quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Binau no Quarto Anel

 FALECEU HOJE BERNARDO MOREIRA (BINAU) UM DOS PIONEIROS DA DIVULGAÇÃO DO JAZZ EM PORTUGAL. CONTRABAIXISTA POR VOCAÇÃO E INTUIÇÃO AUTODIDACTA.


Como dizia há uns anos, talvez dez, o filho dele, também Bernardo e igualmente Moreira e contrabaixista, paixão igual à que tinha pelo jazz só pelo Benfica. E o amor só era superado pela família. E que família. Todos (seis) Benfiquistas.




Bernardo José Costa Sousa Macedo Martins Moreira nasceu, há 90 anos, quatro meses e uma semana (sete dias) em Coimbra, a 27 de Junho de 1932. 



Contava que tinha ouvido jazz (e o relato dos jogos do Benfica) pela primeira vez no rádio que o pai, professor de Direito na Universidade de Coimbra, tinha comprado para ouvir notícias da Segunda Guerra Mundial. Tendo iniciado os estudos em Coimbra e concluído o Serviço Militar Obrigatório, aos 22 anos (1954) acabaria por se licenciar em Engenharia Civil, em Lisboa, no Instituto Superior Técnico.



 Ainda em Coimbra, no entanto, nos anos 50, toca na Orquestra Ligeira Académica e participa nas primeiras jam sessions. Em Lisboa, onde passou a residir, retoma o contacto com o jazz, com o amigo António José Veloso e Bernardo Tinoco, e outros habituais frequentadores do recém-formado Hot Clube de Portugal (Clube e não Club, por exigência do Governo Civil de Lisboa), fundado em 19 de Março de 1948.



É nessa altura, pois, que conhece Luís Villas-Boas e que se inicia verdadeiramente no Jazz. Mas logo no final dos anos 50, Binau forma, com Manuel Jorge Veloso, Justiniano Canelhas e o saxofonista Jean-Pierre Gebler, o Quarteto de Jazz do Hot Clube de Portugal, que acabaria por representar Portugal no Festival de Jazz de Comblain-la-Tour (Bélgica), em 1963.



Nesse mesmo ano o quarteto gravou ainda a música do filme Belarmino, de Fernando Lopes, escrita por Manuel Jorge Veloso, com uma composição de Justiniano Canelhas. Belarmino, a história de um pugilista, é um dos primeiros filmes da geração do Novo Cinema português, inspirado pela Nouvelle Vague francesa.



Casa-se com Yvette Kace Centeno que seria uma das mulheres mais importantes da Cultura Portuguesa na segunda metade do século XX e início de XXI: poeta, ficcionista, ensaista (especialista em alquimia e simbologia de Fernando Pessoa), dramaturga e tradutora, com destaque para a poesia alemã. Desta união nasceriam quatro rapazes, Benfiquistas irrepreensíveis, também com ligação ao Jazz: Bernardo (1965; contrabaixista); Miguel (1967; ex-pianista - depois enveredou pela astrofísica; Pedro (1969; saxofonista); e João (1970; trompetista).



A partir de 1968, por obrigações profissionais ligadas à engenharia, Binau foi abandonando progressivamente a música, a ela regressando no início dos anos 1980, primeiro como mentor dos filhos e depois como professor na Escola de Jazz do HCP, entre 1988 e 1994, na cadeira de Introdução ao Jazz. Entretanto, fora eleito director do clube em 1992, cargo que manteve até 2009.




Uma vida e uma família Benfiquista de alto gabarito! 



Até Sempre, Mestre do "meu" Jazz!


Alberto Miguéns

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