FRANCISCO STROMP (SPORTING CP) FOI PROTAGONISTA DA PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO DE RACISMO REGISTADA EM PORTUGAL. MAS... APESAR DE SER O QUE FOI GOSTAM DE FAZER DELE MAIS DO QUE FOI. LAGARTADAS!
Num encontro para o Campeonato Regional de Lisboa, realizado em 11 de Março de 1923, entre o SCP e o Internacional (CIF) foi vergonhosa a forma como se referiu a Honorio Costa, do clube adversário. O futebolista do Internacional insurgiu-se ("repontou") perante o insulto que nos Anos 20 era gravíssimo, pois os jogadores mais conceituados conheciam-se TODOS, dentro e fora de campo, pelo nome, quase sempre por dois nomes: próprio e apelido. A Imprensa da época não deixou de registar e indignar-se contra esse acto racista de Francisco Stromp, embora não fosse novidade o modo de desprezo que costumava utilizar para com adversários e até companheiros de clube.
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Honorio Costa era muito mais que um futebolista. Era um desportista com uma conduta exemplar, de uma correcção extrema e conduta irrepreensível. Era o senhor Honorio Costa. Uma das maiores figuras do início dos Anos 20 do Desporto Português. Respeitadíssimo por todos. Menos por Francisco Stromp. Honorio Costa foi durante uma década um dos melhores barreiristas portugueses, campeão de Portugal, em 1922 e 1923, nos 110 metros barreiras.
Honorio Costa esteve por diversas vezes muito próximo de estabelecer um novo recorde de Portugal nos 110 metros barreiras, que era de 17,4 segundos, datando de 5 de Maio de 1914 e por ele igualado em 28 de Agosto de 1922, durante os campeonatos nacionais, realizados na pista de cinza do estádio do Lumiar, em Lisboa.
Honorio Costa foi campeão de Portugal, em 1922 e 1923, respectivamente com 17,4 (igualando o recorde nacional, após oito anos) e 19,2 segundos.
Honorio Costa também era futebolista no Internacional (CIF) um clube que foi campeão regional, em 1909/10 muito antes do Sporting CP, a primeira vez em 1914/15.
Como é evidente Honorio Costa, por ser negro, nunca poderia jogar no Sporting CP, pelo menos enquanto por lá andasse e mandasse Francisco Stromp.
NOTA: Também há registos de Racismo no FC Porto, numa fase elitista destes sacripantas, nos Anos 30 a 50, que assim que encontrar os registos na Imprensa serão publicados neste blogue. Foi durante as gerências destes fascistazecos (clicar).
O BENFICA era completamente diferente. Teve Fortunato Levy, entre 1904/05 e 1906/07 (clicar) e Marcolino Bragança (em 1907/08, clicar), depois de duas temporadas - 1905/06 a 1906/07 - na 2.ª categoria, entre muitos outros futebolistas. Depois teve Guilherme Espírito Santo (clicar).
Como em tudo na vida. Consegue-se enganar muitas pessoas, mas NUNCA se conseguem enganar todas as pessoas!
Alberto Miguéns
NOTA: Agredecimento aos dedicados leitores deste blogue, o cabo-verdiano Mário Pais (que enviou a notícia de jornal) e o "transmontano" Victor João Carocha (que conseguiu as fotografias de Honório Costa)





É denunciar essa gente. O seu blogue merecia oura atenção por parte do clube, já que o senhor faz mais pela defesa do mesmo do que qualquer departamento de comunicação, neste caso inexistente.
ResponderEliminarHistória contada como ela é, por um grande historiador desportivo!!!
ResponderEliminarÉ por isso que gosto tanto de História e da História do Sport Lisboa e Benfica, em particular. O nosso Clube tem muitos e tremendos exemplos para se orgulhar. Pela democracia que sempre regeu os seus estatutos e práticas desportivas e associativas, e pelos múltiplos exemplos que podemos encontrar, atravessando as décadas. O único Clube verdadeiramente democrático desde o dia inicial. Clube que se manteve no seu lema de "Todos por um", todos com o mesmo estatuto, com direitos e deveres iguais. Benfica é Liberdade, Democracia e Valores!
ResponderEliminarMuito obrigado, Alberto, por mais um episódio que desconhecia e que sedimenta a opinião que já tinha de certos viscondes.