Ao Benfica - os artistas de várias áreas e artes - sempre dedicaram grande atenção, reconhecimento e honra. Hoje neste blogue algumas canções que são históricas. E dentro da história do "Glorioso" a história desses temas.
Quando se aproximou o ano de 1929 e as comemorações do 25.º aniversário do Clube Félix Bermudes decidiu (ou foi decidido) fazer um Hino para o Clube. Mas Félix Bermudes e a sua personalidade são inseparáveis, como é óbvio. Ele e o maestro Alves Coelho (pai) que foram dois dos dez fundadores da actual Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e colaboravam na produção das peças de teatro que eram a sua profissão fizeram o Hino do SLB. Félix Bermudes optou por uma letra de pleno significado remetendo para o passado, pois Félix Bermudes acompanhara o clube desse início não sendo fundador por mero acaso. Nesse dia não estava ou não pôde ir a Belém. Entre 1928 e 1929, pediu ao maestro Alves Coelho uma partitura que transformasse a letra num tema intimista que os atletas pudessem entoar, mesmo em surdina, procurando na letra inspiração para reverter momentos de menor criatividade ou de maior descrença. A sua filha Cesina contou-me, em finais dos anos 90, que se lembra do pai dizer que foi dele a ideia da legenda "E Pluribus Unum" (que para ele e fundadores significava "Todos Por Um") inscrita na flâmula com as cores da bandeira nacional que a Águia agarra e eleva para o Céu («Erguendo ao Alto o Nosso Emblema»). Lembrava-se também do pai estar a fazer o Hino. Nascida em 1908 teria cerca de 20 anos. Habituada ao pai pedir-lhe "opinião" (se as tiradas provocavam riso), principalmente nos trocadilhos cómicos que escrevia nos guiões das peças teatrais, era estranho Félix Bermudes não lhe dar nenhuma "deixa". Ela lembrava-se de lhe perguntar que peça era aquela que era segredo. Félix Bermudes dizia que seria segredo, mas até ao aniversário do Clube. Teria de estar concentrado pois tinha data obrigatória para estar pronta. Ao contrário da maior parte das peças que se iam...fazendo! E não havia "deixas para rir" pois era um Hino! Cesina questionou. Um Hino como o de Portugal, os "Heróis do Mar"? Félix respondeu à Bermudes! Sendo do Benfica é mais "Heróis da Bola"!
«Todos por um!» eis a divisa,
Do velho Clube Campeão,
Que um nobre esforço imortaliza,
Em gloriosa tradição.
Olhando altivo o seu passado,
Pode ter fé no seu futuro.
Pois conservou imaculado
Um ideal sincero e puro.
REFRÃO
Avante, avante p'lo Benfica,
Que uma aura triunfante Glorifica!
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,
Honrai agora os ases
Que nos honraram o passado!
Avante, avante p'lo Benfica,
Que uma aura triunfante Glorifica!
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,
Honrai agora os ases
Que nos honraram o passado!
Olhemos fitos essa Águia altiva,
Essa Águia heráldica e suprema,
Padrão da raça ardente e viva,
Erguendo ao alto o nosso emblema!
Com sacrifício e devoção
Com decisão serena e calma,
Dêmos-lhe o nosso coração!
Dêmos-lhe a fé! Dêmos-lhe a alma!
REFRÃO
Avante, avante p'lo Benfica,
Que uma aura triunfante Glorifica!
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,
Honrai agora os ases
Que nos honraram o passado!
Avante, avante p'lo Benfica,
Que uma aura triunfante Glorifica!
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,
Honrai agora os ases
Que nos honraram o passado!
HINO DO SPORT LISBOA E BENFICA
Data: 1928 a 1929
Letra: Félix Bermudes
Música: Alves Coelho (pai)
Interpretação do Orfeão Sport Lisboa e Benfica
Bodas de Ouro: 50 anos
Já em contagem decrescente para as comemorações do meio-século de existência, o director do Jornal "O Benfica" fez uma letra e música brilhantes que foram interpretadas pelo tenor Luís Piçarra, em 11 de Abril de 1953, no II Sarau Artístico, no Pavilhão dos Desportos, uma das inúmeras iniciativas do Clube para angariação de verbas destinadas a poder erguer a "Saudosa Catedral" sem custos onerosos para o futuro do "Glorioso". O brilhantismo da interpretação de Luís Piçarra tornaram o tema muito popular e acarinhado pelos Benfiquistas. Que foi depois a «canção Benfiquista do ano em 1954», nas comemorações do 50.º aniversário, com interpretação do nosso Orfeão, no Coliseu dos Recreios.