SEMANADA: ÚLTIMOS 7 ARTIGOS

Mostrar mensagens com a etiqueta António Variações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Variações. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 14 de junho de 2018

Não Há Coincidências? Ontem Provou-se Que Há!

quinta-feira, 14 de junho de 2018 2 Comentários
SÃO 23:32 HORAS (CAPICUA) E ACABEI DE CHEGAR DA FEIRA DO LIVRO E DO LANÇAMENTO DA SEGUNDA EDIÇÃO DA BIOGRAFIA DE...ANTÓNIO VARIAÇÕES. E ESTA? HEIN! É QUE EU QUANDO IMAGINEI O TEXTO QUE FOI PUBLICADO ONTEM NUNCA PENSEI QUE HOUVESSE ESTA COINCIDÊNCIA.



NOTA INICIAL: O texto que estava previsto para esta hora teve que ser adiado para daqui a uma ou duas horas pois faltam os acabamentos finais. E que acabamentos. É acerca das rescisões no Sporting CP e a opinião que tenho acerca disso em relação ao...Benfica. Vou fazer este acerca da «coincidência» e terminar o que devia ser publicado pela meia-noite. Vamos ao de agora:

Odisseia Variações em 20 passos

O mais curioso disto tudo foi eu ter a ideia de fazer o texto acerca do senhor barbeiro António para ser publicado em 13 de Junho (data do seu falecimento em 1984) para aí em Fevereiro ou Março deste ano. Apesar de ter 99,99 por cento a ideia que António Variações era Benfiquista queria ter 100 por cento.

1. Procurei em livrarias e não encontrei a biografia que sabia ter sido editada em 2006 e onde poderia (ou não) estar escrito o que queria confirmar;



2. Procurei em cinco/seis alfarrabistas em Lisboa e não encontrei a biografia;

3. Telefonei para a editora e ainda enviei mensagem por correio electrónico para a Âncora e disseram que de facto estava esgotada e não seria reeditada;

4. Falei com o António Melo para saber se conhecia alguém no "meio artístico" que soubesse qual era o clube do António Variações e nada. Não conhecia ninguém;

5. Falei - telefalei - com João Malheiro (disse que não sabia o clube de António Variações) e depois pedi-lhe para saber se conhecia alguém que soubesse de que clube era o António Variações e nada; 

6. Entretanto começo a fazer o texto sempre no pressuposto dos 99,99 por cento dele ser Benfiquista e envio para o João Malheiro;  

7. Começa a Feira do Livro de Lisboa vou à editora Âncora e a mesma conversa acerca da Biografia, pois queria tê-la para digitalizar umas fotos. Nada. Esgotadíssima;


8. Descubro umas fotos com António Variações junto de Benfiquistas. Teria de contactá-los. Mas só tinha o telefone de José Nuno Martins. Nada;




9. Telefono ao João Malheiro a dizer se pode indicar-me alguns números de telefones. Peço o de Mário Zambujal e da Lena de Água;

10. Telefono a Mário Zambujal. Diz que apenas o viu uma vez, no estúdio da RTP, mas que nem falou com ele pois o programa atrasou e o António Variações nem entrevistado foi;

11. Telefono à Lena d'Água que me diz nunca terem falado de Futebol. Nada;

12. Volto a telefonar à Lena d'Água para lhe pedir o endereço electrónico da Manuela Gonzaga (sem saber se ela o tinha). Lena d'Água disse que tinha mas de momento não o podia dar. Então pedi o dela, decorei e enviei-lhe o meu;

13. Ela responde enviando o de Manuela Gonzaga.

14. Contacto a Manuela Gonzaga e para ESPANTO MEU escreve: «Vai ter de esperar por dia 13 pois vai ser reeditada a biografia».

15. Eu: «Mas na Âncora disseram-me que não ia ser feita nova edição!»

16: ELA: «Mas vai sair na Bertrand»;

17. Telefono à Bertrand. Livros só disponíveis a 13 de Junho na Feira do Livro (e poucos) depois nas livrarias só lá para 24 de Junho ou à volta deste dia que já não fixei pois quero logo a do pré-lançamento em 13 de Junho;

18: Eu: «É bom, mas necessitava da informação antes de 13 pois o meu vai «sair» a 12! Um dia antes»;

19. Ela: «Ando muito atarefada, mas ...» (depois enviou a mensagem que se conhece) pois foi publicada ontem;  



20. Pensei. Vou propor à Manuela Gonzaga uma Fotobiografia. Como é que o António Variações não tem Fotobiografia. Se há alguém em Portugal que devia ter uma era ele! Ora vejam e revejam:





Ontem fui ao lançamento da Biografia. O melhor estava para vir. Ver NOTA FINAL.



Alberto Miguéns

NOTA FINAL1: Na página 59 a "tombar" para a 60 está escrito isto (agora vou transcrever, depois com mais tempo digitalizo): «Imagens inesquecíveis. A 16 de Janeiro o Benfica vencia o Sporting de Braga por 7-1, num Estádio da Luz completamente alagado,  com os adeptos numa moldura de guarda-chuvas, a enquadrar o retângulo verde. José Águas, Costa Pereira e Caiado, erguiam os rostos debaixo da chuva, numa expressão inebriada que as fotografias de época captaram. Para António Joaquim Ribeiro, adepto ferrenho do Benfica, e acima de tudo, para o miúdo que queria vir para Lisboa, este era um ano carregado de promessas e futuro». Eis a digitalização (27 de Junho de 2018, às 00:45 horas)



NOTA FINAL2: O sublinhado é da minha responsabilidade. O jogo foi em 1956 para a 14.ª jornada do campeonato nacional. José Águas marcou três golos, Cavém obteve dois, Coluna e Caiado um cada um! Para a crónica do jogo citado na biografia (clicar para a crónica no jornal Diário de Lisboa: início e final).





Ler mais ►
quarta-feira, 13 de junho de 2018

Variações Benfiquistas

quarta-feira, 13 de junho de 2018 9 Comentários
HÁ 34 ANOS FALECEU UM BENFIQUISTA.





O texto de hoje tem duas finalidades. Assinalar (recordando quem está injustamente esquecido) o falecimento de um dos maiores artistas portugueses de sempre e fazer "mea culpa" pois até finais da década de 90 nunca lhe reconheci mérito. Mas quem é que o tendo por barbeiro, com cerca de 20 anos de idade, podia «acreditar que o senhor barbeiro António seria músico!». O barbeiro de Lisboa não era o de Sevilha. Durante muitos anos estive do lado errado da história. E pior, da justiça para com um grande artista. 


"Meu" barbeiro (quase...) por acaso
A minha relação com o barbeiro que me cortava o cabelo desde criança - a partir dos sete/oito anos - chegara ao ponto de ruptura. Praticamente vizinho, a cerca de trinta metros do local onde morava, atingira o limite. Questionava ele, passados dez anos de sã convívio: «O que é que um guedelhudo faz num barbeiro?!». Após meia dúzia de vezes decidi terminar. Ora um barbeiro é alguém que se tem para a vida, como um casamento ou os pais. Estava órfão ou divorciado. Necessitava de novo barbeiro mas não me apetecia ser cliente de nenhum outro dos que conhecia arriscando a que me dissessem o mesmo.  


A rota dos tesos
No final dos anos 70 para quem vivia no bairro da Graça e queria deslocar-se a uma sala de cinema do meio da avenida da Liberdade - Tivoli e São Jorge - querendo poupar nos trocos dos transportes tinha de "cortar" duas colinas de Lisboa a direito mas era penoso. Subir a travessa da Pereira já era estafante, mas depois de descer até ao Intendente esperava-nos a subida da calçada do Desterro até aproveitar a planura do Campo Santana, descer a rua de Santo António dos Capuchos (onde mais tarde viria a saber que morava o senhor Macarrão, funcionário ímpar do Benfica) rua da Fé e rua de São José subindo (embora esta subida comparada com as outras parecesse quase uma descida) até meio da Avenida. O percurso inverso custava mais do dobro até porque já não havia a volúpia de ver um bom filme mas "apenas" o regresso a casa, tantas vezes vista!


Este não vai incomodar
Num qualquer dia do final dos Anos 70, certamente após uma sessão da tarde e em princípio no Tivoli - no São Jorge descia a avenida da Liberdade quando ia veranear para a Baixa - desci a rua de São José mas decidindo ir passear pela Baixa não virei para a habitual rua da Fé continuando em direcção à nossa Gloriosa Secretaria (rua Jardim do Regedor). Poucos metros depois, quase a chegar à esquina da rua de São José com a rua do Telhal (continuação da rua das Pretas) vejo, ao lado esquerdo...uma barbearia. No n.º 70! Eu que estava a necessitar - há meses de ir a um barbeiro - uma barbearia com um nome "sui generis" «É P'RÓ MENINO E P'RÁ MENINA». Decidi entrar e vejo um barbeiro "ziggiano" (de David Bowie) mas com barba, vestido como no disco «ZIGGY STARDUST»(The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars) uma espécie de: A Ascensão e Queda de Ziggy Stardust e as Aranhas de Marte.


Pensei. Acertei. Este não vai questionar nada de nada. Nem por isso. Nunca mais esqueci o que o senhor barbeiro, do n.º 70 da rua de São José (com montra no n.º 68) disse: «O que é que vou fazer a essa trunfa?» Eu incrédulo disse-lhe: «Apare as pontas para não espigar».  E assim foi. Devo ter pago quase uns cem escudos!


Depois quando ficava em caminho, de uns quantos meses em meses
Lá parava eu no n.º 70 da rua de São José. Nos barbeiros falava-se de política, mulheres e futebol. Naquele barbeiro - depressa me apercebi, enquanto cliente a ser servido ou à espera de o ser - que as mulheres eram trocadas por música. Falar acerca de mulheres com o "senhor barbeiro ziggiano" era tempo perdido. De política era o habitual, como ainda hoje. De futebol gostava de o ouvir pois descobrindo que era do Minho, ou seja, do Norte a norte da cidade do Porto (estava longe de conhecer a enorme importância do Minho no Benfiquismo) gostava do "Glorioso" e criticava o FC Porto em épocas do Bicampeonato (1977/78 e 1978/79) embora fosse tema que lhe interessasse pouco, mas sendo barbeiro tinha que fazer conversa com o Futebol. O que o entusiasmava era a música. Mas para mim era um patusco, ou seja, "kitsch". Gostava tanto dos conjuntos Maria Albertina (mãe do mediático Cândido Mota), António Mafra, Trio Odemira e mais uns quantos, mas incrivelmente também gostava de Lou Reed (The Velvet Underground), Brian Eno (Roxy Music), Robert Fripp (King Crimson) e Frank Zappa. Ele que tinha quase a idade do meu pai até falava de músicos da geração seguinte: David Byrne (Talking Heads), Glenn Branca (Theoretical Girls) e Ian Curtis (Joy Division). Estes de que eu até tinha "descoberto a existência" há muito pouco tempo! O que é que tinha a ver a Maria Albertina com o Brian Eno? Para mim? Nada! E dava sempre mais importância às figuras que ao colectivo (bandas). Além de misturar retratos de Amália Rodrigues e Marilyn Monroe com vinhetas de santinhos católicos. Para mim era mesmo um tipo patusco, nem conhecia o nome (também ia lá poucas vezes). Era só para "aparar-me o cabelo para as pontas não espigarem". E não discutia. E era Benfiquista!


Um dia soube o nome dele
Sempre "teso" e a dar-lhe pouco trabalho (era só aparar as pontas para não espigar) lembrei-me de dizer-lhe o que, então, estava em voga. «Não há descontos para estudantes ?», mostrando-lhe o cartão da escola. Surpreendentemente disse-me qualquer coisa do tipo (com aquela sua voz pausada quase em sussurro como a pedir desculpa por falar): «Pronto. Nem um quarto-de-hora gasto e há clientes que levo uma hora. É um "Santo António" (vinte escudos) que até é o meu nome!»


Um dia soube que gravava vinis
E comprei-os todos. Dois singles, um maxi e dois LP's. Pouco os ouvi. Mas sempre eram do meu senhor barbeiro. Aliás ex-barbeiro pois há algum tempo que decidira começar a "aparar as pontas para não espigar" em casa! E por isso deixara de frequentar o n.º 70 da rua de São José! Também não devo ter ido à barbearia mais de seis/sete vezes em dois/três anos!


Um dia soube que era artista
Conseguindo passar de «amante» da música a fazer amor com ela e dar amor a quem o ouvia.


Estreia na televisão, registado para a posteridade como cidadão do Mundo para ganhar a imortalidade. O senhor barbeiro António passava a artista Variações. "Passeio dos Alegres"; RTP/Canal 1; 3 de Maio de 1981; «Toma o Comprimido». António Variações tinha 36 anos, eu andava pelos 20 anos (pouco mais de dois anos de associado do SLB) não o via/«aparava as pontas para não espigar» talvez há ano-e-meio/dois anos e a António Joaquim Rodrigues Ribeiro restavam três anos, um mês e dez dias entre nós. Ficaria para a eternidade!

Um dia soube que cantava/interpretava
Quando o vi na televisão a "cantar" nem queria acreditar. O "meu" senhor barbeiro António agora também Variações era músico, quando em gosto musical era uma salgalhada?! Nunca o levei a sério!





Um dia soube que estava agendado em diversas actuações ao vivo
Ainda estive para ir a um espectáculo mas, por este ou aquele motivo, nunca - infelizmente - consegui estar presente numa actuação, ao vivo, de António Variações. 


Um dia soube que morreu
Também não demorou muito tempo a ouvir que tinha falecido, em 13 de Junho de 1984, há precisamente 34 anos. Aos 39 anos! O artista que conheci antes de ser artista. O músico que nunca conheci a não ser como um barbeiro que gostava de falar da música e de artistas! Dos seus pares. E que ele seria um dos melhores entre os melhores.


Um Benfiquista minhoto. Pois claro!

Alberto Miguéns

NOTA: Passados tantos anos, ele que para mim foi sempre o senhor barbeiro António - nunca Variações - pois jamais me voltei a cruzar com ele enquanto artista com discos gravados e espectáculos feitos, a memória podia atraiçoar, até porque para ele o futebol era mundo presente mas distante por isso pedi ajuda à sua excelente biógrafa, Manuela Gonzaga questionando: «É possível dar-me a indicação de qual o clube desportivo da simpatia, em criança e adulto, de António Variações?». Recebi a seguinte resposta (em 5 de Junho deste ano):  



Ler mais ►

Artigos Aleatórios

Apoio de: