15 junho 2022

Vigarice ou Meia-Vigarice é Sempre Vigarice

ESTE ASSUNTO DOS CAMPEONATOS DE PORTUGAL SEREM CONSIDERADOS TAÇAS DE PORTUGAL ESTÁ MAIS QUE ESCLARECIDO.

Aparece agora uma "nova tese", ou seja, "uma meia-tese" entre a tese absurda e a tese legal. Assim como um meio-absurdo é absurdo pois não há meio, tal como não há meia-mentira. Esta é também mentira.

 

Vamos às três teses, a quatro notas e a uma anotação

Para terminar de vez com isto que, ao que parece, será votado dia 29 deste mês em Assembleia Geral. Aproveitem para fazer mais votações, desde a verdadeira data de fuindaçãom do FC Porto a definir em que dia e ano foi fundado Portugal.


TRÊS TESES


A absurda (pedido do Sporting CP)

Era fazer equivaler os 17 campeonatos de Portugal (1921/22 a 1937/38) a Campeonatos Nacionais, ilegalizar os quatro campeonatos da I liga e da II Liga (1934/35 a 1937/38) inventando que foram "Experimentais" (pois em quatro não conquistaram nenhum) para acrescentar quatro títulos ao palmarés do Sporting CP (1922/23,  1933/34, 1935/36 e 1937/38) e retirar o Tricampeonato Nacional, entre 1935/36 a 1937/38, ao SL Benfica. Ao que parece nem vai a votação. Pudera! 

 

A Meia-absuda que também é absurda (a de uns universitários do Porto)

Era fazer os 13 iniciais campeonatos de Portugal (1921/22 a 1933/34) iniciais a campeonatos nacionais e os quatro últimos campeonatos de Portugal (1934/35 a 1937/38) a Taças de Portugal, ou seja, um modelo hibrído. Os quatro últimos campeonatos de Portugal - mesmo disputando-se exctamente por eliminatórias como os 13 anteriores - seriam Taças de Portugal por coexistir com o campeonato da I e II Liga que se disputavam primeiro. Primeiro objectivo descarado: fazer com que o FC Porto tenha mais um título que o Benfica, pois nesses 13 campeonatos de Portugal houve sete clubes que venceram as finais: FC Porto (3: 1921/22, 1924/25 e 1931/32), CF "Os Belenenses" (3: 1926/27, 1928/29 e 1932/33), SL Benfica (2: 1929/30 e 1930/31), Sporting (2: 1922/23 e 1933/34), SC Olhanense (1923/24), CS Marítimo (1925/26) e Carcavelinhos FC (1927/28). Segundo objectivo descarado: fazer com que o Benfica deixe de ser totalista em presenças nos campeonatos nacionais. O FC Porto e o Sporting CP passariam a ser os únicos totalistas, com 102/102 presenças (13 como campeonato de Portugal + 4 como campeonato da I Liga + 85 como campeonato da I Divisão e restantes nomes que tem tido últimamente). O SL Benfica passaria a ser o terceiro clube em presenças, com 97 (8 como campeonato de Portugal + 4 como campeonato da I Liga + 85 como campeonato da I Divisão e restantes nomes que tem tido últimamente). Ao que consta vai a votação pelos sapientes doutos em historiografia futeboleira nacional.

 

A legalidade (do reconhecido Francisco Pinheiro, da UC Coimbra)

Que conhece o que se passou:

1. Decisão dos Órgãos da FPF em 1938/39 (clicar);

2. Regozijo de e em toda a Imprensa da época (clicar);

3. O que fez a Federação espanhola numa situação idêntica (clicar).

Os 17 campeonatos de Portugal são TODOS a competição que depois continuou como Taça de Portugal. São a Taça de Portugal ainda que com um nome inicial falacioso.

 

QUATRO NOTAS 

Que permitem avaliar o absurdo e o outro absurdo ainda que queiram fazer dele uma espécie de meio-absurdo.


Edição 1921/22 (I)

Foi decidido que a primeira edição seria entre o campeão regional da A.F. Porto e o campeão regional da A.F. Lisboa com a final em campo neutro (Coimbra) Apurados os campeões, respectivamente, FC Porto e Sporting CP um dirigente (Raúl Nunes) da então UPF, actual FPF desloca-se a Coimbra constatando que os dois campos onde se jogava futebol não tinham condições para receber o jogo. Decide-se disputar o troféu em duas mãos. Devido a haver uma vitória para cada clube disputa-se uma final para apurar o campeão de Portugal. O FC Porto fez três jogos mas podia só ter havido um se Coimbra tem um campo com condições mínimas. Que grande competição a nível nacional resumindo-se a um jogo em Lisboa e dois jogos no Porto.  

 


Edição 1922/23 (II)

Foi decidido que jogariam seis campeões regionais - Algarve, Braga, Coimbra, Lisboa, Madeira e Porto -  mas os de Lisboa e Porto só jogariam as meias-finais e um deles a final. Havia quatro clubes para apurar os outros dois semi-finalistas. As "despesas" foram realizadas pela equipa da Associação Académica de Coimbra que eliminou o SC Braga, Lusitano FC (Vila Real de Santo António) e o CS Marítimo. Um campeonato de Portugal com mais clubes (seis) que jogos (cinco) e com um clube a fazer quatro! O Sporting CP fez dois e os outros quatro, um jogo para cada um! Um campeonato de Portugal jogado em quatro cidades para cinco jogos: Lisboa (dois jogos), Porto (um jogo), Coimbra (um jogo) e Faro (um jogo). O Sporting CP conquistou o troféu com dois jogos, um em Coimbra (a vergonha de não existir campo, com bancadas, em Coimbra, para o jogo em 1922 foi resolvida num ano!) e outro em Faro. 

 


Edição 1925/26 (V)

Participaram doze campeões regionais mas o do Algarve (SC Olhanense) ficou isento na primeira eliminatória (mais ou menos oitavos-de-final) e decidido que o campeão da Madeira (SC Marítimo) entraria em competição nas meias-finais. No total disputaram-se onze jogos, ou seja, mais uma vez, menos jogos que clubes. O CS Marítimo sagrou-se vencedor do troféu com apenas... dois jogos, um em Lisboa (Campo Grande) e outro no Porto (Ameal). Jogando um total de 155 minutos (90 + 65). Que grande competição em tamanho e a nível nacional. O CS Marítimo despachou-se bem e depressa.


 

Edição 1929/30 (IX)

Participaram 29 clubes, mas o campeão da Madeira só iniciou a competição nos quartos-de-final. Primeira eliminatória (28 clubes com 14 jogos) seguindo-se três eliminatórias com jogos a duas mãos e final. O SL Benfica conquistou o troféu realizando nove jogos mas sem nunca sair de Lisboa ou quase. Os nove jogos foram TODOS em Lisboa ou quase, pois o primeiro foi em Santarém a 81 quilómetros de Lisboa pela antiga EN 1. Em Lisboa (com rigor) foram oito. Que grande competição (em jogos) mas a nível local... para o Benfica.



UMA ANOTAÇÃO


Seja qual for a decisão tomada na tal assembleia geral prevista para 29 de Junho

Este blogue continuará a registar as competições como foi decidido pela FPF em 1938 mas fazendo sempre uma ressalva indicando qual o número de títulos "oficializados" se for aprovada a proposta semi-absurda também absurda. E faz por três motivos:

1. Honrando os dirigentes de então e a sua coragem em decidir o que há muito vinha sendo pedido;

2. Honrando os inúmeros adeptos, principalmente jornalistas, que pediam clarificação nas designações, pois o Campeonato de Portugal não era um campeonato a pontuar mas uma competição a eliminar;

3. Honrando a verdade, pois se a decisão da FPF em 1938 for revogada por uma decisão da FPF em 2022, abre-se um precedente em que sempre que uma Direcção da FPF, no futuro... quiser, pode rever o que foi revisto em 2022. Se esta FPF pode enxovalhar os seus dirigentes de 1938 também no futuro poderão fazer o mesmo aos de 2022. 


Já nem há pachorra para estes revisionistas.

 

Alberto Miguéns


NOTA: Sempre que posso procuro comparar a minha informação com outras plataformas em que esteja disponível igual informação. O portal zerozero está errado (clicar). Como se pode verificar consultando o jornal da época «Diário de Lisboa» (clicar)




14 comentários:

  1. A verdade histórica não está sujeita a interpretações. Haja bom senso, inteligência e acima de tudo respeito pelos dirigentes que decidiram o que havia a decidir na década de 30.

    Já chega de tanta estupidez e de tanta falta de respeito.
    Preocupem-se com o presente e com o futuro. Resolvam o problema da corrupção, do compadrio, da falta de competitividade, com a violência dentro e fora de campo. Cultivem valores e defendam o Futebol. Sejam dignos e dignifiquem para serem dignificados.

    Alberto Miguéns uma vez mais simplifica, expõe e demonstra, provando, qual é a verdade histórica. Obrigado, por mais um artigo certeiro e eficaz.

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  2. Boa noite...

    Rezemos agora para que o Benfica faça o seu papel, esclareça e ilumine as cabeças decisoras na Assembleia Geral, e se consiga vislumbrar o absurdo e a injustiça das duas visões distintas da que aqui tem sido apresentada -com justeza e rigor histórico.
    Parece-me a que a tal visão "semi-absurda", visto que " aumenta" o número de títulos de Belenenses, Marítimo e Olhanense, por exemplo, foi assim urdida com o sentido de influenciar a votação deste clubes e doutros mais periféricos ou que simpatizem com a "causa".

    Abraço. Saudações gloriosas das terras de Besteiros.
    Ricardo

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  3. Um dia destes acordamos e vimos o ferandinho das faturas e sua estripe dizerem que os CORRUPTOS tem mais campeonatos que o GLORIOSO BENFICA.
    que muda a história do APITO DOURADO muda tudo.

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  4. Mais uma aberração do futebol português, como é possível isto ainda ir a votação?

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  5. Caríssimo,

    Essa é mesmo uma área que não domino, e quando não sei, não invento. Mas todos os factos bem documentados que tem aqui deixado, validam a sua tese, mas também a tese do Francisco Pinheiro que, creio que irá prevalecer.

    Bom, provavelmente em julho, os pintores em Alvalade vão ter uma grande "trabalhêra", mas não só, neste defeso, o Sporting vai perder 4 campeonatos de uma assentada, campeonatos que, nunca tinha conquistado, todavia, ora no Estádio, ou no autocarros, ainda são orgulhosamente ostentados, e de forma abusiva, porque não havia qualquer confirmação oficial, a validar esses 4 títulos. Enfim, como todos sabemos, são diferentes, são mesmo de linhagem fidalga e nobre!

    Saudações desportistas

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  6. Parece-me um documento histórico do qual o Benfica e todos os Benfiquistas deverão fazer cavalo de batalha. Um pormenor, o título parece-me conter um engano. Peço que a bem do rigor e para que este documento não seja desacreditado ele seja acertado

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  7. Caro Sr. Alberto
    Já dei por mim várias vezes a pensar qual terá sido o fator mais importante na decisão tomada pela FPF nos anos 30. Acho eu que existiram dois fatores muito pesados nessa avaliação.
    O primeiro terá sido a liga inglesa, a mãe/pai do futebol. Já antes da criação da liga inglesa existiu a Taça de Inglaterra, mais conhecida por FA Cup e iniciada em 1872. A liga inglesa, na altura "Football League First Division", foi criada em 1888. Nesses primeiros 15/16 anos, só existiu a FA Cup. E os vencedores da FA Cup também eram apelidados de campeões. Apesar disso, nunca esses campeões somaram esses títulos ao de campeões da liga, mas sim aos da Taça de Inglaterra.
    O outro fator de peso, chama-se Espanha, os nossos vizinhos, onde nos baseámos quando criámos tanto o campeonato de Portugal como o campeonato nacional. Não vale a pena explicar tudo outra vez, basta ler os seus excelentes textos. O que se pode relembrar é que também os espanhóis não somaram as primeiras copas de Espanha, iguais ao formato do nosso campeonato de Portugal, às ligas espanholas, mesmo quando só existia Copa de Espanha.
    Porquê, então, querer mudar a história? Simples: não existindo motivo válido, há sempre um que prevalece sobre todos os outros - porque a culpa é do Benfica. Os lagartos são isso mesmo, querem desde o berço ser tão grandes como o Benfica, nem que tenham de recorrer a todas as trapaças para o conseguir.
    A última veio de um tal de Dr. Dias Ferreira: "É inconcebível isto ser votado em Assembleia Geral. É um ato cobarde". Eu até posso nem estar de acordo com esta tentativa de alteração da história. No entanto, considerar uma decisão a ser tomada pela maioria dos interessados, que são os clubes e demais associações, uma cobardia, só pode vir de mentes saudosas dos tempos anteriores ao 25 de abril de 1974. Como é que é possível existir ainda gente deste calibre? Só vindo de condes e viscondes.

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  8. "ESTE ASSUNTO DOS CAMPEONATOS NACIONAIS SEREM CONSIDERADOS CAMPEONATOS NACIONAIS ESTÁ MAIS QUE ESCLARECIDO." ???

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  9. Caro Alberto,

    Como refere e muito bem (como é seu hábito) a situação aqui é igual à que aconteceu na história do futebol espanhol, até na evolução da estrutura das competições. Ainda hoje a Taça de Espanha tem como designação oficial Campeonato de España-Copa de Su Majestad el Rey.

    Noutros países também a Taça nacional surgiu antes dos campeonatos nacionais (liga). Por exemplo em Inglaterra, onde não consta que alguém quisesse ter mudado a história para incluir os primeiros vencedores na lista de campeões nacionais.

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  10. O respeito que havia pela equipa grande visitante!

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  11. Já agora, dos tais "grupos" de "estudiosos" (duplas aspas), pelos vistos, NINGUÉM foi ao relatório e Contas da Federação Portuguesa de Futebol, do ano 1938-39, onde está lá, preto no branco; " a partir deste ano, o Campeonato de Portugal PASSA A DESIGNAR-SE Taça de Portugal e a I e II Ligas passam a designar-se Campeonatos Nacionais da 1ª e 2ª Divisão". Nem é preciso mais "estudos".

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  12. Esta matéria nem deveria ser alvo de discussão! Está tão bem documentada, que só uma mente retorcida seria capaz de a colocar em causa. Todavia, levar isto a discussão, com todos os interesses visíveis e invisíveis (aquela tese feita no Porto é surreal!) que se possam imaginar, significa que a história pode mesmo ser alterada, e se assim for, será apenas mais uma ENORME vergonha para o nosso país...

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  13. Caríssimo Alberto.

    Só quero deixar uma pequenina nota, já que referiu algumas vezes "menos jogos que clubes". Pode verificar que, jogando-se apenas uma mão, numa prova a eliminar haverá sempre menos um jogo que o número de clubes. Ou seja com 16 clubes, terá 15 jogos - 8+4+2+1, com 32 clubes, 31 jogos, 16+8+4+2+1, sendo que o mesmo é verdadeiro, com um número ímpar de clubes; 31 clubes farão 15+8+4+2+1 -- 30 jogos, etc.


    Saudações gloriosas

    Alberto de Carteado Malheiro

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