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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Entre um Serrado e um Mentiroso (Parte 3)

segunda-feira, 15 de agosto de 2016 17 Comentários
PORQUE SERÁ?


Que o SL Benfica (com Mário de Oliveira e Rebelo da Silva) e o FC Porto (com António Rodrigues Teles) já tiveram quem fizesse uma história cronológica dos clubes enquanto o Sporting CP não?


Recordando...

Numa entrevista à Sporting TV Ricardo Serrado, entre várias tiradas serradianas avançou com duas frases que não têm suporte em documentação coeva.

«O Sporting é o clube que tem a sua história mais consolidada».

«A história do Sporting que até é a mais verosímil».



Quem tem telhados de vidro não atira pedras
Que o Sporting CP tem história todos sabemos. O que não sabemos é com que documentos suportam a fundação e os primeiros anos, pois nunca foram publicados. O Sporting CP tem de os mostrar. Até que isso aconteça a fundação e os primeiros tempos desse clube não passam de mito. Uma história baseada no "Diz que disse"! Que vem sendo copiado de uns para outros. Dos poucos que se têm atrevido a contar essa história. Sem muita convicção...diga-se! Sem mostrarem documentação. Os Benfiquistas jamais aceitarão - com uma história transparente como a nossa - que os sportinguistas sequer tentem comparar-se. Até porque não podem. Primeiro publiquem uma história cronológica suportada em documentação. Depois é que se vai saber qual é a "mais verdadeira". Actualmente não é possível, pois o Sporting CP não tem qualquer história publicada. Ao contrário do Benfica e do FC Porto. É preciso ter "lata" para vir falar de algo que não existe. Consolidada? Verdadeira? Verosímil? O quê? O que não existe?

Algo que não se percebe
Como se pode dizer que o SCP tem a história mais consolidada e verosímil se não existe nenhuma história publicada? Não terá exactamente a ver com o facto de não existirem documentos que inviabilizam essa existência? Ao contrário do FCP e do SLB? Aguarda-se que com Ricardo Serrado apareçam ao fim de 110 anos esses documentos! Com ele tudo é possível! Se até Júlio chamou a Cosme Damião ainda vamos ter um José Alvalade que afinal também é Júlio. Júlio José Alvalade!

Não é fácil encontrar documentação
Os clubes chamados "Três Grandes" foram fundados na primeira década do século XX. De um modo informal. Para haver um clube que lhes permitisse a criação de condições para jogar futebol. Era esse o principal objectivo. Daí as nomeações e descrições na Imprensa da época serem muito mais importantes que a documentação existente nos clubes, praticamente inexistentes. Mas quer o SLB quer o FCP têm documentos da época. E publicados nas respectivas Histórias. Ao contrário do Sporting CP que nunca apresentou actas, documentos, facturas, cartas, etecetra. Aliás a primeira fotografia de uma equipa de futebol do Sporting CP data de Março de 1908. Praticamente dois anos depois da fundação no primeiro semestre de 1906!


Entrevistas a fundadores
Além dos documentos, o registo de quem viveu os dias da fundação dos clubes são testemunhos valiosos. O FC Porto tem logo em 1 de Março de 1926 um testemunho notável de um dos fundadores, António Martins, que descreveu a fundação a um jornal portuense, o semanário "O Tripeiro". Isto porque José Monteiro da Costa (principal fundador) faleceu muito novo, em 30 de Janeiro de 1911. Um dos 24 fundadores do Benfica, Cosme Damião que se tornaria a principal figura do Clube, também deu uma preciosa entrevista, publicada em "A Bola", a 5 de Março de 1945. Mas não há nenhuma entrevista conhecida a um dos fundadores do Sporting CP. Não há qualquer registo escrito. E esta é já uma diferença muito grande entre o SCP e os outros dois clubes. Não há uma descrição da fundação do Sporting  CP através de uma entrevista com um dos fundadores. Por isso na história do SCP os primeiros tempos não passam do "Diz que disse"! Até porque nem se percebe quantos foram os fundadores, como já se mostrou neste blogue. Apenas dois exemplos. Se António Couto era o sócio n.º 6, em Janeiro de 1910, e desertou do "Glorioso" para o SCP no Verão de 1907 (tal como todos os destacados a vermelho) como pode, até, Francisco Stromp ser fundador em 1906 e ter o número 9? Trapalhadas!


O FC Porto em 1933 e 1956
Entre os chamados "Três Grandes" o FC Porto foi o primeiro clube a ter uma História publicada. Em 1933, com 207 páginas de formato reduzido, caminhava o FCP no 27.º aniversário. António Rodrigues Teles era um jornalista portuense e portista no jornal "Sporting" (publicado na cidade do Porto), depois no jornal "Norte Desportivo" e correspondente no Porto do jornal "Os Sports" (depois "Mundo Desportivo"). Rodrigues Teles sócio do FCP conheceu alguns dos fundadores e tendo acesso a documentação deles e do clube, escreveu uma história cronológica com grande qualidade logo em 1933. Dezassete anos depois juntou ainda mais informação ao período 1906 - 1933 actualizando a História em 1 166 páginas divididas por três volumes (I - 384 páginas; II - 387 páginas; III - 395 páginas) publicada em fascículos aquando das "Bodas de Ouro" do FC Porto em 1956.



(clicar em cima da imagem para ver com melhor definição)


O FC Porto é (era) o clube com a história da fundação melhor definida, porque há uma entrevista/descrição de um dos fundadores do FCP - António Martins - feita aos 20 anos do clube, em 1926. Está tudo muito bem explicado. Por alguém que viveu a fundação. Se depois, em 1988, um dirigente portista com o apoio dos associados em assembleia geral decidiu alterá-la é uma questão que envolve revisionismo e credibilidade. Neste caso falta dela. António Martins não deixa dúvidas. Diz como foi. Diz que José Monteiro da Costa não conhecia o futebol (nem os que seriam fundadores do FCP) antes de viajar por Inglaterra. Que escrevia nas cartas que enviava o desejo de fundar um clube para jogar futebol. O FCP tem muita sorte em ter esta descrição. Sempre soube enaltecer o facto de ser um clube como poucos a saber como nasceu a ideia de ser fundado. Em 1926 tornada pública. Muito antes do Benfica, por exemplo. Depois, em 1988, fez tábua rasa daquilo que sempre foi motivo de orgulho.



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História do FC Porto 1906 - 1956; Páginas 6, 7 e 8; António Rodrigues Teles; 1955; Porto

O Benfica em 1954
O jornalista Mário de Oliveira e Rebelo da Silva, proprietário do jornal "Os Ridículos", publicaram em 1954, nas "Bodas de Ouro" do "Glorioso" uma História cronológica em 1 156 páginas divididas por dois volumes (I - 575 páginas; II - 581 páginas). Em edição de autor (daí a importância de Rebelo da Silva, proprietário de uma tipografia) sabiam da existência da História do FC Porto que é citada (e transcrita a propósito da primeira deslocação do Glorioso Futebol à cidade do Porto em Abril de 1912) na História do SL Benfica 1904 - 1954, por exemplo, nas páginas 201, 202 e 203 do Volume I. Mário de Oliveira com a entrevista a Cosme Damião percebeu - se é que já não tinha a noção - que estava no momento certo para fazer a História do Clube pois ainda estavam vivos (e contactáveis) meia dúzia (em 24) dos fundadores. Além de outros pioneiros que não sendo fundadores acompanharam os primeiros passos do Clube. Com Cosme Damião já muito doente havia que contactar os outros não deixando que desaparecessem as memórias vivas dos primeiros tempos do Clube. Foi um trabalho notável que a não ter sido feito tinha inviabilizado podermos conhecer com tanto pormenor o início do Clube, tal como o porquê de se ter tornado o maior clube português.


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Mário de Oliveira antes de fazer esta obra monumental (suportada pelo facto de Rebelo da Silva ser proprietário da gráfica do jornal "Os Ridículos") entrevistou para o jornal "A Bola" um dos 24 fundadores - Cosme Damião - em final de Fevereiro ou início de Março de 1945 (clicar para ver a entrevista) publicada em 5 de Março (uma segunda-feira) e depois, pelo menos mais cinco fundadores, enquanto investigava para fazer a Gloriosa História, entre eles Daniel Santos Brito (um dos três primeiros dirigentes pois foi o secretário escolhido em 28 de Fevereiro de 1904) e o único vivo no início dos anos 50. Os outros dois já tinham falecido. José Rosa Rodrigues (presidente) em 30 de Abril de 1924 e Manuel Gourlade (tesoureiro) em 1 de Janeiro de 1944.



História do SL Benfica 1904 - 1954; Volume 1; página 5; Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; 1954; Lisboa; edição dos autores

O “caso” Sporting CP cheio de “casos”!
Tendo os rivais com Histórias cronológicas publicadas aquando das "Bodas de Ouro", em 1954 (SLB) e FCP (1956) o SCP teimava em não ter uma história publicada. Coube a Eduardo Baptista Pinheiro de Azevedo (avô materno do actual presidente do SCP) escrever 962 páginas em formato metade daquele em que foram publicadas as Histórias (cronológicas) do SLB e do FCP. Foi uma desilusão. Anunciada com "pompa e circunstância" em Outubro de 1967 quando foi editada percebeu-se que não seria uma história como a do Benfica e a do FC Porto. Era uma história temática, com muita teoria. Até há um capítulo/fascículo dedicado em exclusivo ao Benfica. O número 25. Os primeiros dez fascículos são pura mitificação do Sporting CP. Muito "paleio". Um verdadeiro caso de "muita parra e pouca uva"! Não admira que tenha sido um fracasso em termos de vendas levando a que 30 fascículos - anunciados com o ritmo de um por mês - tenham demorado, afinal, cerca de dez anos pois o 30.º foi impresso em Março de 1977. Quase 120 meses para publicar 30 fascículos cada um com cerca de 32 páginas em formato reduzido. Reunidos em três volumes com cerca de 320 páginas cada um. Com muito pouca história em quase mil páginas. E temática, não cronológica! Inacreditável! Uma obra que terminou em 1977 só tem informação até 1965! Duplamente inacreditável!



 (clicar em cima da imagem para ver com melhor definição)
Inacreditável
Um exemplo. Página 811 incluída no capítulo 27 (Ídolos de Ontem e de Hoje) publicado no fascículo 27, em Outubro de 1975, não inclui sequer os títulos de campeão nacional do clube em 1965/66, 1969/70 e 1973/74!

Era interessante Bruno de Carvalho ler o que o avô materno escreveu acerca do Campeonato de Portugal (nos mesmos moldes da Taça de Portugal) e do que considerou ser Campeonato Nacional. O primeiro conquistado em 1940/41. Respeitar a memória de quem conheceu e dedicou muito tempo a estudar estes assuntos e que o neto agora decidiu alterar. E ordenou que o fizessem até no portal do clube (clicar) bem como "obrigou" Ricardo Serrado a dar o dito por não dito!


Os enigmas à volta da História nunca publicada do Sporting CP?



1. Como é que o Sporting CP (e os sportinguistas) nunca conseguiu publicar uma história cronológica ao contrário do SLB e do FC Porto? Que o fizeram nas Bodas de Ouro. O Sporting CP nunca o fez. Porque é que nunca ninguém se atreveu a publicar uma "História"? Apenas histórias ao redor da História.



2. O mistério adensa-se com mais significado quando se sabe que Júlio Cardoso de Araújo é uma das personalidades mais importantes na recolha de informação nos primórdios do futebol em Portugal. Ora, Júlio de Araújo foi presidente do SCP entre 14 de Julho de 1922 e 20 de Julho de 1922 e depois entre 19 de Julho de 1924 e 18 de Fevereiro de 1925. Deixou uma publicação notável - dactilografada e com colagem de recortes de jornais da época, por isso obra única, nunca editada - na posse da Associação de Futebol de Lisboa denominada "Meio Século de Futebol - Subsídios para a História do Futebol em Portugal" entre 1888 e 1938. Mas nunca fez qualquer história - mesmo com igual "formato" para o clube do qual foi presidente na primeira metade dos anos 20 do século passado. E faleceu em 4 de Fevereiro de 1977 no Brasil. Não sendo um dos fundadores (em Janeiro de 1910 não era associado do SCP) certamente que conheceu alguns dos supostos fundadores. Anunciou em 10 de Junho de 1926 no "Boletim do Sporting" um projecto - "Do livro em preparação: História do S.C.P. - Subsídios para a História do Desporto em Portugal" - que nunca fez, nem deixou vestígios de que não tenha passado de uma intenção. Aliás é ele quem indica Francisco da Ponte e Horta Gavazzo como um dos 19 fundadores do SCP, mas isso é uma impossibilidade pois em Janeiro de 1910 era o sócio n.º 24, tendo oito dissidentes do "Glorioso" no Verão de 1907 - n.ºs 6, 7, 11, 12, 17, 20, 21 e 22 - com um número de associado inferior! Trapalhadas! 



 (clicar em cima da imagem para ver com melhor definição)

Meio Século de Futebol - Subsídios para a História do Futebol em Portugal; página 289; Júlio de Araújo; 1938; obra dactilografada pelo autor; Lisboa


3. Outro mistério. Como é que um clube tão pujante que queria ser, diz-se, em 8 de Maio de 1906: «um grande clube, tão grande como os maiores da Europa» não consiga sequer inscrever-se na primeira edição do campeonato regional de Lisboa, organizado pela Liga de Football Association, da qual o secretário era precisamente José Alvalade. Como foi possível? Um campeonato iniciado em 1 de Novembro de 1906! Seis meses depois do dia em que José Alvalade pronunciou a célebre frase! Que pujança tinha um clube que nascera tão "ameaçador" para os restantes clubes da Europa? Que tinha o principal fundador como secretário da Liga que organizava o campeonato? Afinal era secretário da Liga e o seu clube (SCP) não se inscrevia no campeonato! Nem conseguia "chegar" a Lisboa quanto mais à Europa!




4. Outro mistério. Como é que um clube que se afirmava tão forte, praticamente um ano depois da fundação, em Fevereiro e Março de 1907 (clicar para ver Imprensa da época), não consegue sequer organizar duas equipas com os seus melhores futebolistas capazes de fazerem bons resultados em torneios a eliminar organizados por outro clube, o Internacional (CIF). Mesmo sem participar no campeonato regional para a 1.ª categoria, nem duas equipas de 2.ª categoria (os melhores do SCP) e 3.ª categoria conseguem apresentar. Aliás a 3.ª categoria desiste. Nem 22 futebolistas conseguiam juntar! O que quer dizer que no SCP foi tudo organizado de improviso. Futebolistas sem categoria arrebanhados por aqui e ali! Fracos em qualidade e em quantidade. E nem se podiam queixar do sorteio. O Football Cruz Negra (FCN) tinha praticamente a mesma idade do SCP, pois foi fundado em Janeiro de 1906. E tinha mais dificuldade pois jogava em terrenos públicos, tal como o "Glorioso". O nosso clube em Belém, nas Terras do Desembargador e o FCN no Largo da Luz, em Carnide. Resta dizer que o "Glorioso" conquistou os dois torneios. Aliás ao procurar neste blogue os resultados para quem quiser saber mais acerca das primeiras conquistas de troféus, ainda que na 2.ª e 3.ª categorias, pelo "Glorioso" percebi que já tinha escrito acerca de Bruno de Carvalho (clicar para quem quiser saber mais acerca deste assunto).


Nunca mais chega o dia em que o Sporting CP terá uma História publicada!

Alberto Miguéns


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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Entre um Serrado e um Mentiroso (Parte 2)

sexta-feira, 12 de agosto de 2016 8 Comentários
O SERRADO INVENTA MAIS. OU AINDA NÃO SABE O QUE O ESPERA!



Para um clube com uma história tão verosímil e credível, segundo ele, há incongruências na fundação do Sporting CP que deixam qualquer um perplexo. O essencial está digitalizado do portal do SCP para poder tecer com justificação o texto para hoje mas nada como ir à origem (clicar). 




 Recordemos a entrevista de Ricardo Serrado à Sporting TV. 



«O Sporting é o clube que tem a sua história mais consolidada».


«A história do Sporting que até é a mais verosímil».


Ora vamos lá ver a consolidação e o ser verosímil! Em três penadas (por isto interessar pouco ao Benfiquismo) mas podem ser mais:

1. Os "primeiros 19 leões"



As listagens publicadas não batem certas. Um caso de "a bota e a perdigota". No portal listam-se os 19 fundadores, mas numa listagem publicada em 1951 com os primeiros 67 associados do Sporting CP pouco bate certo. Não vou ser exaustivo, pois isto é assunto sportinguista. Apenas quatro notas:

1.1. Há cinco dos 19 que não constam da lista. A lista é de 1910 mas não é crível que já tivesse havido, em quatro anos, renumeração; Não se faz!

1.2. Mesmo que houvesse como pode um dos 19 fundadores (António Stromp) aparecer com o número...60 (sessenta!). Entre outros cinco números absurdos - 24, 25, 29, 32 e 33 - acima de 19 para os 19 primeiros; Não se faz!


1.3. Os associados do "Glorioso" (a vermelho) que desertaram, no Verão de 1907, para o Sporting CP têm números muito mais baixos - 6, 7, 11, 12, 17, 20, 21 e 22 - em relação a vários - há pelo menos seis com números superiores a 23 - dos 19 fundadores de 8 de Maio de 1906, talvez 1 de Julho de 1906! Não se faz!


1.4. O número 62 de Francisco Santos (escultor) é "interessante" mostrando que a lista publicada no Boletim do Sporting CP, em 1951, com a "relação dos 67 associados em Janeiro de 1910" tem razão de ser ao colocá-lo "próximo" de 1910. Francisco Santos começou por jogar na famosa equipa da Real Casa Pia de Lisboa em 1895-1898. Depois jogou no "Glorioso" como a maioria desses casapianos. Entretanto após uma estadia em Paris (para apurar pintura) vai para Roma estudar escultura, jogando na SS Lazio (1907/08 e 1908/09). Quando regressa a Lisboa, em 1909, os seus amigos casapianos, entretanto tinham passado para o SCP (António Couto (6), Queiroz Santos (7) e Januário Barreto (11), por exemplo). Passou a jogar no SCP - há foto dele como futebolista do Sporting CP em 8 de Dezembro de 1909. Mais dia, menos dia foi no último trimestre de 1909 que deve ter feito a sua inscrição, em época - 1909/10 - com início tardio da temporada de jogos de futebol. O novato no clube era o n.º 62. O fundador António Stromp, em 8 de Maio ou 1 de Julho, quem sabe, apenas sabemos ser 1906, era o n.º 60! Não se faz!

2. Revisionismo histórico 14 anos depois e...depois de José Alvalade morrer

Trapalhada. O clube não tinha nome em 8 de Maio? Então não é José Alvalade o principal fundador (ao contrário do "Glorioso" que não teve um "principal fundador") que diz nesse dia: «Queremos que o Sporting...»


Foi preciso esperar 14 anos ou foi necessário que o principal fundador falecesse?



Ou seja, José de Alvalade (e grande parte dos fundadores - quantos não se sabe - como pelos "vistos" demonstram) foi bem traído. Quando faleceu, em 19 de Outubro de 1918, o clube, que foi sua ideia, comemorou o aniversário sempre com referência a 8 de Maio de 1906! Dia em que até foi eleito vice-presidente, tendo como presidente eleito o seu avô mecenas, Visconde de Alvalade. Um ano e meio depois de falecer, em Maio de 1920, decidem que o seu SCP de 8 de Maio, quando disse a famosa frase, passou a ser fundado em 1 de Julho de 1906! Disse a frase para um clube que só existiria dois meses depois! Não se faz!

3. Verde muito clarinho, tão clarinho, quase branco


Verde esperança só de paleio. Em campo eram brancos. Como os anjinhos. E foi assim desde que há fotografias conhecidas até finais de Março de 1908 quando estrearam as camisolas bipartidas, verde-e-brancas mantendo os calções brancos num jogo frente aos ingleses do Carcavellos Club (D 0-7). Claro no tempo em que ainda tinham sido fundados a 8 de Maio. Aliás José de Alvalade nunca soube de qualquer outra data como dia da fundação! Não se faz!


A estreia "a verde" do SCP frente ao SLB na Feiteira, em 25 de Outubro de 1908, numa Gloriosa Vitória por 2-0:


E isto são só uns "pózinhos". Para consolidação e verosimilhança não está mal. Mesmo nada mal.

Alberto Miguéns

NOTA1: Acalma-te Ricardo Serrado. Há no Mundo (que é vastíssimo) quem saiba de assuntos vários e variados. Avariados!




Tanta consolidação, certeza e verosimilhança mas em 1943 ainda andavam às voltas com a data.


E o SCP deve ser o único clube do Mundo, para além de ser a maior potência desportiva, que tem o maior desplante supradesportivo. Teve dirigentes eleitos, normas instituídas, quotas, orgânica definida cerca de dois meses antes de existir! Dirigiam e serviam para quê se, ao que dizem, nem havia clube? O que é que andaram a fazer entre 8 de Maio e 1 de Julho de 1906? Não se faz!


(Clicar em cima da imagem para visualizar as datas com mais pormenor)

História e Vida do Sporting Clube de Portugal; Eduardo de Azevedo; Fascículo 21; Volume 3; separata; Homenagem aos presidentes do Sporting CP; Março de 1977; Lisboa

NOTA2: Amanhã e depois o que interessa é a mui interessante (ainda mais no sábado) Tondela, capital do Benfiquismo. Depois veremos, afinal, com documentação com mais de 60 anos, afinal qual é o clube com a historiografia mais verosímil, consolidada e fidedigna no último texto desta aborrecida (mas necessária) série. Entre um Serrado e um Mentiroso (Parte 3)
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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Entre um Serrado e um Mentiroso (Parte 1)

quinta-feira, 11 de agosto de 2016 20 Comentários

APANHA-SE MAIS DEPRESSA O SERRADO A DIZER MENTIRAS. OU A DAR O DITO POR NÃO DITO.


Ricardo Serrado escreveu um livro, publicado em Maio de 2010, onde quer fazer figura de sabedor. Por isso não teme ir contra o que está institucionalizado e escreve o óbvio. Mas que foi atitude nobre de alguém que soube assumir a verdade. Embora muitos outros antes dele (Ricardo Ornelas, Tavares da Silva, Ribeiro dos Reis e Cândido de Oliveira, por exemplo) já o tivessem escrito. A Taça de Portugal é a nova designação, em 1938/39, do Campeonato de Portugal.

História do Futebol Português. Das origens ao 25 de Abril. Uma análise social e cultural; Volume I; páginas 217 e 218

E reafirmou-o numa coluna de opinião na revista "Futebolista" n.º 97, em Setembro de 2013, na página 15.



Agora como director do Museu do SCP meteu a "viola afinada no saco" e dá-nos guitarradas desafinadas. E só clicar e procurar Futebol Profissional. O que antes era o equivalente à Taça de Portugal passou a ser equivalente ao Campeonato Nacional. Dar o dito por não dito! Só que quem escreve deixa rasto...

(Clicar em cima da imagem para visualizar com mais pormenor)


Um desonesto da pior espécie fazendo tábua rasa daquilo que sempre disse e defendeu. Nega o que não é de negar. 
(estou a tentar que o Master Groove elimine a palha para asnos e apenas se foque no essencial.. )
Já está! Um novo vídeo. 
Obrigado MG.)




É o dinheiro que manda. Manda Bruno de Carvalho, obedece Ricardo Serrado. Moço de fretes e passador de recados.



Ricardo Serrado tem razão. A Taça de Portugal é a continuação do Campeonato de Portugal. Até os troféus são disso exemplo. Só é pena que se tenha esquecido de colocar os quatro troféus na vitrina de baixo. São tão parecidos, não são, "cegueira funcional"!


Tudo isto é hilariante (por ser do SCP) e triste (por mostrar falta de ética). Felizmente anda a dar barraca no Sporting CP. A entrevista é um fartote! O paladino do rigor, seriedade e da verdade é capaz de negar por questões "não científicas" o que escreveu, afirmou e reafirmou por motivos científicos. Quando levar outro chuto - que é o habitual - vamos ver o que irá dizer do Sporting CP? Agora pagam-lhe. Diz o que querem que seja dito! Já no Benfica fez o mesmo. Quis alterar a História do Glorioso porque lhe pagaram para isso! Não porque percebesse do assunto!


E que tal deixar de ser intelectualmente desonesto. O dinheiro não justifica tudo! Afinal quem é que é intelectualmente honesto. Quem é incorruptível ou quem dá o dito por não dito?!



Alberto Miguéns

NOTAS FINAIS

1. Tem a desfaçatez de dizer o que agrada ao novo patrão. «A história do Sporting que até é a mais verosímil». E também: «O Sporting é o clube que tem a sua história mais consolidada». Pois se é a sua! Está sempre consolidada na sua! Se fosse: De todos é o que tem...o assunto era outro! Trapalhão! Ora a história do início do Sporting CP contada pelo próprio SCP está mais cheia de incongruências que os buracos de um queijo suíço. Amanhã vai já levar com três de muitas. De dúzias delas...

2. É preciso que os Benfiquistas estejam atentos. Ele já teve "carta branca" para agradar ao "agora" velho patrão. E para lhe agradar, pingando euros, alterou-nos a história. À socapa. Sorrateiramente. Lagarto escondido com o rabo de fora! O clube não tem donos. Nunca teve. Espero que nunca os tenha! Materialmente é dos seus associados. Moralmente é de todos os Benfiquistas. É preciso continuarmos vigilantes. Porque continuam no Clube os que lhe deram protecção para enxovalhar, não só o Benfica como Cosme Damião, chamando-lhe Júlio!

NOTA: Eles escreveram mesmo "extractos sociais" em vez de estratos sociais. Não foi inventado. A não ser pela "Equipa"!
Como se vê/lê oficialmente Cosme Damião já foi Júlio. Valeu um leitor deste blogue ter conseguido o registo de baptismo. Se tal não tem acontecido como se conseguiria descobrir que Ricardo Serrado inventara um nome próprio para Cosme Damião?


3. É preciso ter cuidado com pantomineiros que se intrometem entre os adeptos que amam os clubes (mas que também sabem ser racionais e ponderados) pois os Clubes de Futebol cheiram a dinheiro - nem que seja de dívidas - que tresanda. Vejam como ele - Ricardo Serrado - termina uma carta execrável onde enxovalha tudo e todos, incluindo o Benfica - alguns até baseando-se no facto de estarem no Benfica em troca de favores como no caso do CDI - excepto quem lhe dá a mão:


Lá na minha aldeia alentejana de Montalvão chama-se a isto. Juntar a fome com a vontade de comer...nos!



4. O Tempo é o melhor juiz. Ninguém consegue enganar o tempo (no sentido futuro). Se tiver paciência e...tempo (no sentido ocupação) hei-de procurar comentários a insultar-me afirmando que só criticava Ricardo Serrado - um historiador respeitado com livros publicados, por exemplo - porque tinha inveja dele e queria poleiro no Museu do Benfica. Depois escolho um e coloco-o aqui. Eu não tenho medo do tempo com T maíusculo. Já do tempo com t minúsculo é mais problemático. 



5. No que é mundano (o nosso dia-a-dia) sou igual a tudo e todos. Um ser humano como outros. Em matéria de Benfica e Benfiquismo sabem - até dentro do Clube - que ninguém consegue comprar-me quer o silêncio, quer as minhas palavras. E já tiveram oportunidade de o experimentar (tentar...) e engolir em seco...Como Benfiquista em relação ao Benfica, sou I-N-C-O-R-R-U-P-T-Í-V-E-L. E com orgulho!



6. (Às 10:16 por pedido/sugestão de um leitor) Em relação ao livro propagandeado na entrevista à Sporting TV no que diz respeito ao Benfica já foi tema de um texto neste blogue em 29 de Janeiro de 2016 (Cosme? Ata? Serrado?). Em relação ao FCP e SCP por ser mais desinteressante será tema - embora de um modo genérico - na próxima semana - depois do que verdadeiramente interessa, o Benfica em Tondela - designado por Entre um Serrado e um Mentiroso (Parte 3)

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