de Junho de 1916: Sport Lisboa e Abrantes;
1 de Outubro de 1916: Sport Lisboa e Faro;
8 de Dezembro de 1916: Sport Lisboa e Beira (Moçambique)
1918: Sport Lisboa e S. Tomé (S. Tomé e Príncipe)
1919: Sport Lisboa e Estremoz

Continuam em actividade as filiais de Lagos, Abrantes e Faro 
Em Braga, o clube Estrela FC depois de se filiar, pois foi trabalhar e viver para a cidade uma Glória Benfiquista, Germano Vasconcelos este não agradado com a actividade que entendia "pouco Benfiquista" fundou o Sport Lisboa e Braga que está na origem do Sporting Clube de Braga, apesar de fundado por simpatizantes do Sporting de Lisboa, ter as cores do Benfica e não as do Sporting CP (Verde, branco e preto) ou do Município (azul e branco).

Primeira Direcção da AFP, eleita em 29 de Outubro de 1911. Em cima, da esquerda para a direita: Leopoldo Mocho (primeiro-secretário), F. Shaw (tesoureiro) e Ilídio José Silva (segundo-secretário). Ao centro, sentado: Álvaro Coelho Sampaio (presidente). Quatro dirigentes provenientes, respectivamente, dos quatro clubes fundadores da AFP: Sport Lisboa e Portalegre, Sport Club Bombeiros Voluntários Fábrica Robison, Sport Club Esperança e Sport Club Bombeiros Voluntários de Portalegre

Sucursais
Em Lisboa o Benfica manteve as sucursais - incluindo mais uma nas Amoreiras, depois de deixar o campo de jogos - até decidir (e ser um sucesso) desdobrar os Serviços Administrativos, instalando a Secretaria na Baixa da Cidade e depois na rua Jardim do Regedor, alugando, sucessivamente, todos os andares do edifício. A melhoria de condições da Secretaria (a Sede era em Benfica na avenida Gomes Pereira) e o desenvolvimento dos transportes e acessibilidades tornaram obsoleto a existência de espaços alugados noutras áreas da cidade.

Filiais
Em 1939, nos Estatutos dividem-se pela primeira vez os núcleos de Benfiquistas em "Filiais" (agrupamento de sócios residentes fora de Lisboa) e "Delegações" (clubes já existentes e com organização própria que pedem filiação no Benfica). Nos Estatutos de 1948 alterou-se o nome de Sport Lisboa e (localidade) para Sport (localidade) e Benfica.

Delegações
As delegações continuaram, até hoje, a resultarem de clubes que já existentes filiaram-se no Benfica passando a honrar os seus símbolos (equipamento) e valores (do Benfiquismo).

Casas
Em 1950, logo em 1 de Janeiro, na cidade do Porto, foi inaugurada uma nova forma de organização de Benfiquistas: a Casa do Benfica. Tal como o EDB já evidenciou em 1 de Janeiro de 2012. Mais vocacionada para tertúlias e local de convívio, ao contrário das Delegações e Filiais direccionadas para a pratica desportiva, essencialmente, o futebol.


Ficamos por estas breves notas acerca do Benfica para lá do Benfica
Que um dia seja possível fazer a História Completa e Precisa de tantas e tantas Boas vontades. Algumas bem longe, a milhares de quilómetros do Ninho da Luz.

Benfiquistas fora-de-Lisboa mais um capítulo dourado da Gloriosa História do Benfica. Até eu faço parte deles...


Alberto Miguéns
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