A FOBIA DE APRESENTAR NÚMEROS, ESTATÍSTICAS E VERBORREIA SONORA TOLDA A INFORMAÇÃO. PORQUE GERALMENTE MENTEM.
Tudo é mais grave, por ser óbvio, quando se trata de serem entidades de
comunicação do próprio Clube a fazerem isso. Porque para salientar e enaltecer os
feitos de uns implica ignorar o que outros fizeram. Chama-se a isso…ingratidão.
No Benfica é muito difícil “bater” recordes
Porque o Benfica é um Clube Glorioso. Grandioso. Com um
passado de grandeza que é possível melhorar mas é difícil fazê-lo. E só pontualmente
se consegue.
Quando Jorge Jesus estava no “Glorioso”
Bateu alguns recordes (vitórias consecutivas ou jogos
consecutivos a marcar golos) e outros que lhe foram inventados à medida – até por alguns espécimes que agora o enxovalham – como o do treinador com mais títulos
conquistados. Como se pudéssemos comparar o que não se pode comparar. Como
comparar treinadores que têm cinco competições para conquistar (e como se as competições tivessem todas o mesmo "valor") – campeonato nacional,
Taça de Portugal, competição europeia, supertaça e Taça da Liga – com treinadores
que só tinham três competições para serem jogadas? Jorge Jesus só pode ser
comparado com Quique Flores e Rui Vitória. O resto é falácia.
Agora com Rui Vitória
Vira o disco e toca o mesmo. Não vou entrar no jogo das
comparações até porque o que me interessa em relação ao nosso treinador é o
Futuro. E aí quero que Rui Vitória seja o melhor de sempre. Consiga superar
Béla Guttmann que há muito que digo que nem o húngaro, nem Eusébio deviam
entrar em “listas”. Serão sempre os primeiros. A não serem é estarem a
ridicularizar a “Gloriosa História”! O que me vai incomodando é andarem à volta
das percentagens de vitórias em relação ao jogos disputados e ignorarem
sistematicamente o grande treinador – em termos de percentagem de vitórias –
que foi Lajos Czeizler. Foram “só” 81 por cento: 33 vitórias em 41 jogos.
Números totais?
Campeonato Nacional 26 21 4 1 103 26
Taça de Portugal 11 10 1 - 56 9
Taça CC Europeus 4 2 1 1 10 9
TOTAIS 41 33 6 2 169 44
Uma média de quatro golos marcados por jogo. E quatro vezes
mais golos que os sofridos.
RESULTADOS DO “GLORIOSO” COM LAJOS CZEIZLER (1963/64)
CAMPEONATO
NACIONAL
|
TP/TCCE
|
Cl.
|
Adversários
|
Casa
|
Fora
|
Fase
|
Casa
|
Fora
|
2.º
|
FC Porto
|
E 2-2
|
E 1-1
|
FINAL
|
V 6-2
|
3.º
|
Sporting CP
|
E 2-2
|
D 1-3
|
|
|
|
4.º
|
Vitória SC Guimarães
|
V 2-1
|
V 4-1
|
|
|
|
5.º
|
GD CUF
|
V 2-1
|
V 3-0
|
|
|
|
6.º
|
CF “Os Belenenses”
|
V 5-2
|
E 1-1
|
MF
|
V 3-1
|
V 3-0
|
7.º
|
Vitória FC Setúbal
|
V 5-2
|
V 4-2
|
|
|
|
8.º
|
Leixões SC
|
V 7-0
|
V 5-1
|
|
|
|
9.º
|
Ass. Académica Coimbra
|
V 3-0
|
V 5-1
|
|
|
|
10.º
|
Varzim SC
|
V 8-0
|
V 2-0
|
|
|
|
11.º
|
Lusitano GC Évora
|
V 2-0
|
V 3-1
|
QF
|
V 3-1
|
V 8-1
|
12.º
|
Seixal FC
|
V 10-0
|
V 3-2
|
|
|
|
13.º
|
SC Olhanense
|
V 8-1
|
V 3-0
|
|
|
|
14.º
|
FC Barreirense
|
V 8-0
|
V 4-2
|
|
|
|
15.º
|
SC Salgueiros
|
II DIVISÃO/ ZN
|
1/8
|
V 3-1
|
E 1-1
|
13.º
|
SC Vianense
|
II DIVISÃO/ ZN
|
1/16
|
V 9-0
|
V 8-1
|
6.º
|
Luso FC Barreiro
|
II DIVISÃO/ ZS
|
1/32
|
V 6-1
|
V 6-0
|
7.º
|
Distillery FC Belfast
|
IRL. NORTE
|
1/16
|
V 5-0
|
E 3-3
|
4.º
|
BVB Dortmund
|
R. F. ALEMÃ
|
1/8
|
V 2-1
|
D 0-5
|
NOTA:
Classificações obtidas pelos clubes em 1963/64
Lajos Czeizler foi uma máquina trituradora
Começou a brilhar naquilo que se chama pré-época na
actualidade.
Conquista do Troféu Ramón de Carranza
O Benfica depois de se afirmar na Europa foi convidado para
disputar o 9.º troféu Ramón de Carranza. Nas meias-finais o “Glorioso” eliminou
no sul de Espanha o poderoso FC Barcelona (V 3-2) e na final esmagou, com uma
vitória por 7-3, a AFC Fiorentina que eliminou o Valência CF. Um “cartel” de
luxo: SL Benfica
(Bicampeão Europeu em 1961 e 1962), CF Barcelona (vencedor
das duas edições iniciais da Taça das Cidades Com Feiras, em 1958 e 1960 e finalista
vencido na Taça dos Clubes Campeões Europeus em 1961), ACF
Fiorentina (vencedor
da primeira edição da Taça dos Clubes Vencedores das Taças, em 1960/61) e Valência CF (detentor das últimas duas edições da Taça da
Cidades Com Feiras, em 1962 e 1963). Esta passagem pelo “Glorioso” pelo Sul de
Espanha ainda no final dos anos 80 era uma referência. Ouvi-o eu em Sevilha e
Cádis. Quem quiser saber mais (clicar).
No final da primeira volta do campeonato nacional
O Benfica tentava – e conseguiu – o segundo título
consecutivo mas o FC Porto procurava desesperadamente regressar ao título de
campeão nacional que lhe fugia há quatro temporadas, desde 1958/59. Ao final de
13 jornadas apenas dois pontos separavam os dois clubes. Dois empates. Embora o
SLB tivesse mais dez golos marcados. Lajos Czeizler soube tirar o máximo
proveito da célebre frase de Béla Guttmann, que encerrava mais ou menos esta
ideia: Com Eusébio em dia bom, mesmo em
3.4.3 o Benfica joga com doze, porque ele é o quarto médio e o quarto avançado
ao mesmo tempo.
Ir ao estádio do Restelo
Esmagar o Sporting CP com uma vitória, por 5-0, num troféu
que deve ser em termos de valor real (material) o mais valioso do espólio
infinito do Clube. A Taça de Ouro da Imprensa. Quem quiser saber mais (clicar). O mesmo SCP que dois meses depois conquistou a Taça dos Clubes Vencedores das Taças.
Esmagar o vice-campeão na Final da Taça de Portugal
No melhor resultado de sempre quando se encontraram no jogo
decisivo o campeão e o segundo classificado do campeonato nacional. Seis-a-dois! Sem espinhas! Quem quiser saber mais (clicar).
Faltou a “Terceira”
Mas ela já vem a faltar desde a final de Wembley, em 1962/63,
frente ao AC Milan. Mas o que os Benfiquistas queriam era ser novamente Campeões Europeus.
E Lajos Czeizler (no jogo decisivo, em Dortmund, infeliz por não poder colocar em campo, Costa Pereira, Germano, Eusébio e José Torres, por exemplo) não foi. Logo…Adeus!
No Benfica não se escolhe…exclui-se
Não aprendem. Irra. A Gloriosa História é-o por isso mesmo. Por ser categórica. Feita com cifras de excelência. São 113 temporadas
(1904/05 – 2016/17) a grande parte delas com glória e a terminarem em êxtase. O
Benfica não nasceu, cresceu e foi grande ontem ou anteontem! São mais de Cem
Anos de Glória.
Tenham juízo
Se puderem!
Czeizler?!
No total da temporada (1963/64) em 54 jogos, o "Glorioso" conseguiu 42 vitórias e seis empates (seis derrotas) marcando 205 golos (64 sofridos). Em 24 jogos marcámos quatro ou mais golos, incluindo cinco jogos com oito golos, um com nove e outro com dez. Em 54 jogos só ficámos sem marcar em...três! Três em 54! Lajos Czeizler? Perdoa-lhes que eles não sabem o que dizem. Dos ignorantes será o reino dos Céus!
Obrigado Lajos Czeizler
Alberto Miguéns
NOTA: Se contabilizarmos as épocas com três ou mais competições oficiais as melhores temporadas "estatísticas" são de Béla Guttmann (82.9 por cento de vitórias - 34 em 41 jogos - em 1960/61) e de Jimmy Hagan (83.3 por cento de vitórias - 30 em 36 jogos - em 1972/73)