A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o SL Benfica e a sua Gloriosa História. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.
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quinta-feira, 25 de julho de 2024
sábado, 9 de janeiro de 2021
Manuel Gourlade 77
| ● Alberto Miguéns ● sábado, 9 de janeiro de 2021 | ● 00:00 | 2 Comentários |
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Todos Somos Gourlade
| ● Alberto Miguéns ● terça-feira, 27 de fevereiro de 2018 | ● 00:00 | 5 Comentários |
SE AMANHÃ - 28 DE FEVEREIRO
- É O DIA DO COLECTIVO, DE UM CONJUNTO DE INDOMÁVEIS.
O «nosso inglês» permitia ao Clube ter acesso, directamente de Inglaterra (Reino Unido), ao melhor que havia para o Futebol em vez de adquirir o que os ingleses a viver em Portugal já não queriam.
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Antes desse dia podemos afirmar que foi Manuel Gourlade que
permitiu a existência dessa vontade colectiva indómita.
NOTA INICIAL: No final do texto em NOTA FINAL o seu registo de baptismo e o que dele disseram Cosme Damião (em 1945), Daniel dos Santos Brito (em 1950) e Mário de Oliveira/Rebelo da Silva (em 1954). Esses depoimentos, o de 1945 e 1950, são de quem o conheceu e conviveu com ele alguns anos, por isso elucidativos da sua importância para a existência do Clube.
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| Eterno! Obrigado! Glorioso! |
Foi ele que
teve uma ideia que levou à fundação do Clube, ou seja, à Ideia
E isso ocorreu porque além de futebolista (defesa à esquerda)
também era interessado em tudo o que girava à volta do jogo e das equipas para
o jogarem. Foi ele que se lembrou de juntar aos miúdos de Belém ávidos por
jogarem futebol à experiência de uma geração anterior, já homens feitos, com
renome entre os poucos futebolistas desse tempo, com outro tipo de avidez, a de
vencer e com meios - futebol nos pés e na cabeça - para isso, os casapianos que
brilharam nos campos de Lisboa e Carcavelos na última década do século XIX.
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| Como se dizia em Portugal era tudo ali à mão. Porta com porta e porta para um pátio |
Gourlade
surge, para todos nós, em 1903
Mas muito caminho trilhara desde que nascera no bairro da
Ajuda, na rua da Paz n.º 118, pelas onze da manhã de 25 de Outubro de 1872, ou seja, tinha 28 anos
aquando da mudança do século XIX para o XX. Fica para outro dia fazer uma
pequena biografia pormenorizada deste extraordinário exemplo do Benfiquismo. O
melhor é encontrá-lo a jogar, por volta de 1902 ou início de 1903, no Verão
deste ano certamente, com o seu companheiro de emprego na Farmácia Franco,
Daniel Santos Brito e os miúdos que habitavam no mesmo prédio onde estava
instalada a citada farmácia, que tinha um pátio interior onde se conseguia
jogar. Mas com o número de entusiastas a aumentar depressa o pátio minguou ou
os futebolistas entulharam o espaço. A solução foi passar a futebolar nos
logradouros que eram múltiplos entre o bairro de Belém e a linha de caminho de
ferro Cais do Sodré - Cascais e até para lá desta à beira Tejo.
Nos jogos
defesa à esquerda no Football Club (Belém)
Não lhe são reconhecidos grandes dotes como futebolista,
talvez por se interessar tardiamente pelo «jogo-jogado» (trintão sem passado de
adolescente como futebolista) mas quanto ao «jogo-pensado» e ao modo de afirmar
um novo clube não há melhor. Consta que num domingo, talvez 29 de Novembro de
1903, o FC (Belém) lançara um desafio ou foi desafiado por um dos mais
competentes grupos da época, o Grupo dos Pinto Basto ou FC Swifts (velozes, rápidos). Os
miúdos do clube de Belém lá foram entusiasmados, pois o adversário era
respeitado, e entre os dois empregados da Farmácia Franco (o balconista Daniel
Santos Brito e o contabilista Manuel Gourlade) e os três irmãos Rosa Rodrigues
(José, Cândido e António) estava meia-equipa. A outra meia era dos amigos
destes, que eram popularmente designados por Catataus. O jogo foi intenso mas
saldou-se por uma derrota tangencial, talvez 0-1 ou 1-2, no local logradouro
onde era habitual, em Lisboa, jogar-se depois da proibição de o fazer no Campo
Pequeno, com a construção da Praça de Touros: as Terras do Desembargador, às
Salésias.
Como era
normal quem perdia podia pedir desforra
E era no conjunto destes dois jogos - desafio ou repto e
desforra - que se apurava o vencedor se o vencido pedisse desforra. A não pedir
servia só um jogo. O Football Club pediu desforra mas surpreendentemente, até
pela aproximação ao Natal, período religioso e frio em que não se jogava,
Gourlade solicitou ao capitão do FC (Belém) José Rosa Rodrigues que pedisse
desforra a Eduardo Pinto Basto, capitão do FC Swifts, para daí a 15 dias
(talvez 13 de Dezembro) e não para o domingo seguinte. Como era questão de
honra o adversário vitorioso, embora provavelmente estranhasse haver um domingo
"em branco" pelo meio...aceitou.
Entre os
dois jogos, Gourlade «fisgou-a» bem!
Sabendo que os ex-alunos da Real Casa Pia de Lisboa, que
integravam uma agremiação benemérita, a «Associação do Bem», treinavam aos
domingos de manhã junto da Cerca da instituição casapiana acercou-se deles no
sentido de reforçarem as posições onde o (Belém) Football Club era mais
carente. E assim foi. Manuel Gourlade optou pelo menos óbvio. Não se reforçou
com os habituais ingleses que andavam por Lisboa sempre livres de clubes e disponíveis
para jogar - Eagleson, Ettur ou Gilman - pois mesmo sabendo que o Grupo dos
Pinto Basto jogava com ingleses preferiu reforçar-se com futebolistas
experientes mas portugueses. Ora um grupo só de portugueses vencer um grupo de
ingleses ou mesmo um misto no início do século XX era visto quase como uma
impossibilidade, mas não foi...
O jogo que
tudo criou e mudou
Na desforra, o certo é que o FC (Belém) venceu, por 1-0, e
essa vitória foi vivida de um modo estrondoso pois o misto português/inglês que
depois deu origem ao Internacional (CIF) era demolidor nos jogos que realizava
frente a outros grupos que não fossem os inalcançáveis com exclusividade
inglesa: Carcavellos Club e Lisbon Cricket Club (Cruz Quebrada). Na
confraternização que se seguiu no Café do Gonçalves (actual Pastelaria Nau de
Belém) surgiu a ideia «Com estes futebolistas - e só portugueses - fazia-se um
grande team!» E assim foi. A ideia de Gourlade resultara na perfeição.
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| Os impressos para as quotas do Football Club (Belém) que nos primeiros tempos serviram também como impressos para as quotas do "Glorioso" |
Em 28 de
Fevereiro de 1904 foi apenas concretizado o que ficara decidido em 1903
Juntaram-se, treinaram de manhã e pela tarde, numa
dependência da Farmácia Franco, decidiram fundar o Grupo Sport Lisboa que
depois passaria, em 13 de Setembro de 1908, a Sport Lisboa e Benfica, numa
efeméride com 110 anos a completar neste ano de 2018. Não foi difícil escolher
os primeiros dirigentes. A presidente José Rosa Rodrigues (capitão do Football
Club Belém) e como seus auxiliares os dois empregados da farmácia onde o clube
ficaria instalado por deferência do proprietário da farmácia, Pedro Franco:
Daniel Santos Brito (secretário) e Manuel Gourlade (tesoureiro).
Primeiros
tempos do Sport Lisboa
Coube a Manuel Gourlade a maior parte das atitudes - é isso
que se percebe na documentação do Clube (presenças em treinos e iniciativas -
financeiras e organizativas - para dotar o clube de condições para singrar). Se
as redes para as balizas (e provavelmente os postes e as traves) vinham das
embarcações de pesca dos Rosa Rodrigues da Ericeira e Nazaré, o resto era tratado
por Gourlade. Era ele que orientava os treinos, registava as presenças,
adquiria bolas e utensílios ou, sendo poliglota, escrevia para Inglaterra,
fazendo ele do «inglês» que outros clubes tinham (pelo menos um) e o Sport
Lisboa...não. Era ele o «nosso inglês»! Não tanto a jogar mas a facilitar a "logística"!
O «nosso inglês» permitia ao Clube ter acesso, directamente de Inglaterra (Reino Unido), ao melhor que havia para o Futebol em vez de adquirir o que os ingleses a viver em Portugal já não queriam.
O Clube
acima de tudo
É que com a entrada progressiva de casapianos "bons de
bola" relegou-o para a segunda equipa, como guarda-redes, ou seja, «autorrelegou-se»
pois consta que era ele que organizava os plantéis e orientava as duas equipas.
E é dele a ideia (mais uma) de reservar um pouco de energia durante os jogos -
ou pelo menos não a esbanjar em inutilidades durante os encontros - para ter
nos últimos 15 minutos capacidade, se fosse necessário, para empatar jogos
aparentemente perdidos ou vencer jogos aparentemente empatados.
Consta que o
amor ao Clube levou longe de mais o seu esforço
Empolgado com o Clube que depressa passara de mais um clube a
"Glorioso" pois derrotara os mestres invencíveis do Cabo Submarino,
em plena Quinta Nova, Carcavelos, o Carcavellos Club (10 de Fevereiro de 1907)
e depois sofrendo com a deserção no Verão desse ano, para o Sporting CP, de
vários associados - quatro fundadores - incluindo sete futebolistas titulares e
mais um futebolista reformado a jogar no segundo team - Manuel Gourlade fez com que contas da Farmácia e do Clube se
confundissem. Em breve deixou a Farmácia Franco, mas deslocando-se com o Clube
de Belém para Benfica o apego nas margens do Tejo eram mais fortes pois foi aí
que passou a "ganhar a vida" como tradutor entre docas e navios que
aportavam a Lisboa.
Envelhecimento
precoce
Com uma vida que dependia de alguns dias bons e muitos maus o
sucedâneo de maus fizeram temer o pior tanto que Daniel Santos Brito temeu pela
facto de andar sempre pela borda dos cais em passo errante e más ideias. E foi
melhor interná-lo num Lar de Idosos, em Campolide. Lar que tinha, então o nome
de Asilo, neste caso Asilo D'Espie Miranda junto aos arcos do Aqueduto das
Águas Livres, na encosta de Monsanto, junto à outrora ribeira de Alcântara hoje
canalizada por baixo de acessos ao eixo Norte-Sul e avenida de Ceuta.
Foi Daniel
Santos Brito que lhe levou o crescimento do Benfica
Entrou para o asilo, em 5 de Julho de 1926, aos 55 anos (a confirmar com mais rigor)
e lá ficaria até falecer, em 9 de Janeiro de 1944, com 71 anos. Foi o seu
amigo, companheiro no futebol e colega da farmácia que lhe ia levando as
notícias dos primeiros êxitos nacionais do clube que nasceu (depois de uma
ideia sua de juntar os melhores dos miúdos de Belém de início do século XX aos
casapianos afamados de finais do século XIX), após o organizar até 1908 e de
dar impulso nas «Asas da Águia» ao seu continuador Cosme Damião que soube
engrandecê-lo e transformar a Ideia em Ideal. Cosme Damião sempre reconheceu em
Gourlade a alma e o alicerce que permitiu depois a ele, enquanto ideólogo,
fazer mais do muito que recebera de Gourlade. Acreditamos que foi com rasgado
sorriso que Gourlade saboreou os títulos de 1930, 1931 (BI no campeonato de
Portugal), 1933 (recuperar o título de campeão regional perdido desde 1920),
1935, 1936, 1937, 1938 (TRI no campeonato da I Liga), 1940 (um BIS com Regional
e Taça de Portugal), 1942 e 1943 (BI no campeonato nacional da I Divisão e a
primeira "dobradinha" com a Taça de Portugal). Uma vida de sacrifício
chegou ao seu final com um sorriso nos lábios e coração ardente de dever
cumprido. Aquela azáfama de início de século, entre as papeladas na Farmácia
Franco, os logradouros à beira Tejo, as irritações com quem faltava a acordos e
compromissos não cumprindo horários e combinações, as cartas para e de
Inglaterra, as estações de correio, alfândega, marcações a corda e cal, balizas
às costas e as Terras do Desembargador, não tinham sido em vão. Antes pelo
contrário. Estava ali não mais um clube, mas O Clube.
Gourlade
pode ter ido repousar para o Asilo mas depois todos conhecemos o que se passou
Eis o maior entre os maiores antes de sermos Clube e nos
primeiros tempos após o sermos. Manuel Gourlade passou o testemunho a Cosme
Damião e este transformou a Ideia em Ideal, o Benfica em Benfiquismo. Digam lá
se em todos nós que somos o Benfica, que por vezes ultrapassamos o limite do
razoável, que fazemos planos, que compramos e oferecemos Benfica, se não há um
Gourlade dentro do nosso coração Benfiquista. Aquele pedaço do nosso músculo
das emoções que nasceu e há-de morrer Benfica - que são das poucas células a
par de algumas do cérebro que nunca se renovam mesmo que se viva 120 anos - tem
um nome, só pode ter um nome, músculo Gourlade.
Gourlade a alma mater do
"Glorioso"! O nosso lado do coração à Benfica!
Alberto Miguéns
NOTA À PARTE: Especial agradecimento ao dedicado leitor
deste blogue Victor João Carocha (pelas ilustrações e descobertas fascinantes
da vida de Manuel Gourlade) e a um dos filhos da família Rosa Rodrigues pelos
pormenores que pai e tios contavam acerca da pré-fundação e início do Clube.
É aqui que continuas a estar! Sempre estiveste, como quem te conheceu, testemunhou e reconheceu a obra que iniciaste e outros souberam continuar para torná-la Gigante. Mas há sempre quem semeie primeiro!
NOTAS FINAIS:
1. Registo de baptismo (31 de Outubro de 1872)
2. Cosme Damião (Jornal "A Bola" n.º 11; 5 de Março de 1945; Página 5)
3. Daniel Santos Brito (Jornal "Ecos de Belém; 28 de Outubro de 1950; Página 2)
4. História do Sport Lisboa e Benfica 1904/1954; Mário de Oliveira/Rebelo da Silva (1954; Fascículo n.º 1; páginas 17 a 21/excertos)
É aqui que continuas a estar! Sempre estiveste, como quem te conheceu, testemunhou e reconheceu a obra que iniciaste e outros souberam continuar para torná-la Gigante. Mas há sempre quem semeie primeiro!
NOTAS FINAIS:
1. Registo de baptismo (31 de Outubro de 1872)
2. Cosme Damião (Jornal "A Bola" n.º 11; 5 de Março de 1945; Página 5)
3. Daniel Santos Brito (Jornal "Ecos de Belém; 28 de Outubro de 1950; Página 2)
4. História do Sport Lisboa e Benfica 1904/1954; Mário de Oliveira/Rebelo da Silva (1954; Fascículo n.º 1; páginas 17 a 21/excertos)
sábado, 12 de novembro de 2016
15 Minutos à Benfica
| ● Em Defesa do Benfica ● sábado, 12 de novembro de 2016 | ● 00:00 | 5 Comentários |
HÁ UNS DIAS PROMETI ESCREVER ACERCA DOS "QUINZE MINUTOS À BENFICA". CHEGOU O DIA. HOJE.
Manuel Gourlade
Ler mais ►
Manuel Gourlade é tido como o criador desse termo. Mais que um nome, uma ideia!
A questão foi colocada em 25 de Outubro
Está aqui digitalizada mas pode ser encontrada em (clicar).
Tudo o que se sabe acerca do assunto deve-se a Mário de Oliveira e a Rebelo da Silva
Quando publicaram a magistral História do Clube nas Bodas de Ouro (50 anos), em 1954. Para a tornar possível falaram com alguns dos fundadores, entre eles Cosme Damião e Daniel Santos Brito. Este era colega de Manuel Gourlade na Farmácia Franco. Acompanhou-o toda a vida e consta que foi ele que o internou no asilo onde viria a falecer. Além disso os dois eram jogadores do grupo de miúdos Belém FC que depois quando atraiu casapianos de uma geração mais velha deu origem, em 28 de Fevereiro de 1904, ao Sport Lisboa que em 13 de Setembro de 1908 passou a designar-se Sport Lisboa e Benfica. Mais do que ser eu a escrever acerca do assunto vou dar a palavra a quem sabe do tema e reservar comentários.
Daniel dos Santos Brito foi o primeiro a referir o quarto-de-hora
E era o último do jogo. Mas os 15 minutos finais nem sempre correspondiam ao tempo de agora, entre os 75 e os 90 minutos.
Comecemos pelo...princípio
Em Belém funda-se um Clube, depois de um treino matinal, com dez presenças registadas pelo metódico Manuel Gourlade num dos postais do estabelecimento onde trabalhava, a Farmácia Franco. Depois do almoço (o treino terminou pelas 12:30 horas) reuniram-se na Farmácia Franco além desses dez, mais catorze. Entre os dirigentes escolhidos estavam os dois que já foram referidos: Daniel Santos Brito (secretário) e Manuel Gourlade (tesoureiro).
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| História do SL Benfica 1904-1954; Volume I: páginas 13 e 14; Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1954; Lisboa |
Manuel Gourlade
Foi muito importante antes de haver Clube e nos primeiros tempos do Clube. Nasceu em 25 de Outubro de 1872. Tinha pouco mais de 31 anos quando o "Glorioso" foi fundado. Em 25 de Outubro de 2003 foi inaugurada a "Catedral". Seria para homenagear o nascimento de Gourlade no dia em que faria...131 anos?!
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O que nos contam é inequívoco
Reservar energias para os minutos finais dos jogos. Não sabemos se era uma estratégia se uma forma de protecção durante o jogo. É que era vulgar na época os futebolistas, sem preparação adequada, não saberem dosear o esforço soçobrando à medida que o tempo se ia escoando. Seria só uma forma de ter um jogo ritmado e ainda conseguir, quando necessário, dar o golpe final nos adversários ou Manuel Gourlade também conseguia que os "seus" futebolistas não andassem em "correrias loucas" logo no início do jogo e no reinício do mesmo após o intervalo? Talvez as duas situações. Até porque em caso de vantagem desde cedo (muito vulgar nos jogos do Clube mesmo em 1905, 1906, 1907 ou 1908) ter energia no final também possibilitava conseguir manter com mais segurança a vantagem.
Raros jogos tinham...90 minutos
Ao contrário do que se pensa poucos jogos até ao início dos anos 10 do século XX tinham 90 minutos (45 + 45). Só jogos entre duas equipas de ingleses a residir em Portugal ousavam jogar tanto tempo. Os jogos entre ingleses e portugueses ou entre portugueses tinham 70 (35 + 35) minutos ou 80 (40 + 40) minutos! Como se pode ver nestas duas digitalizações ou ir ao original (clicar para 1906) (clicar para 1907). Por isso os 15 minutos finais tanto podiam ser entre os 55 e os 70, como entre os 65 e os 80 minutos.
A dedicação de Manuel Gourlade foi...muito dedicada
Como nos contaram Mário de Oliveira, Rebelo da Silva e Daniel Santos Brito.
(clicar em cima para obter melhor leitura)
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Sempre houve enorme respeito por Gourlade
Talvez pelo que dele disseram os nossos pioneiros (no Clube) e os dois pioneiros a contar a História do Clube.
Talvez pelo que dele disseram os nossos pioneiros (no Clube) e os dois pioneiros a contar a História do Clube.
Faleceu em 1 de Janeiro de 1944
Aos 71 anos. Infelizmente antes de Mário de Oliveira ter entrevistado Cosme Damião (início de Março de 1945) e de ter falado com Daniel Santos Brito (entre finais dos anos 40 e início da década de 50). Que grande entrevista Manuel Gourlade poderia ter dado! Envelhecimento precoce, sem família e filhos (que se saiba) nem meios de subsistência morreu num asilo junto ao Aqueduto das Águas Livres!
Mais tarde é um facto, com Béla Guttmann, a rapidez com que se passou a marcar golos
Transformou o quarto-de-hora final em quarto-de-hora inicial. Mas isto porque havia essa memória. Essa tradição. Essa Ideia original que foi passando de geração em geração. Gloriosa. Havia uma referência histórica cujo conceito se foi diluindo no tempo mas permanecia o termo. O quarto-de-hora! E este foi ideia de um homem. Um Glorioso. Aqui por baixo, mas sempre aí por cima. Maior do que ele só o Benfica. Que consegue ser maior que todos nós, os que cá estiveram antes de nós e os que hão-de vir por aí, depois e muito depois de nós. Lá no "Quarto Anel" Manuel Gourlade é aquela estrela, por cima dos estádios que quando o Benfica marca um golo depois dos 75 minutos cintila que nem um desvario. Quando olharmos para o Céu depois desse golo é facílimo ela "piscar-nos o olho". É essa a estrela de Manuel Gourlade!
Um quarto-de-hora À Benfica!
Alberto Miguéns
NOTA: O facto de não estar junto de um local com ligação cibernética impede-me de editar comentários (se os houver). Só pelas 20.00 ou 21.00 horas deste sábado será possível fazê-lo! Obrigado.














































