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sexta-feira, 14 de maio de 2021

O Marquês e os Porquês

sexta-feira, 14 de maio de 2021 4 Comentários

NUNCA ME AGRADOU COMEMORAR TÍTULOS NO MARQUÊS DE POMBAL.   



Até tenho um "carinho especial" pela obra de arquitectura pois está ligada ao Clube, como se escreverá a seguir, mas não me parece que tenha o enquadramento urbano adequado para comemorar o que quer que seja quanto mais festas de clubes. A Praça do Comércio/Terreiro do Paço ou a Praça Dom Pedro IV/Rossio parecem muito mais indicadas para permitir ajuntamentos minimizando os problemas. 

 

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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Repto Aos Petardeiros e Riscadores

quarta-feira, 1 de maio de 2013 17 Comentários
OPINIÃO

AVISO: Não tinha programado um texto para hoje, mas as notícias que surgiram durante o dia, fizeram repensar o assunto. O facto de ter elaborado o texto depois de mais um dia de trabalho obrigam a que, ainda, não esteja completo. Mas penso que já tem dignidade benfiquista suficiente para poder ser editado à meia-noite! Está terminado (01:12 horas da manhã)


Os autores deste blogue propõem aos petardeiros e riscadores de monumentos nacionais utilizarem este espaço para as suas "actividades" em vez de prejudicarem o "Glorioso".


Aos petardeiros
Em vez de obrigarem o Clube a desviar verbas necessárias para o fomento desportivo do Benfica para pagar multas, podendo mesmo prejudicar os futebolistas, espectadores que queiram ver e adeptos com bilhetes pré-pagos algum jogo "à porta fechada", utilizem o EDB para "lançar petardos"!

Aos riscadores
Em vez de prejudicarem a imagem do "Glorioso" e vandalizarem obras de arte expostas na via pública, utilizem o EDB para "riscarem à vontade"!

"Ainda para mais" vandalizar um monumento, "Obra de benfiquistas"!
O monumento de homenagem ao Marquês de Pombal foi pensado, idealizado, desenhado e moldado por três artistas ligados ao início do "Glorioso". Dois deles directamente e outro por laços familiares.

O trio de magníficos foi constituído por dois arquitectos e um escultor. Os arquitectos foram Adães Bermudes e António Couto. O escultor Francisco Santos. O primeiro era o irmão mais velho de Félix Bermudes. O segundo e o terceiro foram futebolistas do Sport Lisboa.

Vamos deixar a apreciação biográfica e Benfiquista para o final do texto. Antes o que se impõe, o valor artístico.

O grande escultor que criou as figuras foi Francisco Santos. A ele deve-se a imponência e graciosidade do conjunto monumental que embeleza Lisboa e marca o centro rodoviário de Portugal. Um monumento que alterou o nome desse espaço nobre da cidade de Largo da Rotunda para Praça do Marquês de Pombal.

O experiente Adães Bermudes e o criativo António do Couto, arquitectos consagrados no início do século XX, foram responsáveis, respectivamente, pelo enquadramento do monumento na base e a exposição das figuras na coluna escultória.


A ideia para fazer um monumento de homenagem a Sebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras e Marquês de Pombal surgiu em 1882, na passagem do centenário do falecimento - 8 de Maio de 1782 - dessa grande figura da história de Portugal. O "magnificente marquês" apenas estava representado, na cidade que eternamente lhe estará grata, no medalhão frontal na estátua dedicada a D. José, obra magnífica do escultor Machado de Castro, inaugurada em 6 de Junho de 1775, dia do 61.º aniversário do monarca, no Terreiro do Paço ou Praça do Comércio (nome do largo, depois da reconstrução de Lisboa, 20 anos após o terramoto de 1 de Novembro de 1755).


Com ideia em 1882 só 29 anos depois, em 18 de Março de 1911, foi aberto concurso público do projecto para a realização de um monumento a edificar em Lisboa dedicado ao Marquês de Pombal. Foram 14. Finalmente em 13 de Abril de 1914 o júri escolheu a proposta do trio não sem muita polémica como é hábito em Portugal.

 
Também como é tradicional houve duas "primeiras pedras": em 15 de Agosto de 1917, com a I República esbanjadora de dinheiros públicos incapaz de reunir verbas para edificar o monumento e em 13 de Maio de 1926, a escassas duas semanas da revolta militar que impôs a Ditadura Nacional, mas que depois teve capacidade, política e financeira, para assumir, definir projectos e dar-lhes "andamento".


Seguiu-se o tempo de trabalho incessante, árduo e metódico, com a Oficina de Francisco Santos a laborar em pleno. Francisco Santos faleceu em 1930 com os seus discípulos José Simões de Almeida (sobrinho) e Leopoldo Neves de Almeida a terminarem a obra.


Em 12 de Dezembro de 1933 a estátua foi, finalmente, colocada sobre o fuste, para ser inaugurada em 13 de Maio de 1934, cinco dias depois do 152.º aniversário do falecimento do Marquês de Pombal.


O MONUMENTO


O projecto denominava-se "Gloria Progressus... delenda reactio" que era o único que apresentava a estátua do homenageado no alto do coluna do monumento, de cerca de 40 metros, optando os outros concorrentes por decorar a parte superior nos seus projectos com alegorias, colocando a principal figura ao nível do olhar.



No cimo da coluna está personificado o "Marquês", acompanhado com um leão, que representa a "Nação". A Nação é representada por um leão como símbolo do poder absolutista, tal como há dois leões a ladear a escadaria no Palácio das Cortes, em S. Bento (depois Assembleia Nacional e actual Assembleia da Republica). A monarquia inglesa ainda é representada por leões (são três) tal como a águia representava o progressismo - Liberdade, Igualdade e Fraternidade - de Napoleão.



O esquiço frontal (sul) do monumento tem representadas as alegorias do "Terramoto" (à esquerda) e do "Maremoto" (à direita) que destruíram a cidade em 1755. Por cima encontra-se a estátua da "Cidade de Lisboa" (jovem e desnuda) representando a Capital reconstruída pelo marquês, levantando o "véu das ruínas" que a cobriam. Do pedestal da estátua sai uma nau que tem a cabeça de "Mercúrio", significando a nacionalização do comércio marítimo, com a criação da Companhia do Comércio da Ásia Portuguesa.



No esquiço norte encontra-se a estátua de "Minerva", lembrando a actividade do marquês relativamente às reformas do ensino e revitalização da Universidade de Coimbra.



Na face lateral soalheira (ocidental) encontra-se um grupo decorativo alegórico que representa o desenvolvimento agrícola, glorificando o trabalho rural.



Na face lateral sombrio (oriental) encontra-se um grupo decorativo alegórico que representa o desenvolvimento industrial, glorificando o trabalho manufactureiro e o cultivo da vinha no Alto Douro.

BIOGRAFIAS BENFIQUISTAS
O grupo de criadores do Monumento do Marquês de Pombal tem fortes ligações ao "Glorioso".




Adães Bermudes
Arnaldo Redondo Adães Bermudes era dez anos mais velho que o irmão Félix Bermudes (1874 - 1960) um dos Grandes Benfiquistas no clube centenário fundado em 28 de Fevereiro de 1904. Adães Bermudes era o arquitecto mais conceituado em Portugal no final do século XIX. Foi-lhe atribuído o prémio Valmor, em 1908. Tinha 50 anos quando o projecto do "Marquês" triunfou. Nasceu em 1 de Outubro de 1864 e faleceu, aos 83 anos, em 18 de Fevereiro de 1948.


António Couto é o segundo a contar da direita, de pé

António Couto
Aluno da Casa Pia de Lisboa, onde se iniciou no futebol no século XIX, foi dos primeiros aderentes ao Grupo Sport Lisboa pouco depois da fundação em Belém. Fez parte dos primeiras equipas do "Glorioso" em 1904/05 e 1906/07, até partir uma perna. O seu prestígio e experiência fez dele o primeiro capitão do Sport Lisboa no jogo de estreia. Actuava a médio, ao centro ou à esquerda. Arquitecto conceituado, com edifícios em várias localidades de Portugal, foi prémio Valmor na primeira década do século XX, em 1907. Tinha 40 anos quando o projecto do "Marquês" triunfou. Nasceu em 8 de Março de 1874 e faleceu, aos  72 anos, em 4 de Julho de 1946.


Grupo de Futebol da Casa Pia de Lisboa em 1898 que bateu os Ingleses de Carcavelos. Da esquerda para a direita - De pé: João Cambraia, António Couto, Emílio de Carvalho, Raúl Carapinha, Silvestre da Silva, Januário Barreto, José Neto e Francisco dos Santos; Sentados: João Pedro, Pedro Guedes (Capitão) e Bruno do Carmo

Francisco Santos
Aluno da Casa Pia de Lisboa, onde se iniciou no futebol no século XIX, foi dos primeiros aderentes ao Grupo Sport Lisboa pouco depois da fundação em Belém. Fez parte da 2.ª categoria, em 1906/07, como extremo-esquerdo, com Félix Bermudes (capitão) a extremo-direito e Cosme Damião como médio-centro. Tinha 36 anos quando o projecto do "Marquês" triunfou. Nasceu em 22 de Outubro de 1878 e faleceu, aos  51 anos, em 2 de Maio de 1930. Passam, amanhã, 83 anos.

Levar para um estádio petardos do tamanho de um cigarro nada tem de herói, heroína ou coragem.

Riscar monumentos públicos pela "calada da noite" nada tem de herói, heroína ou coragem.

Alberto Miguéns
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