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09 fevereiro 2026

Viver à Sombra da Bananeira (Parte I)

09 fevereiro 2026 1 Comentários

COM O «GLORIOSO» AFASTADO DE DUAS COMPETIÇÕES (TAÇA DA LIGA E TAÇA DE PORTUGAL) E EM DIFICULDADE NAS OUTRAS DUAS: LIGA BETCLIC E LIGA DOS CAMPEÕES.



Eis a "imagem de marca" do presidente Rui Costa desde a primeira eleição, em 9 de Outubro de 2021. Sempre em desespero. Um dos grandes problemas que ilustra bem a sua falta de liderança. Um presidente do Benfica tem que ter uma postura de abnegação, de incentivo, de fazer acreditar. O Benfica necessita é de pessoas que sabem mandar. O Benfica é para pessoas que sabem mandar!



NOTA INICIAL: Há muitos anos, ainda do tempo dos mandatos bienais, que penso o seguinte...

Um presidente da Direcção com poucas ou escassas conquistas com a equipa principal do Clube, durante o mandato que está a terminar, NUNCA deverá recandidatar-se, pois fomenta a divisão fragilizando o Clube e colocando em xeque o mandato a que se recandidata no caso de vencer as eleições. Benfiquismo é defender sempre o Clube de adversários e invejas, mas é também perceber se há ou não condições para o fazer. Rui Costa seguiu o caminho com o qual não concordo. Da minha parte decidi que não encerrando o blogue, mas sentindo que o insucesso será prolongado, evitarei estar sempre a massacrar o presidente (já chegam os outros, sejam Benfiquistas ou de clubes vários, invejosos da grandeza do «Glorioso»), pois como não acredito que tenha sucesso (embora o desejando) por isso só publicarei textos críticos em momentos onde o fracasso já está visível não me sentindo responsabilizado por ter para isso contribuído com ruído. Nunca farei isso. O contrário também é negativo. Ignorar o que se vai passando é pactuar com isso e estar a defender ou fazer panegíricos a gerências que revelam trilhar caminhos de insucesso é contribuir para manter o Benfica em agonia. Também nunca farei isso. Rui Costa com uma gerência pífia, entre 2021 e 2025, querer continuar revelou-se maléfico para o «Glorioso». O que mais quero, como Benfiquista, é estar enganado. E em 2029 reconhecer que estive errado e votar nele se voltar a recandidatar-se. Apesar do Benfica ser muito mais que conquistar campeonatos nacionais, nesta fase, se o Clube conquistar dois títulos de campeão nacional até 2028/29 - acredito mais que não vencerá qualquer um em quatro possibilidades - Rui Costa terá o meu voto se decidir recandidatar-se. Nada me move contra Rui Costa, enquanto associado e ex-futebolistas, mas considero que não tem qualidade para ocupar dois cargos de extrema responsabilidade, na Direcção do Clube e na Benfica Futebol SAD. Agora escreverei o que sinto, entre o coração, os neurónios e a alma.


Viver à sombra da baneira

É pouco ou nada fazer ficando à espera de sobreviver, no caso do Benfica, é aproveitar a grandeza que outros criaram. É aproveitar-se de um passado glorioso assente na popularidade, amor ao Clube e grandeza de um palmarés ímpar, em títulos - quer em número, quer em valor, alguns para lá do imaginável - e vitórias retumbantes, muitas surpreendendo adversários muito mais poderosos ou repetindo sequências triunfais frente a inúmeros adversários em quase 122 anos. 

 

Dirigir um clube como o Benfica é para navegadores corajosos, perspicazes e destemidos não é para pescadores à linha

Ser presidente do Benfica é para quem tem capacidade de perceber mais longe, de ter presença de espírito para dotar o Clube das melhores soluções possíveis e saber antecipar dificuldades e destemperanças várias. Quem não sabe liderar nunca poderá ser um grande presidente. Será sempre uma nota de rodapé, como alguns no passado que se sujeitaram ao mesmo, quando o Benfica conseguir voltar a ser o que já foi, hegemónico em Portugal e brilhante no Mundo (Europa).

 

Taça da Liga

Ainda hoje não percebo como sabendo eu pouco de futebol, mas o suficiente por já ter visto - e não apenas olhado para eles - mais de mil jogos do Benfica o porquê de colocar Manu (nunca criticarei um jogador, mas sim quem o contratou e colocou a jogar) limitado por ter estado muito tempo afastado de competir a um nível elevado ter sido colocado como titular na meia-final da Taça da Liga. O futebolista já mostrara debilidades no jogo frente ao GD Estoril Praia. Mas jogar na «Catedral» frente a este adversário não é o mesmo que defrontar o SC Braga, em campo neutro (Leiria) num jogo de acesso a uma final. Sabendo que para o SC Braga aquilo seria uma espécie de final da Liga dos Campeões. Claro que teve que sair ao intervalo, pois como médio-mais-defensivo era "pedra basilar", com e sem bola, naquele onze no equilíbrio no início do ataque do «Glorioso» e face ao contra-ataque adversário. E nunca mais foi opção como titular e só por uma vez foi suplente utilizado. Aliás frente ao Club Football Estrela nem suplente foi. Sete jogos, por ordem cronológica, depois desses 45 minutos frente ao SC Braga: suplente não utilizado (SNU), suplente utilizado um minuto para ser "generoso" (SU1), SNU, não convocado (NC), SNU, SNU e SNU, novamente, neste último encontro com o FC Alverca. Apenas 19 segundos (entrou aos 89:41) mais os cinco minutos de compensação...em sete jogos! Ilustra na perfeição o erro cometido em Leiria. Não está em causa a valia do futebolista, mas sim o momento e o contexto da sua utilização. O treinador culpa, repetidamente, a equipa da má exibição, mas ele ajudou e muito para que esse encontro nas meias-finais da competição fosse um fiasco. Para a história ficará o treinador José Mourinho como o principal responsável por "ter dado" os primeiros 45 minutos ao adversário, onde este construiu a eliminação do «Glorioso».


Taça de Portugal

Jogar no terreno do FC Porto nunca foi fácil, nem nunca será devido ao ódio parolo, à inveja crónica e sistémica desse clube para com o Benfica. A um jogo por eliminatória foi a oitava temporada com o Benfica a jogar, no terreno do FC Porto, com três vitórias (1973/74: 3-0; 1981/82: 1-0; e 1992/93: E 1-1 e V 2-0 na "Saudosa Catedral") e cinco derrotas (1987/88: 0-1; 1990/91: 1-2; 2019/20: 0-2; 2021/22: 0-3; e 2025/26: 0-1). Ser eliminado é sempre negativo, mas seria hipocrisia estar a endossar responsabilidades. A haver "um culpado" será o presidente da Direcção e principal responsável pela Benfica Futebol SAD que se deixou ultrapassar pelo FC Porto que estava debilitado desde 2022/23 e o «Glorioso» não soube aproveitar para se impor definitivamente nas épocas seguintes, consolidando a sua grandeza e acabar por inferiorizar-se em 2025/26. Pelo contrário parece que vai fazendo tudo para permitir de novo o ascendente desse clube.

 

Liga dos Campeões

Um Jogo Épico nem sempre é um Jogo Mítico. Considerar o encontro com o Real Madrid CF, para a oitava jornada da Liga dos Campeões 2025/2026 como um Jogo Mítico ilustra, na perfeição, como a grandeza do Benfica se está a esvair. Jogo Mítico seria se o citado encontro fosse numa final dessa competição ou mesmo, visto o Benfica não a conquistar desde 1961/1962 e não estar numa final desde 1989/1990, se significasse o apuramento para a final da principal competição da UEFA. O Benfica ter abusado da sorte, tudo ter feito para a merecer, mas isso significar ficar em 24.º lugar entre 36 clubes é de uma pobreza atroz tendo em conta o potencial do Clube. Só um emblema tão gigante ter estado sujeito a não ser apurado entre 24 clubes, a maior parte deles, tão limitados em relação do «Glorioso» mostra bem como o nosso emblema tem sido e continua a ser muito mal dirigido. É uma dor de alma ver o estado em que os associados, com as suas votações absurdas, em quem não tem capacidade para o gerir, colocaram o Clube. Só quem opta por, simplesmente, viver na grandeza que outros ergueram consegue ficar satisfeito com o que ocorreu e vai acontecendo. Não falo dos futebolistas e técnicos que mereceram, estou a referir-me aos que vão mandando muito mal num clube com tamanha Glória. Seja em que competição for, o Benfica nunca pode fazer nove pontos em 24 possíveis, ou seja 37.5 por cento. O Benfica não pode ficar atrás de clubes com tão pouca expressão no futebol internacional. O Benfica tem que ficar sempre entre os 16 melhores clubes europeus, para ser "cabeça-de-série" no sorteio seguinte. Em algumas edições, até, nos oito primeiros, para ficar isento dois encontros e ser "cabeça-de-série" nos oitavos-de-final. Tem força associativa e dimensão demográfica suficiente para tal, por isso conseguirá capacidade financeira para ombrear com os melhores clubes das principais Ligas. O Benfica é o clube de Portugal. O Benfica já jogou sete finais desta competição e tem oito meias-finais disputadas. O Benfica é o BENFICA. Não pode necessitar de jogos destes para conseguir ser 24.º classificado, sujeitando-se a não ser "cabeça-de-série" na próxima eliminatória e ultrapassando-a continuado, nos oitavos-de-final, a disputar a segunda-mão no terreno do adversário. Os dirigentes do «Glorioso» passam épocas atrás de épocas a "dificultar a vida" aos futebolistas e treinadores que contratam. E depois estes é que são, continuadamente, responsabilizados pela incompetência de quem devia ser competente a gerir o dinheiro e dotar o futebol do Clube de plantéis de acordo com a grandeza histórica de um Clube Ímpar. Um clube que é maior que o País onde surgiu! Os dirigentes têm que arrepiar caminho. Não sabem mais? Ou aprendem rapidamente ou não podem estar, por vaidades inócuas, a apequenar tão grande clube! Que nunca mais seja necessário fazer Jogos Épicos que parecem Míticos para fazer nove pontos (em 24) e classificar-se no "último lugar dos últimos"! Não pode ser. Não queremos que seja! Que nunca mais seja necessário. O Benfica merece muito mais do que tudo o que vamos assistindo, em 2025/2026. Inúmeras vezes muito mais. Deixem de brincar ao Benfica! O Benfica é demasiado sério para que seja tratado como um brinquedo!



Campeonato Nacional

Com o FC Porto a vitimizar-se (contra tudo e contra todos, mais o centralismo de Lisboa e o Norte que trabalha, blá, blá, blá, palermices de um presidente bacoco com um treinador labrego instrumentalizado) o Benfica há muito que sabe o "que aquela casa de invejosos e odiosos gasta" por isso devia estar atento. Aliás a eliminação, precoce e humilhante, no Campeonato Mundial de Clubes só lhes veio facilitar a preparação da temporada de 2025/26. Como é habitual o FC Porto é visto como um clube sem estatuto internacional. A prestação do Benfica - eliminação, no prolongamento, pelo futuro vencedor (Chelsea FC) da competição - foi vista como um "desastre". O FC Porto nem chegar à fase a eliminar como natural. Mas esta situação não é negativa, antes pelo contrário. Quando for ao contrário é que estamos mal. É porque o Benfica deixou de ser o clube-referência de Portugal, ocupando um outro o seu lugar. Que continuem a ter inveja do Clube. Desde os Anos 10 do século XX esta é sempre a marca da sua grandeza. Os outros falarem mais de nós que dos clubes deles. Agora o «Glorioso» tem que estar, como sempre esteve (um dia publicarei como esta inveja crónica e genética Anti-Benfica era vista por Cosme Damião, António Ribeiro dos Reis, Joaquim Ferreira Bogalho e Duarte Borges Coutinho)  preparado para a superar e com distinção. Não preparando a "nau em terra para a longa viagem de dez meses, onde terá de enfrentar destemperanças várias" sujeita-se a soçobrar indo esbanjando pontos enquanto outros os vão amealhando. Infelizmente o Benfica nunca revelou colocar em campo equipas consistentes, por isso nunca conseguiu aproveitar os deslizes dos dois adversários que estão em primeiro e segundo lugar desde o início (aliás o jogo em atraso na primeira jornada "nem permitiu perceber" que o «Glorioso» na 4.ª jornada esteve classificado em segundo lugar)! E assim ficará para a história pois as jornadas, sejam antecipadas ou adiadas, são depois "recolocadas" na ordem que indicou o sorteio. "Coisas da bola"! 


CAMPEONATO NACIONAL 2025/26

J

RES

S

Adversário

FCP

SCP

01

E 1-1

C

Rio Ave FC *

- 2

- 2

02

V 1-0

F

CF Estrela

- 2

- 2

03

V 3-0

C

CD Tondela

- 2

- 2

04

V 2-1

F

FC Alverca

- 2

+ 1

05

E 1-1

C

CD Santa Clara

- 4

- 1

06

V 3-0

F

AFS ou AVS

- 4

- 1

* a primeira jornada foi disputada entre a 6.ª e a 7.ª ronda

07

V 2-1

C

Gil Vicente FC

- 4

- 1

08

E 0-0

F

FC Porto

- 4

- 1

09

V 5-0

C

FC Arouca

- 4

- 1

10

V 3-0

F

Vitória SC (Guimarães)

- 4

- 1

11

E 2-2

C

Casa Pia AC

- 6

- 3

12

V 2-1

F

CD Nacional

- 6

- 3

13

E 1-1

C

Sporting CP

- 8

- 3

14

V 4-0

F

Moreirense FC

- 8

- 3

15

V 1-0

C

FC Famalicão

- 8

- 3

16

E 2-2

F

SC Braga

- 10

- 5

17

V 3-1

C

GD Estoril Praia

- 10

- 3

18

V 2-0

F

Rio Ave FC

- 10

- 3

19

V 4-0

C

CF Estrela

- 10

- 3

20

E 0-0

F

CD Tondela

- 9

- 5

21

 V 2-1

C

FC Alverca

- 7

- 3

22

 

F

CD Santa Clara

 

 

23

 

C

AFS ou AVS

 


24

 

F

Gil Vicente FC

 


25

 

C

FC Porto



26

 

F

FC Arouca



27

 

C

Vitória SC (Guimarães)



28

 

F

Casa Pia AC



29

 

C

CD Nacional



30

 

F

Sporting CP



31

 

C

Moreirense FC



32

 

F

FC Famalicão



33

 

C

SC Braga

 

 

34

 

F

GD Estoril Praia

 

 

NOTA: as diferenças não são em tempo real, pois não contemplam adiamentos ou antecipações de jogos e muito menos diferenças do dia da semana, entre sexta-feira e segunda-feira, em que os clubes jogam

 

Depois do «Clássico das Riscas», o FC Porto deverá ser campeão nacional (sete pontos de vantagem para o Benfica e quatro para o SCP, ainda vantagem no confronto directo (VE) com este clube), a menos que aconteça mais uma "Fariolada" como nos clubes onde o treinador portista tem treinado, com destaque para o OGC Nice e principalmente o AFC Ajax. O Sporting CP, a três pontos, ficou ao alcance do «Glorioso» (encontro na 30.ª jornada) depois do empate a um golo na «Catedral» uma vitória do Benfica dá vantagem no confronto directo, mas há ainda muitos encontros (oito, entre elas a recepção ao FC Porto) até esse dia em meados de Abril. Resta perceber que o FC Porto continua a ser um clube de javardos (os apanha-bolas já têm a escola de parolice toda entranhada) que cultiva o ódio pacóvio dos palermas e o SCP evoluiu muito, não se intimidando num antro de labregos que enlameiam o futebol português com a conivência da comunicação social. O que eu não consigo "ver" é mais consistência no futebol do Benfica em relação ao do FC Porto e do Sporting CP. E isso não é preocupante, é arrasador!


Antes de tudo o que possa vir a mais

Qualquer dirigente do Benfica que se proponha a ser eleito é obrigado a acrescentar grandeza pois o clube que dirige já é muito grande e para isso exigiu esforço e capacidade de liderança de outros que os antecederam. Rui  Costa nada justificou, entre 2021 e 2025, para se propor a um novo mandato. Não acrescentou grandeza, antes pelo contrário. Com ele outros clubes, com destaque para o Sporting CP, acrescentou mais grandeza em quatro temporadas, ou seja, não foi episódico o crescimento deste clube, foi efetivo. Assim o Benfica perdeu grandeza. Num período longo qualquer dirigente do «Glorioso» está obrigado a ser melhor, com mandatos quadrienais, que os outros. Rui Costa jamais, se respeitasse a grandeza do Clube, não se tinha recandidatado. Porque teria vergonha do que fez ou não conseguiu fazer. Mas pior que ele é quem votou nele. Inacreditável o que lhe estão a fazer. Ele pode ser inconsciente, mas estão a obrigá-lo a sair do Clube pela "porta pequena". Nenhum dirigente Benfiquista merece isso. Rui Costa merece porque se colocou nessa posição. Oxalá consiga inverter em 180 graus o mal que tem feito à grandeza do «Glorioso». Tem quatro temporadas para o conseguir.


Mas que Benfica é este!?

 

Alberto Miguéns


NOTA: a segunda parte fica agendada para o final da temporada, início de Junho deste ano de 2026. Entretanto espero ter tempo para escrever acerca do que descobri sobre Béla Guttmann, em 5 de Abril de 1962.


1 comentários
  1. Que lucidez nessa análise grande amigo Alberto. Oxalá os sócios do Benfica, em primeiro lugar, e o incumbente, em segundo, tivessem tido também essa capacidade para ler os sinais de morbidez que o nosso clube apresenta desde o último mandato completo do Vieira.
    Quando é que nos livramos desta gente?

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