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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Olhe Que Não! Olhe Que Não!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018 6 Comentários
AQUI DEFENDE-SE O BENFICA COM A VERDADE - SEI QUE ACTUALMENTE PODE NÃO ESTAR NA MODA - MAS SERÁ SEMPRE ASSIM.



Isto a propósito do "pedido" de um leitor para corrigir o número de títulos conquistados pelo treinador Otto Glória na Taça de Portugal.


Bem gostava eu que Otto Glória tivesse treinado e orientado as equipas do "Glorioso" e conquistado a Taça de Portugal, também, em 1955/56, 1957/58 (perdida a final - a única para o FC Porto - por 0-1), 1967/68 ou 1969/70 (era sinal que não tinha siso dispensado e que provavelmente o Benfica seria Tetracampeão. Mas não foi assim. Mas ainda é o treinador com mais Taças de Portugal conquistadas (clicar).

Otto Glória conquistou quatro Taças de Portugal. Aliás em rigor o que ele fez foi ser o treinador pago e da confiança do Benfica - tal como os futebolistas - para o Benfica conquistar. O Clube é que conquista. Mas pessoalizando um desporto colectivo é normal que se indexe as conquistas a nível individual mas tendo sempre presente que não passa de contribuir para que o Benfica conquiste. então vamos à explicação. Otto Glória conquistou quatro Taças de Portugal em 1954/55, 1956/57, 1958/59 (só orientou o Benfica nos quatro primeiros jogos a duas mãos: dezasseis oitavos-de-final; os cinco seguintes - incluindo a final - foram da responsabilidade de Valdivielso) e 1968/69. Tirando 1958/59 - campeonato que erminou em igualdade pontual e perdido por um golo para o FC Porto derrotado na final da Taça de Portugal - foram três conquistas com "dobradinha".

Nada como verificar
O leitor tem razão pois é atribuído a Otto Glória a conquista de cinco Taças de Portugal (pelo Benfica) pois conquistou mais uma pelo CF "Os Belenenses" frente ao Sporting CP. Fui verificar. 

No www.zerozero.pt (clicar):



No SerBenfiquista.com (clicar):



Génese do erro
1. De onde surge o erro. De uma recolha mal feita e depois de copiar o que está errado e difundir o erro. E o erro está na Taça de Portugal em 1969/70 que os jogos foram integralmente orientados (e o plantel treinado) por José Augusto pois Otto Glória abandonou o comando técnico do Clube precisamente na segunda-feira anterior ao primeiro jogo para a Taça de Portugal. 

No www.zerozero.pt (clicar):
Acertam no treinador mas erram no estádio. O jogo foi no terreno do adversário, no estádio do Bonfim.
No SerBenfiquista.com (clicar):
Erram no treinador e no estádio. Não foi o último jogo de Otto Glória, foi o primeiro de José Augusto

2. Que há erro não temos dúvidas. Basta ler a Imprensa da época. Eis um exemplo (clicar para visualizar toda a pagina 21):



Acreditem que estes erros por pesquisa deficiente e repetição por comodidade me faz confusão. Se há história fácil de fazer correctamente é a do Benfica. O sua grandeza, mesmo precoce, fez com que houvesse sempre alguém a registar os jogos, em texto e fotografias (mais do que qualquer outro clube). O único aspecto é que é mais trabalhosa que a de qualquer outro clube porque o Benfica é o clube com mais jogos em Portugal. É o clube que regista mais encontros a nível internacional (particulares e nas competições europeias) e nas competições a eliminar (Taça de Portugal e Taça da Liga). E o segundo com mais encontros na Supertaça (36 para 53 do FC Porto). O Benfica, entre encontros particulares - nacionais e internacionais - e em jogos para competições oficiais (nacionais e internacionais) tem mais 200 jogos que o FC Porto e mais 150 jogos que o Sporting CP. E este diferença entre o SCP e o FCP tem o peso" dos encontros para o campeonato regional de Lisboa serem o dobro dos jogos do FC Porto no campeonato regional do Porto, porque depois o FCP supera o SCP nas restantes competições a eliminar. Fazer a recolha dos encontros do Benfica pode ocupar mais tempo mas tem duas vantagens: é possível (há jogos do SCP e do FCP impossíveis de saber o que se passou porque não há registos) e dá prazer redobrado devido ao número elevado de "boas notícias": vitórias e golos.

Não se justifica tanta trapalhada e adulteração nos jogos do "Glorioso". Por ser fácil saber a verdade.

Alberto Miguéns

NOTAS (acerca da final de 1958/59):

1. Mais um prego no caixão dos 22 títulos do Sporting CP que quer "papar"-nos mas os dessas épocas de alteração de designações das competições não conseguem eles enganar. Os do "Diário de Lisboa" em 1959 ainda se lembravam (clicar)



2. Uma "borla" para a História dos portistas. Ou seja uma espécie de "Em Defesa do FC Porto". Tal como não foi Otto Glória (porque sabia que o Benfica havia contratado Béla Guttmann e recusou-se a continuar a treinar o "Glorioso" depois de expirado o contrato: 30 de Junho de 1959 numa final que seria jogado num impensável 19 de...JULHO) também não foi Béla Guttmann que orientou o FC Porto pois os dirigentes deste clube ao saber que Béla Guttmann tinha contrato com o Benfica para 1959/60 afastaram-no do jogo decisivo logo frente ao...Benfica. Como se pode ler e perceber que o zerozero.pt (clicar) inventa (clicar para o Diário de Lisboa):

E já agora o jogo foi às 18:00 horas!



3. Dêem um relógio ao jornalista do Diário de Lisboa. O golo de Cavém foi aos 30 segundos!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 



Eu conto 13 segundos, entre os 02:41 e os 02:54.

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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Otto Glória: 101 Anos (Parte II)

terça-feira, 9 de janeiro de 2018 3 Comentários
HÁ UM FUTEBOL DO BENFICA A.O. E D.O: ANTES E DEPOIS DO TREINADOR OTTO GLÓRIA.


A primeira passagem pelo Benfica, entre 1954/55 e 1958/59, mudou o Glorioso Futebol e por acréscimo o Futebol português. O Benfica é assim. Quando consegue ser vanguarda de Portugal altera, para melhor, o desporto do próprio País. Que haveria de reconhecer Otto Glória, em 1966, com o terceiro lugar no Campeonato do Mundo de 1966, ainda o melhor de sempre conseguido pela selecção nacional. Ser Campeão da Europa até a Dinamarca e a Grécia foram. E com mérito!

Otto Glória com o presidente do Benfica que o fez regressar ao Clube (Adolfo Vieira de Brito) e Eusébio

Deixou os alicerces do Benfica Europeu
Quando Otto Glória terminou a ligação contratual ao "Glorioso" no final da década de 50 estavam criadas as condições para o Benfica dominar o futebol em Portugal. e, apesar de não se perceber, também na Europa. O treinador brasileiro e o presidente Bogalho organizaram o Clube. preparando-o para voar alto, Depois quatro "ingredientes" fizeram o resto. O dinheiro de mecenato do presidente Maurício Vieira de Brito, o perspicaz e estratego treinador Béla Guttmann, a classe e abnegação dos futebolistas e, claro, o sal de tudo isto, o que deu sabor e possibilidade de fazer bem e melhor: os adeptos do Benfica, incansáveis, ubíquos, capazes de galvanizar e suplantarem-se, incentivando tudo e todos: de dirigentes a treinadores, dos guarda-redes aos avançados-centro.


O carioca Otto Glória que teve uma longa carreira de treinador mas seria no Benfica que ficaria com registo que faz dele um Eterno Glorioso

O hiato: 1959/60 a 1967/68
Após sair do Benfica, Otto Glória foi treinador, entre França e o Brasil, em Portugal do CF "Os Belenenses", FC Porto, Sporting CP e da selecção nacional na fase de apuramento e fase final do Campeonato do Mundo de 1966, em Inglaterra, tendo como seleccionador, o Benfiquista Manuel da Luz Afonso. Depois desta competição rumou a Espanha, para treinar o Clube Atlético de Madrid, em 1966/67 e 1967/68 (parte da época). Seria deste clube que regressaria ao "Glorioso".


Em Inglaterra (1966). Em cima: o treinador da selecção portuguesa Otto Glória e o jornalista Alves dos Santos (bom sportinguista e excelente profissional) embora fosse melhor a escrever que a relatar. Era Alves dos Santos a escrever e Alves dos Cantos na RTP pois era do tipo Eusébio vai marcar (e afinal era Coluna)!
Em baixo: Otto Glória tendo a seu lado o Águia de Ouro Benfiquista Manuel da Luz Afonso (que substituiu, nas eleições de 31 de Março de 1962 o recentemente falecido Gastão Silva como dirigente responsável pelo futebol do Benfica)

Regresso num período de indefinições
Decorria já a temporada de 1967/68, de uma forma atribulada, com a saída de Fernando Riera e a sua substituição pelo adjunto Fernando Cabrita. Foi nesta instabilidade técnica que os dirigentes decidiram fazer regressar Otto Glória que estava livre depois de ter feito pouco mais de uma volta no campeonato espanhol. Otto Glória encontrou, ao fim de nove anos de ausência, um plantel de futebol muito diferente, mas o mesmo Benfica de sempre, formando equipas para dar corpo à intenção dos primórdios - incansável no desejo de vencer. Dos futebolistas apenas Mário Coluna, agora o "capitão", se mantinha no plantel e também Cavem apesar de pouco utilizado. Com o Clube em segundo lugar a dois pontos da liderança do campeonato nacional, à 21.ª jornada (em 26!), a estreia foi animadora, em 14 de Abril de 1968, com uma retumbante goleada (6-0) à equipa da AD Sanjoanense, na "Saudosa Catedral". O Benfica venceria o campeonato nacional pela 17.ª vez.

Sempre interventivo e atento. Um dos melhores treinadores do Clube em 114 temporadas a jogar futebol

Dupla injustiça em Wembley: O Benfica (pela terceira vez) e Otto Glória (que ergueu os alicerces do Bicampeonato de 1961 e 1962) mereciam ser Campeões Europeus em 1968
Com o "Glorioso" apurado, por Riera e depois Cabrita, para as meias-finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus, eliminou a Juventus FC, com duas vitórias e Turim a assistir a um dos melhores golos de Eusébio. Seguiu-se a final no estádio de Wembley, frente ao Manchester United FC, mas a derrota no prolongamento tirou-lhe a hipótese de se sagrar campeão europeu e dar ao Benfica, na quinta final da competição em oito temporadas, o terceiro título. A equipa habitual era constituída por: José Henrique; Adolfo, Raul, Jacinto e Cruz; Jaime Graça e Coluna (capitão); Eusébio; José Augusto, José Torres e Simões. Otto Glória conhecia bem todos os futebolistas pois mais de metade do plantel foi titular no Mundial de 1966 e os restantes eram conhecidos do treinador como adversários enquanto treinador do FC Porto (1964/65) e do Sporting CP, em 1965/66.


Como espectador junto ao apresentador/jornalista Artur Agostinho. Culto, «fazia bem» a velha máxima do Futebol: Um treinador que só sabe de Futebol, nem de Futebol sabe.

Uma época de excelência em 1968/69
Iniciando a temporada como treinador - ao contrário da anterior - o Benfica só foi parado por um clube holandês que iria dominar o futebol europeu após o Benfica. Esta época de 1968/69 foi de grande classe, uma das melhores na história centenária do Benfica, apesar de continuar a faltar mais um título europeu, pois o Clube foi eliminado nos quartos-de-final, num jogo de desempate, em França, com o AFC Ajax, depois de uma vitória categórica, por 3-1, em Amesterdão e igual insucesso na "Catedral". No terceiro jogo, no estádio Colombes, em Paris, só no prolongamento os holandeses se superiorizaram ao Benfica. A nível interno o Benfica conquistou o campeonato nacional pela 18.ª vez (terceiro Tricampeonato), a 16.ª Taça de Portugal (quinta dobradinha), a sétima Taça de Honra de Lisboa (terceira consecutiva), e pela primeira vez, o Torneio Ibérico de Badajoz. Afinal Otto continuava Glória.




Quando tudo tem de correr mal, tudo corre muito mal

Na época de 1969/70 o percurso da equipa de futebol tinha tudo para dar certo, com um Tetra e depois tudo correu mal. O afastamento das competições europeias por "moeda ao ar" foi o rastilho e a invasão de campo, numa jornada do campeonato nacional frente ao CF "Os Belenenses" com interdição da "Saudosa Catedral" até final da temporada foi a acendalha. Depois uma derrota inesperada deitou tudo a perder. Nos oitavos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, o impensável ocorria nos balneários do nosso Estádio. Depois de uma impiedosa derrota, por 0-3, na Escócia, frente ao Celtic FC, na segunda mão, o Clube recuperou e conseguiu anular a desvantagem. No prolongamento não se alterou o marcador. Três-a-zero! A UEFA que tinha acabado com o terceiro jogo por considerar ingrato o que se tinha passado com o Benfica, só derrotado no prolongamento, em campo neutro, alterou o regulamento para "moeda ao ar". «Pior a emenda que o soneto». Em 26 de Novembro de 1969, no seu estádio depois de um jogo épico, conseguir de 0-3 na primeira mão, igualar a eliminatória para depois tudo perder por uma moeda teimosa! Acabou a "moeda ao ar" e passou-se ao desempate por pontapés da marca de grande penalidade que não são penalidades por não haver possibilidade de recarga após defesa do guarda-redes. No campeonato nacional, frente ao CF "Os Belenenses", em 25 de Janeiro de 1970 (28.º aniversário de Eusébio), aos 43 minutos, o árbitro expulsa o segundo futebolista do "Glorioso" (Malta da Silva) depois do pacato José Torres já ter sido expulso pouco depois da meia-hora de jogo. Invasão de campo, à 16.ª jornada (terceira da segunda volta) de um campeonato com 26 jornadas. O resultado foi homologado em zero-a-zero, o jogo nem ao intervalo chegou e o Benfica distanciava-se do Sporting CP. Pior. Interdição da "Saudosa Catedral" por oito jogos, quando faltavam jogar dez jogos e cinco "em casa". O Benfica foi jogar para o Estádio Nacional. Logo na estreia, à 18.ª jornada, uma derrota por 0-1, com o GD CUF, colocou o Clube em terceiro lugar a nove pontos do líder. Faltavam disputar oito jogos, ou seja, 16 pontos. O Benfica prescindiu do treinador. Para o substituir foi escolhido o futebolista do plantel José Augusto que além do que restava do campeonato nacional fez toda a "campanha" na Taça de Portugal que o Benfica conquistou. 


Na segunda passagem pelo Benfica, o treinador e o capitão. E seria José Augusto a substitui-lo no comando técnico do Glorioso Futebol, ia a temporada de 1969/70 a meio...


8 de Fevereiro de 1970: ainda nem tinha começado a jogar-se a Taça de Portugal
Era o adeus definitivo de Otto Glória que dirigiu o Benfica, no somatório das duas passagens, anos 50 e 60, em 323 jogos, com 196 vitórias (61 por cento), 64 empates e 63 derrotas, com 797 golos marcados e 325 sofridos. Apesar de treinar inúmeras equipas de vários clubes de países europeus e sul-americanos, nunca conseguiu o êxito que obteve no Benfica. Foi um treinador que inovou em Portugal (na primeira passagem na segunda metade dos Anos 50), autêntico "revolucionário" do Futebol, alterando completamente este desporto no nosso país. A sua passagem pelo Benfica permitiu ao Clube sagrar-se campeão nacional em quatro temporadas (1954/55, 1956/57, 1967/68 - últimas cinco jornadas - e 1968/69) e conquistar a "Taça de Portugal" também em quatro edições (1954/55, 1956/57, 1958/59 - até aos quartos-de-final - e 1968/69).



A terminar a sua estadia em Portugal ainda se cruzou no Clube com outro treinador que iria fazer uma pequena "revolução" no Futebol do Glorioso e em Portugal, Sven Goran-Eriksson


Continuou sempre muito próximo do Benfica
Consciente que o Benfica foi o clube que lhe deu condições que ele soube aproveitar para brilhar esteve sempre activo, mesmo enquanto terminava a sua longa carreira de treinador já no início dos anos 80. Regressou ao Rio de Janeiro, onde faleceu, aos 69 anos, em 4 de Setembro de 1986.



Otto Glória merece ser sempre honrado pelo Benfica. Eterno treinador campeão


Alberto Miguéns
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Otto Glória: 101 Anos

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COMPLETAM-SE HOJE 101 ANOS DO NASCIMENTO DO TREINADOR OTTO GLÓRIA.


A par de Cosme Damião (anos 10), Janos/João Biri (anos 30) e Eriksson (anos 80) foi um revolucionário no Glorioso Futebol. E mais do que isso foi o inovador, na sua primeira passagem pelo Clube (anos 50), que alterou o conceito do futebol do Benfica. Há um antes de Otto Glória e um depois.

Dois gigantes do treino e orientação de grandes equipas do "Glorioso": Otto Glória e Béla Guttmann

Na galeria dos grandes treinadores
Onde também têm de estar Béla Guttmann (sagacidade teórica e capacidade táctica) e Jimmy Hagan (inovador prático e simplicidade de processos). Além de outros pois, felizmente, em 114 épocas de Glorioso Futebol há muitos e bons.


A indescritível alegria no "dia do impossível ser possível", em 24 de Abril de 1955 quando o Benfica consegue ser campeão nacional após o "Milagre do Martins": Otto aos ombros e o capitão Fernando Caiado também!

O Benfica ficou a conhecer Otto Glória
Quando, em 30 de Junho de 1953, o Benfica defrontou, no estádio do CF "Os Belenenses", nas Salésias, o clube do Rio de Janeiro, América FC, perdendo por 1-3. Há a curiosidade do primeiro futebolista estrangeiro, contratado fora de Portugal - segundo depois de Jorge Gomes (Boavista FC) - ter sido transferido deste popular clube brasileiro: César. O presidente da Direcção do Benfica, Joaquim Ferreira Bogalho que jogara, em final dos anos 1o e início da década de 20, futebol no Benfica e depois assumiu várias vezes cargos na Secção de Futebol gostou da organização do clube brasileiro e fixou o nome do responsável pelo futebol agradável e eficaz: Otto Glória.  


No Lar dos Jogadores, à mesa com Costa Pereira, rodeados por alguns dos melhores craques desse tempo, em Portugal

Do Rio de Janeiro para Lisboa
Nascido em 9 de Janeiro de 1917 (há 101 anos) no Rio de Janeiro, Octaviano Martins Glória era brasileiro de ascendência portuguesa - o seu avô paterno era açoriano e o avô materno de Vila Nova de Gaia. Desde pequeno interessado pelo Futebol, o menino que partia vidraças com a bola no bairro da Tijuca, em breve ingressou no "clube mais português do Brasil". No CR Vasco da Gama cresceu como futebolista, para além de também praticar basquetebol. Após uma passagem, breve, pelo Botafogo FR (de Futebol e Regatas) regressou ao emblema «cruzmaltino». Repentinamente, apenas com 24 anos, Otto deixou de jogar futebol e basquetebol. Queria ser treinador. Uma paixão que saberia traduzir em sucesso. Iniciou-se, aos 25 anos, na orientação dos plantéis de aspirantes, juniores e principiantes. E o popular Vasco conquistou os três títulos cariocas! Em 1949 (32 anos) foi nomeado adjunto do célebre Flávio Costa que treinava a equipa principal do CR Vasco da Gama e a selecção brasileira. Em 1952, o América FC (numa tentativa de se aproximar dos quatro colossos - Flu, Vasco, Fla e Botafogo - do futebol carioca fez-lhe uma proposta irresistível para treinar a principal equipa de futebol, onde se manteve até 24 de Junho de 1954, data que o levou a desembarcar em Lisboa, com 37 anos. Foi o primeiro brasileiro a treinar um clube português. Aliás os dirigentes do Benfica eram muito desconfiados no que dizia respeito aos treinadores "fora do universo Benfiquista" como se comprova.  


Relatório e Contas da Gerência de 1954 e Parecer do Conselho Fiscal do SL Benfica; página 15 (excerto)
Há Bogalho/Otto Glória, como Maurício Vieira de Brito/Guttmann e Borges Coutinho/Jimmy Hagan

Ordem para mudar: Acabar com soluções pontuais e decididas mais com o coração que com a cabeça
O Clube era um colosso associativo, com uma força social ímpar, simpatizantes por todo o «Império português do Minho a Timor», vivia a euforia da construção da "Saudosa Catedral", mas o futebol há muitas temporadas que não se conseguia impor nas competições portuguesas - em nove épocas, entre 1945/46 e 1953/54 apenas conquistou um título de campeão nacional (1949/50) que abriu a possibilidade de conquistar a «Taça Latina», embora fosse o grande dominador na Taça de Portugal com quatro conquistas sucessivas (recorde do Benfica e em Portugal), entre 1948/49 e 1952/53, pois em 1949/50 a competição não se realizou. No Futebol o Benfica havia vivido de soluções pontuais, sem sequência e estratégia, não permitindo organizar e reforçar criteriosamente o plantel de futebol da equipa mais representativa do Clube.


Há as "pedradas no charco". Otto Glória provocou uma com muita classe e sabedoria

E tudo Otto Glória (com Joaquim Bogalho) mudou
Otto Glória era imaginativo e ambicioso, trazendo algumas ideias que em Portugal eram desconhecidas, baseadas na originalidade dos processos técnicos (a célebre variação do WM, a «Diagonal») e na mentalidade, como factor de motivação e superação. A profissionalização do principal plantel permitiu racionalizar o número de futebolistas como poder exigir-lhes concentração total no Futebol. A criação do "Lar do Jogador" possibilitou uma cautelosa fiscalização dos hábitos de vida, alimentação vigiada e assistência médica cuidada aos atletas. Mais do que um Lar (onde viviam os futebolistas solteiros) era um local de concentração na noite que antecedia os jogos ou na manhã dos treinos.



Um grande treinador faz de equipas...grandes equipas e um grande clube transforma treinadores em grandes treinadores. Eis a "relação" Otto Glória/Benfica! Tinha tudo para ser grandiosa e foi!

Além do Estádio e do Lar, um autocarro novo (que era velho)
A aquisição de um autocarro privativo (embora em segunda mão para não encarecer, mas também era um veículo adaptado para viagens longas, pertencente à companhia "Os Companheiros da Alegria" de Igrejas Caeiro) permitia juntar logo a equipa antes dos treinos (geralmente no pelado do Campo Grande), jogos em Lisboa e arredores ou levar os futebolistas até uma estação de comboio para depois viajarem de comboio para localidades afastadas de Lisboa. O Benfica chegou a alugar automotoras à CP para os jogos em Coimbra e na Covilhã, transportando futebolistas, treinadores e alguns adeptos mais endinheirados que pudessem pernoitar onde o Benfica ia jogar. Com os futebolistas focados no Futebol tal permitiu um regime de treinos mais apertado, aumentando os treinos semanais de três para cinco com um plano bem elaborado e diversificado, contemplando todos os aspectos, dos mais gerais aos de maior pormenor, mesmo individualizados: por jogador ou adversário.




Época 1954/55: Ano Um do "Novo" Benfica
A nível táctico adaptou-se uma variante do "velho conhecido e estafado" WM - a diagonal - que permitia alguma liberdade aos jogadores mais criativos e imaginativos, gerindo o esforço dos atletas, principalmente os mais "frágeis" (geralmente, também, os mais habilidosos). Foi esta "gestão de esforços" para aguentar os 90 minutos de jogo que provocou, entre os adeptos do "Glorioso", alguma desconfiança.


Ao fundo, de costas, o dedicado Fernando Caiado. Otto Glória (à esquerda) com Costa Pereira à sua frente. Ao lado deste, Coluna e José Águas no canto. E quantos golos não marcou ele após um...canto! Agradeço a Victor Carocha a ajuda na legendagem

A dobradinha à Sporting CP
A época de 1954/55 decorreu sob o signo da mudança. O Benfica ou como Otto Glória gostava de chamar à equipa «o meu timinho», chegou à última jornada do campeonato nacional em segundo lugar. E teve o título de campeão nacional perdido para o CF "Os Belenenses" até quatro minutos do final da última jornada (e do Nacional) quando o avançado-centro do Sporting CP, Martins marcou o segundo golo que empatou o jogo no campo do adversário, oferecendo ao Benfica o oitavo título de campeão nacional. O estádio das Salésias era talismã para o treinador. Foi aí que "deu nas vistas" (em 1953) foi aí que conquistou o primeiro título de campeão nacional. Menos de um ano depois! O Benfica conquistava dramaticamente, mas com justiça, o título máximo ao fim de quatro temporadas consecutivas de domínio do Sporting CP. Que quando entrou em campo na última jornada - se vencesse o CF "Os Belenenses" e o "Glorioso" perdesse, na "Saudosa Catedral" com o Atlético CP - podia conquistar o quinto título de campeão nacional. Ao contrário do que sistematicamente se insinua que o SCP «tendo o campeonato perdido "deu" o título ao Benfica» empatando com o CF "Os Belenenses". E no final da temporada mais um troféu, a 11.ª Taça de Portugal, permitindo ao Benfica o segundo duplo (campeonato e taça) da nossa história, após uma vitória, por 2-1, sobre o Sporting CP, no Estádio Nacional.  


Da esquerda para a direita: Costa Pereira, Naldo, Fernando Caiado, José Bastos, Otto Glória e José Águas 

Apoteose no Brasil
O treinador conseguiu um crédito tão grande que até obteve permissão para prescindir de jogar a Taça Latina (em França) pois segundo ele o futebol português (e os futebolistas) necessitavam de jogar encontros internacionais para evoluírem, individualmente e enquanto colectivo, e a Taça Latina resumia-se a dois jogos com "futebóis semelhantes". E que propôs Otto Glória? O Benfica finalmente aceitar os pedidos incessantes da diáspora portuguesa na América do Sul que queriam ver o Benfica, como tinham visto os africanos, na digressão depois da conquista da Taça Latina, em 1950. Assim o Clube terminou a temporada de 1954/55 com uma digressão que seria apoteótica pelo Brasil e Venezuela, onde foram conseguidos alguns resultados históricos, como as primeiras vitórias absolutas - para clubes portugueses - sobre o CA Peñarol (no estádio Maracanã/Rio de Janeiro) e o SE Palmeiras (no estádio Pacaembu/São Paulo). Uma temporada de 1954/55 que foi das melhores épocas de sempre - a vários níveis - na Gloriosa História. E que até teve a peripécia de nas eleições dos Órgãos Sociais, que até 1967, eram anuais o presidente Bogalho ter sido reeleito em 15 de Março de 1954 mas não querer tomar posse. Só o fez em 5 de Maio! Depois "descobriu-se". Se o Benfica não fosse campeão nacional - e à data das eleições tal parecia improvável - Bogalho poria o seu lugar à disposição dos associados por parecer ter dado "um passo maior do que a perna". O que aquele golo de Martins não valeu! A todos os níveis.


O "solitário" treinador no Campo Grande onde se treinava durante a semana para brilhar, na Luz, ao domingo

A terceira "dobradinha" chegou em 1956/57
Na temporada de 1955/56 o Benfica não conseguiu qualquer título nacional, apesar de realizar uma época regular. Chegou ao final do campeonato nacional empatado pontualmente com o campeão (FC Porto) mas acabou por perder o título por uma diferença de 12 golos! Nesta temporada estreou-se, no "Glorioso", a extremo-esquerdo Cavém, com Salvador titularíssimo a interior-esquerdo. Dois bons reforços. A perspicácia do treinador em acção a fazer os caboucos do "Benfica Campeão Europeu". Mas, em 1956/57, o Clube recuperou o título de campeão nacional, provando que continuava a ter um plantel de excelência no Futebol. Obteve-se mais uma dupla conquista (campeonato e taça), pois na final da Taça de Portugal, no Estádio Nacional, derrotou-se, por 3-1, o SC Covilhã, a competir no principal escalão eliminando o FC Porto (2.º classificado, a um ponto do Benfica). Após esta conquista o Clube voltou a sair do País, mostrando em Madrid (final da Taça Latina frente ao Real Madrid CF, no seu estádio), Brasil e EUA (primeiro clube português a jogar neste país) que estava na forja uma equipa que iria "dar que falar"! Nesta época, Pegado foi o titular a médio-direito. A época de 1957/58 não foi brilhante, com a decepção na estreia, frente ao Sevilha FC, na Taça dos Clubes Campeões Europeus. A nível interno ficou-se aquém das expectativas: terceiro lugar no Nacional (atrás de Sporting CP e FC Porto) e final da Taça de Portugal perdida (0-1) para o FC Porto. A única até hoje!


Otto Glória treinador de Basquetebol com um "Cinco Glorioso"


Entre parêntesis: Basquetebol em 1955/56
Com a temporada de Basquetebol, em 1955/56, a correr mal com quatro derrotas, um empate e duas vitórias em sete jogos, O Benfica solicitou ao treinador de Futebol que treinasse também . foi mais orientar nos jogos - o plantel de basquetebol do "Glorioso" e assim foi. O primeiro treino foi em 13 de Dezembro de 1955 e depois de assegurar o apuramento para a fase final do campeonato nacional despediu-se frente ao Sporting CP, em 19 de Abril de 1956, num dia de infâmia em que os árbitros "obrigaram" o Benfica a empatar, a 70 pontos, com o Sporting CP. Foram catorze jogos, com nove vitórias, um empate e quatro derrotas com 949 pontos marcados e 817 sofridos, com o segundo lugar no campeonato regional (apuramento para a fase de...apuramento para o Nacional) e terceiro lugar na fase de apuramento para o campeonato nacional com o "Glorioso" a classificar-se em 5.º lugar (já sem Otto Glória que saiu após a 5.ª jornada - final da primeira volta - da fase de apuramento para o Nacional). Com Otto Glória jogou Basquetebol com o "Manto Sagrado" o guarda-redes de futebol...Costa Pereira (40 pontos em oito jogos, marcando 17 pontos ao CF "Os Belenenses" apenas num jogo).  


Dois dos melhores de sempre no Benfica: Otto Glória como treinador e Cândido de Oliveira (jogador e capitão do "Glorioso" nos anos 10)

A última temporada da primeira passagem
Em 1958/59 o "Glorioso" só não venceu o campeonato nacional, perdido com o mesmo número de pontos, mas por um...golo, porque ao longo dessa edição o FC Porto conseguiu viciar alguns jogos obtendo resultados que lhe deram pontos e golos permitindo a meio da segunda volta ultrapassar o Benfica e conquistar o campeonato nacional. E eis que Gastão Silva (já uma saudade falecido na passada sexta-feira, quase com 95 anos) e o presidente Maurício Vieira de Brito chegam a um entendimento. Gastão Silva desloca-se à cidade do Porto e fica a saber que o treinador do FC Porto Béla Guttmann gostaria de treinar o Benfica! Assim, o Benfica não renova o contrato a Otto Glória e este já não assegura a campanha da Taça de Portugal do Benfica. Treina e orienta a equipa até ao final do contrato (30 de Junho de 1959) deixando o "Glorioso" apurado para os quartos-de-final, competição que o Clube acabaria por conquistar com o treinador-adjunto Valdivielso (entretanto chamado a treinador efectivo) a orientar as equipas nos últimos jogos, incluindo a final, pelo segundo ano consecutivo frente ao FC Porto, no Estádio Nacional, com uma vitória por 1-0 tendo o golo do "Glorioso" sido obtido por Cavém, por volta dos 13 segundos, ainda o golo decisivo mais rápido numa final da Taça de Portugal.  




Depois o treinador andou por muitas outras paragens
Até regressar ao Benfica, decorria já a temporada de 1967/68. Mas isso é para contar numa segunda parte a publicar pelo meio-dia. Foram três temporadas (até 1969/70) com muita História e estórias que merecem destaque à parte.



Que o Glorioso Otto Glória merece tudo!



Alberto Miguéns



NOTA: Este texto estava "meio-feito, meio-por-fazer" há um ano (no Centenário do seu nascimento) e teve de ser adiado. Ficou prometido e eis que a promessa fica cumprida. Mais do que isso fica honrada tratando-se de Otto Glória.
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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Talvez Cândido de Oliveira Nem Se Apercebesse...

quinta-feira, 15 de junho de 2017 3 Comentários
QUE ESTA SUA CACHA EM "A BOLA" PROVAVELMENTE MUDOU O FUTEBOL PORTUGUÊS. COMO UMA NOTÍCIA E CRÓNICA BEM FEITA PODEM (OU DÃO A IDEIA QUE CONSEGUIRAM MUDAR TANTO).



Ou como o bom jornalismo faz evoluir as sociedades: pessoas e instituições. O mau tablóide? Antes pelo contrário.

A aposta no profissionalismo, em 1954/55, que hoje parece óbvia à época não foi. Pela primeira vez um treinador brasileiro vindo do Basquetebol (embora com experiência no Futebol) chamado Otto Glória? Tudo «normal»? Muito longe disso...Havia alguma desconfiança entre os associados do Benfica se o esforço financeiro compensava.

Pois, pois...
A proposta do presidente Bogalho só não teve mais oposição por ser uma ideia do presidente...Bogalho e pelo facto do "Glorioso" ter perdido (todos para o Sporting CP) as últimas quatro edições do campeonato nacional e nas últimas nove temporadas, entre 1945/46 e 1953/54, ter apenas conquistado um troféu, em 1949/50 que depois permitiu a conquista da Taça Latina. Um título em nove possíveis era mau de mais. Profissionalismo? Pior não seria em relação ao que se estava a passar.

Os primeiros jogos não convenceram
Com a construção da "Saudosa Catedral" em acabamentos finais - impressionante como aquele Monumento ao Benfiquismo foi feito com o clube a perder - os jogos de início de época não convenceram. Uma magra vitória (golo de Salvador) frente ao CF "Os Belenenses" na inauguração do estádio Pina Manique (do Casa Pia AC) e um empate a um golo (de Arsénio) na festa de homenagem (e despedida do Benfica rumo ao Oriental/COL de onde tinha saído ainda no tempo do Chelas FC) de Rogério foram os aperitivos para o início do campeonato nacional. Aquele tipo de futebol "cauteloso" podia agradar aos geómetras mas os adeptos preferiam o futebol caudaloso. E esse nem vê-lo. Então a derrota logo na primeira saída, a Guimarães, pôs a maior massa adepta do País em polvorosa. 




Já cansava...
Depois de quatro épocas atrás do SCP na segunda jornada lá estava o "Glorioso" atrás do Sporting CP. Começava a ser um hábito que não se queria habitual. A terceira jornada seria pela segunda vez consecutiva fora, em Évora. Eis que surge uma magnífica crónica - a que se seguiram outras - de Cândido de Oliveira a minimizar os "danos". Os adeptos não gostavam do "fio de jogo" (no futebolês actual, modelo de jogo) mas alguém sapiente dizia que o Benfica até jogava melhor. E Cândido de Oliveira puxou dos "galões" (de treinador experiente e conceituado, até seleccionador nacional) e deu-lhe "lustro" (eu sei o que é jogar À Benfica porque eu joguei seis épocas à Benfica - 1914/15 a 1919/20 - elogiado pelos Benfiquistas). Mestre Cândido em auxílio de Otto Glória e de...Bogalho!  


Jornal "A Bola"; 27 de Setembro de 1954; primeira página


Houve calmaria
Na 5.ª jornada (um-a-zero, no Barreiro, frente ao GD CUF com um golo "arrancado a ferros" por Águas) o Clube isolava-se. Ainda havia muito campeonato, pouco futebol (para os adeptos), bom futebol (para Mestre Cândido) mas o mais importante estava conseguido: liderar a competição.

Depois deu-se a tempestade
A 23.ª jornada, em 20 de Março de 1955, depois de concluída, fez ressurgir o coro de críticas. «Estava-se mesmo a ver. Afinal para quem justificava que os futebolistas deixavam de jogar em correrias inúteis mas afinal os "poupadinhos" não aguentaram fisicamente nem 23 jogos, quanto mais 26! Lá vai "ao ar" mais um campeonato. O quinto consecutivo. O "Belenenses de Matateu e Companhia" vai conseguir o segundo, depois de 1945/46. Têm tudo na "mão"». E tinham! E o presidente Bogalho eleito em...15 de Março de 1955, continuava sem tomar posse. Respondia: Ainda não é o momento, já sou presidente. Fui reeleito. Quando for o momento logo darei posse a mim mesmo!

EVOLUÇÃO NO CAMPEONATO 1954/55
Jornada
Res (S)
Class
Pontos
Líder
Pontos
5
V 1-0 (F)
1.º
8
SL Benfica
+ 1
10
V 1-0 (C)
1.º
16
SL Benfica
+ 2
13
V 2-1 (F)
1.º
20
SL Benfica
+ 1
15
V 4-0 (C)
1.º
22
SL Benfica
+ 2
20
E 0-0 (C)
1.º
30
SL Benfica
+ 2*
22
E 1-1 (C)
1.º
33
SL Benfica
+ 1**
23
D 0-3 (F)
2.º
- 1
CF "B"
34***
24
V 2-0 (C)
2.º
- 1
CF "B"
36
25
V 7-3 (F)
2.º
- 1
CF "B"
38
26
V 3-0 (C)
1.º
39
SL Benfica
=
NOTAS:
* Frente ao CF "Os Belenenses" resultado que foi o que acabou por permitir o título, pois o Benfica ficava em vantagem no confronto directo, ao vencer (2-1) na primeira volta, no estádio das Salésias;
** Frente ao Sporting CP um bom resultado em termos de "confronto directo" (ou razoável, ao permitir manter a liderança ainda que pela vantagem mínima) pois o "Glorioso" vencera na primeira volta por 1-0, golo de Chico Calado de grande penalidade) e o Sporting continuava "colado" à procura do quinto título consecutivo;
*** Desastre total frente ao FC Porto, no estádio das Antas, com os "três secos" a apearem o SLB da liderança e a deixar de depender dele próprio, ainda que o calendário corresse a favor pois na última jornada encontrava-se o líder com o tetracampeão Sporting CP que na 23.ª jornada se encontrava em 3.º lugar, com 32 pontos, ou seja, a um do SLB e a dois do CF "Os Belenenses".

Nas duas jornadas seguintes nenhum cedeu
Dois jogos (24.ª e 25.ª jornada) e os três clubes da frente mantinham as distâncias com duas vitórias. A malta do Benfica bem se queixava. Estamos em segundo, mas temos mais derrotas (cinco) que o Sporting (quatro).

Ao contrário do que circula por aí...há anos
Em 24 de Abril de 1955, o Sporting CP não foi fazer favor nenhum ao Benfica jogando (e empatando a dois golos) no campo do CF "Os Belenenses". O Sporting CP (36 pontos) jogaria no estádio das Salésias para ser pentacampeão. Com melhor diferença de golos (+ 46) que o adversário (+ 35) só tinha de vencer - chegava uma vitória por um golo de diferença - para igualar o CF "Os Belenenses" em pontos (38) anulando a desvantagem no confronto directo (D 1-2 na primeira volta) e esperar que o Benfica perdesse na "Saudosa Catedral" com o Atlético CP (9.º classificado - em 14 clubes - com 22 pontos). Um milagre! Mas possível! O que aconteceu todos sabem. Sabe-se em todo o Mundo-e-arredores pois não há quem não conheça o desfecho do campeonato que podia ser mas não foi! O CF "Os Belenenses" esteve em vantagem por 1-0 e 2-1 até aos instantes finais, ou seja, com o título à vista. Só que o «Glorioso-por-empréstimo» Martins, a quatro minutos do final do campeonato bateu o guarda-redes José Pereira e entregou o título ao Benfica que vencia, tranquilamente, os alcantarenses por 3-0.

Depois é...Gloriosa História
1. O presidente Bogalho, finalmente, tomou posse, em 5 de Maio de 1955 (dez dias depois do Dia das Salésias) e dois meses depois de reeleito, justificando: Se o Benfica não tem conquistado o campeonato os associados teriam de pronunciar-se acerca do rumo. Se estávamos no caminho certo;
2. Depois do campeonato ainda ganhámos a Taça de Portugal, numa "dobradinha", com vitória por 2-1, frente ao Sporting CP com...Martins a marcar primeiro, pouco depois do intervalo, e Arsénio a repor a normalidade com dois golos;
3. Estava "aceite" o profissionalismo e preparava-se o plantel para depois dos caboucos feitos por Bogalho/Otto caber a Maurício/Guttmann dar-lhe dimensão e recolher o Bicampeonato Europeu.

A crónica de Cândido de Oliveira ajudou? Bem me parece que sim. Logo ao primeiro sucesso quando se temia a segunda derrota consecutiva

Alberto Miguéns

NOTA1: Pois mesmo tendo em conta esta trabalheira toda de Otto Glória, remando contra tudo e mais alguns, no livro "Plantel Glorioso", com escolha feita no final do Verão de 2014, Otto Glória só teve 37 paineleiros em 100 a escolhê-lo como um dos três melhores treinadores do Benfica, atrás de Eriksson (87), Guttmann (85) e Jorge Jesus (52). Eu paineleiro me confesso. E não critico Jorge Jesus, mas nem (em Julho de 2014) nos sete melhores o colocava. Mas havia quem fosse mais "papista que o Papa" como no caso de Fernando Pedro Santos de Alves Guerra.    



NOTA2: A crónica de Mestre Cândido até deu para fazer inquéritos a vários Gloriosos Futebolistas e dirigentes, dos quais Master Groove só me deixa publicar metade das quádruplas-respostas pois diz ele que isto está para o "pesado"!

(clicar em cima da imagem para obter melhor visualização)



NOTA3 (os últimos são os primeiros): As páginas do jornal "A Bola" foram enviadas pelo indefectível Benfiquista Mário Pais. Obrigado.
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