A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o Sport Lisboa e Benfica e a sua Gloriosa história. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

SEMANADA: ÚLTIMOS 7 ARTIGOS

07/08/2017

Banha do Cobra

07/08/2017 + 0 Comentários
NÃO VALE TENTAREM ENGANAR-NOS COM RETÓRICA "BOTÃO DE ROSA".


O Benfica foi sempre um clube que promoveu a formação de futebolistas. É um histórico do futebol mundial e tem feito história na formação de jogadores para o futebol.

NOTA INICIAL: Texto longo. Para quem não tiver tempo nem paciência é ir para o último "capítulo": «Muito antes, antes e agora».

E foi muitas vezes pioneiro
Em quase 114 épocas já foram muitas as fórmulas. Umas vezes com determinados objectivos que são diferentes conforme a estratégia do Clube, outras tentando que a inovação trouxesse sucesso de imediato noutras ocasiões esperando a médio prazo. Escrever acerca dos quatro grandes períodos da "Formação de Futebolistas" é Benficar com regresso à essência do Benfiquismo.

Seixalão

Aquilo por que todos ansiávamos concretizou-se - o Presidente Luís Filipe Vieira apresentou publicamente as novas obras e o novo investimento na nossa Academia de Futebol. O Seixal será, cada vez mais, a âncora do Sport Lisboa e Benfica do futuro. Basta olharmos atentamente para os jovens jogadores 'made in Benfica' que, neste momento, integram o plantel da nossa equipa principal.
Bruno Varela (vai para a 10.ª época no clube), Aurélio Buta (7.ª época), Pedro Pereira (8.ª época), Rúben Dias (10.ª época), André Horta (9.ª época), João Carvalho (9.ª época) e Diogo Gonçalves (10.ª época) são sete bons exemplos. Já para não falar em outros quatro jovens muito promissores que têm treinado com a equipa A - Francisco Ferreira ('Ferro'), Pedro Rodrigues ('Pêpê'), Heriberto Tavares e José Gomes, sendo que este ultimo, na época passada, alinhou em 5 jogos pela equipa tetracampeã, destacando-se a sua estreia na Champions e os 3 jogos na Liga. Além dos 90 minutos num dos jogos da campanha vitoriosa da Taça de Portugal.
A estes jovens talentos teremos que elencar os nossos dez embaixadores - João Cancelo, Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro, Hélder Costa, André Gomes, Renato Sanches, Gonçalo Guedes, Ederson, Lindelof e Nélson Semedo.
Estes 21 exemplos provam que o caminho traçado por Luís Filipe Vieira é o caminho certo. Todos gostamos de olhar para os títulos conquistados. São já 11 os Campeonatos Nacionais conquistados (1 de Juniores, 4 de Juvenis e 6 de Iniciados) desde 2006/07. Quantos aos títulos distritais... são tantos que já lhes perdi a conta! Já para não falar nos dois inéditos títulos de vice-campeão europeu de Juniores

Pedro Guerra; O Benfica; 4 de Agosto de 2017


Este texto num jornal de prestígio mistura verdade com demagogia e lagartismo
1. O Benfica actualmente não tem prioridade em conquistar títulos de campeão nacional nas categorias de juniores, juvenis e iniciados. Por isso fazer contabilidade disso é ridículo porque esconde a realidade. Em 2003/04, o Benfica com 22 títulos (Juniores) tinha mais quatro troféus que o FC Porto (18) e mais doze que o Sporting CP (dez). Passadas 13 temporadas, conquistando um título (2012/13) tem o FC Porto a um troféu (22) e o Sporting CP a cinco (17). Estavam a quatro e a doze, respectivamente, em 2003/04. Fazendo o mesmo exercício para os Juvenis, em 2000/01 o "Glorioso" tinha 13 triunfos no respectivo campeonato nacional, estando a dois do FC Porto (15) e com mais seis que o Sporting CP (7). Dezasseis épocas depois, em 2016/17, o FC Porto elevou para 20 (mais três que os 17 do SLB) e o Sporting CP (com 13, está a quatro). Em 16 temporadas o FC Porto conquistou mais um triunfo que o "Glorioso" e o Sporting CP arrecadou mais dois que o Benfica. Em Iniciados o Benfica com uma política mais conservadora - colocando menos atletas mais evoluídos nas categorias etárias acima - conseguiu "recuperar" títulos. Desde 2001/02 (ou seja desde que deixou de haver interrupções devido a protestos por idades "aldrabadas") em 16 temporadas os títulos repartem-se por: SL Benfica (seis), Sporting CP (seis) e FC Porto (quatro). Mas com o "Glorioso" a ser hegemónico nas últimas nove temporadas (os seis triunfos) deixando apenas dois para o Sporting CP e um para o FC Porto;
2. É evidente que a aposta do Benfica é mais no Futebolista em termos individuais que dentro do colectivo. Daí a preocupação com as suas internacionalizações fazendo com que os melhores juvenis joguem entre os juniores e os melhores juniores na Equipa B. Ou seja, adiantar o desenvolvimento das características técnicas, físicas  tácticas dos melhores para valorizá-los como activos a aproveitar na equipa principal e/ou transaccionar;
3. Ficar em segundo lugar não é um título. Isso dos títulos de vice-campeão foi inventado pelo Sporting CP. Só valoriza o primeiro lugar dos últimos (2.º classificado) ou finais perdidas quem não consegue conquistar as competições ou apenas consegue conquistas esporádicas e espaçadas. O Sporting CP, por exemplo, tem mais títulos de vice-campeão no principal escalão do futebol português que títulos de campeão. Em 83 campeonatos da I Liga/Nacional da I Divisão têm 18 títulos de campeão e 21 títulos de vice-campeão. 39 títulos. Mais três que os 36 do "Glorioso". Ficamos bem assim. Paciência!


FASE III e IV

Formar para reforçar ou para transaccionar
As grandes mudanças depois dos anos 40 foram no sentido de continuar a ter equipas competitivas a tentar conquistar os títulos de campeão de Lisboa e de Portugal. O "Glorioso" foi sempre - em termos globais, pois há sempre períodos com más decisões, numa organização feita e decidida por pessoas - o melhor clube a formar futebolistas. Até ao final do século XX com a preocupação de conquistar todos os títulos mas dando prioridade aos de maior escalão etário por serem os futebolistas que estavam mais próximo de reforçarem a equipa sénior, a Reserva ou permitirem "trocas" de futebolistas com outros clubes. Depois com a entrada no século XXI e principalmente com a "Fábrica de Talentos" no Seixal a prioridade deixou de ser conquistar títulos colectivos com reflexo naqueles que são os dos escalões mais elevados, daí a escassez de conquistas colectivas nos Juniores.

CRONOLOGIA DOS NACIONAIS
FUTEBOL (Formação)
Épocas
Equipas Formação
Juniores
Juvenis
Iniciados
Infantis
38/39
01.SCP
--
--
--
39/40
01.CUF
--
--
--
40/41
--
--
--
--
41/42
01.LSC
--
--
--
42/43
--
--
--
--
43/44
01.SLB
--
--
--
44/45
02.SLB
--
--
--
45/46
02.SCP
--
--
--
46/47
01.CF"B"
--
--
--
47/48
03.SCP
--
--
--
48/49
03.SLB
--
--
--
49/50
01.AAC
--
--
--
50/51
04.SLB
--
--
--
51/52
02.AAC
--
--
--
52/53
01.FCP
--
--
--
53/54
03.AAC
--
--
--
54/55
05.SLB
--
--
--
55/56
04.SCP
--
--
--
56/57
06.SLB
--
--
--
57/58
07.SLB
--
--
--
58/59
08.SLB
--
--
--
59/60
09.SLB
--
--
--
60/61
05.SCP
--
--
--
61/62
10.SLB
--
--
--
62/63
11.SLB
01.SCP
--
--
63/64
02.FCP
01.SLB
--
--
64/65
06.SCP
02.SCP
--
--
65/66
03.FCP
01.FCP
--
--
66/67
--
01.AAC
--
--
67/68
12.SLB
02.SLB
--
--
68/69
04.FCP
03.SLB
--
--
69/70
13.SLB
02.FCP
--
--
70/71
05.FCP
03.FCP
--
--
71/72
14.SLB
04.FCP
--
--
72/73
06.FCP
05.FCP
--
--
73/74
07.SCP
04.SLB
--
--
74/75
15.SLB
05.SLB
01.FCP
--
75/76
16.SLB
03.SCP
01.CFB
--
76/77
01.SCB
06.FCP
02.FCP
--
77/78
17.SLB
01.Lam
03.FCP
--
78/79
07.FCP
07.FCP
01.SLB
--
79/80
08.FCP
08.FCP
04.FCP
--
80/81
09.FCP
01.SCB
05.FCP
--
81/82
10.FCP
09.FCP
02.SLB
--
82/83
08.SCP
06.SLB
01.SCP
--
83/84
11.FCP
04.SCP
02.SCP
--
84/85
18.SLB
10.FCP
03.SLB
--
85/86
12.FCP
11.FCP
06.FCP
--
86/87
13.FCP
05.SCP
03.SCP
--
87/88
19.SLB
12.FCP
01.BFC
01.FCP
88/89
20.SLB
13.FCP
04.SLB
01.SLB
89/90
14.FCP
07.SLB
07.FCP
02.SLB
90/91
01.VGu
08.SLB
02.BFC
01.BFC
91/92
09.SCP
09.SLB
04.SCP
01.SCP
92/93
15.FCP
10.SLB
05.SCP
02.FCP
93/94
16.FCP
06.SCP
06.SCP
02.BFC
94/95
01.BFC
14.FCP
03.BFC
02.SCP
95/96
10.SCP
11.SLB
01.VGu
03.SLB
96/97
02.BFC
12.SLB
08.FCP
03.SCP
97/98
17.FCP
15.FCP
09.FCP
--
98/99
03.BFC
07.SCP
--
--
99/00
21.SLB
01.BFC
10.FCP
--
00/01
18.FCP
13.SLB
--
--
01/02
01.Alv
16.FCP
11.FCP
--
02/03
04.BFC
17.FCP
07.SCP
--
03/04
22.SLB
08.SCP
08.SCP
--
04/05
11.SCP
09.SCP
12.FCP
--
05/06
12.SCP
10.SCP
09.SCP
--
06/07
19.FCP
11.SCP
13.FCP
--
07/08
13.SCP
14.SLB
10.SCP
--
08/09
14.SCP
18.FCP
05.SLB
--
09/10
15.SCP
19.FCP
06.SLB
--
10/11
20.FCP
15.SLB
14.FCP
--
11/12
16.SCP
20.FCP
07.SLB
--
12/13
23.SLB
16.SLB
11.SCP
--
13/14
02.SCB
01.VGu
08.SLB
--
14/15
21.FCP
17.SLB
12.SCP
--
15/16
22.FCP
12.SCP
09.SLB
--
16/17
17.SCP
13.SCP
10.SLB
--
SLB
23
17
10
3
FCP
22
20
14
2
SCP
17
13
12
3
BFC
  4
  1
  3
2
AAC
  3
  1
-
-
SCB
  2
  1
-
-
VSC
  1
  1
  1
-
CF"B"
  1
-
  1
-
CUF
  1
-
-
-
LSC
  1
-
-
-
FCA
  1
-
-
-
C.Lam
  -
 1
-
-
76
55
41
10

FASE I

Do Sport Lisboa a Sport Lisboa e Benfica
O sucesso do futebol Benfiquista durante as duas primeiras décadas da existência do Clube deveu-se à sapiência e apego de Cosme Damião na organização do futebol, essencialmente a partir de 1 de Maio de 1909 quando é nomeado pelos dirigentes eleitos em 26 de Fevereiro de 1909, como "capitão-geral"! Muito por acção do vice-presidente Alfredo Alexandre Luís da Silva com óbvio consentimento do presidente João José Pires. Por ser um director (Alfredo Silva) com a responsabilidade de "orientação do futebol" delegando em Cosme Damião proveniente do Sport Lisboa. Apesar de Cosme Damião ser associado dos dois clubes: fundador do Sport Lisboa em 28 de Fevereiro de 1904 e associado n.º 81 do Sport Benfica, aprovado em 27 de Outubro de 1907. É bom recordar que fazia parte do acordo de junção (artigo n.º 2) aprovado em reunião conjunta a 2 de Setembro de 1908, os dois clubes não perderem a sua individualidade. Ou seja, no Sport Lisboa e Benfica, o Sport Lisboa mantinha o "controle" do futebol e o Sport Benfica "controlava" a estratégia directiva: abrangência social, infraestruturas e desenvolvimento desportivo no pedestrianismo (atletismo) e velocipedia (ciclismo), o depois denominado eclectismo desportivo.


Cosme Damião (à direita) capitão da 1.ª categoria e "Capitão-Geral" (treinador e orientador) e os capitães das outras três categorias em 1914/15: Horácio Ferreira (4.ª categoria), Mário Monteiro (2.ª categoria) e Arnaldo Sobral (3.ª categoria)

Cosme Damião e a estrutura vertical dinâmica
O nosso "mais que tudo" depressa implantou no Clube uma estrutura vencedora baseada na competência e apego clubístico dos futebolistas. Estes iniciavam-se nas categorias inferiores e ascenderiam à imediatamente superior quando revelassem apetência para tal - boa condição física, melhoria da técnica individual, boa interpretação táctica dentro do colectivo, pontualidade, treinamentos, resposta às necessidades, integração no espírito colectivo da equipa e Benfiquismo. E foi assim que se foram criando várias categorias.

Estreias das categorias
Categoria
1.ª
2.ª
3.ª
4.ª
Época
1904/05
1904/05
1906/07
1909/10
Data
1 Janeiro
19 Fevereiro
3 Fevereiro
14 Novembro
Resultado
V 1-0
V 1-0
V 3-0
V 1-0
Adversário
Grupo do Campo de Ourique
Grupo do Campo de Ourique
Internacional (CIF)
Sport Grupo Palhavã
(1.ª categoria)

Pensar o futebol honrando os ases que honraram o passado do Clube
Tal como havia ascensão também se fazia a "descida" dentro da estrutura das várias equipas (categorias). Geralmente por questões físicas (idade) mas também por falta de treino, devido a uma menor disponibilidade para o futebol devido a afazeres pessoais (vida familiar) e profissional (emprego). Mas Cosme Damião continuava a dar-lhes toda a importância, pois percebia que ter em coexistência nas categorias "inferiores" futebolistas veteranos multi-campeões com futebolistas jovens a iniciar-se no desporto era dar-lhes uma "injecção de Benfiquismo" para toda a vida. E a responsabilidade de continuarem a vencer e conquistar honrando os veteranos. Como depois Félix Bermudes (um bom exemplo de quem ascendeu até à 1.ª categoria e depois "desceu" até à 3.ª categoria) verteu para a letra do Hino de 1929: "Honrai agora os ases que nos honraram o passado"! É que nessas categorias (que para Cosme Damião não eram "inferiores", porque formavam um todo) jogavam veteranos com mais de 40 anos e jovens com pouco mais de 10 quase com idade, nesse tempo, para serem seus netos.

CAMPEÕES REGIONAIS DE LISBOA (1906/07 - 1925/26)
Época
1.ª
2.ª
3.ª
4.ª
1906/07
Carcavellos
-----------
-----------
-----------
1907/08
Carcavellos
-----------
-----------
-----------
1908/09
Carcavellos
Internacional
CS Império
-----------
1909/10
SL Benfica
SL Benfica
SL Benfica
-----------
1910/11
Internacional
SL Benfica
SL Benfica
-----------
1911/12
SL Benfica
GS Cruz Quebrada
SL Benfica
Sporting CP
1912/13
SL Benfica
SL Benfica
SL Benfica
Sporting CP
1913/14
SL Benfica
SL Benfica
SL Benfica
SL Benfica
1914/15
Sporting CP
SL Benfica
SL Benfica
SL Benfica
1915/16
SL Benfica
SL Benfica
SL Benfica
SL Benfica
1916/17
SL Benfica
Vitória FC Setúbal
SL Benfica
SL Benfica
1917/18
SL Benfica
SL Benfica
GD Fábrica Seixas
GF Benfica
1918/19
Sporting CP
SL Benfica
SL Benfica
SL Benfica
1919/20
SL Benfica
SL Benfica
União F Lisboa
GF Benfica
1920/21
Casa Pia AC
SL Benfica
SL Benfica
GF Benfica
1921/22
Sporting CP
Vitória FC Setúbal
SL Benfica
Carcavelinhos FC
1922/23
Sporting CP
CF "Os Belenenses"
União F Lisboa
SL Benfica
1923/24
Vitória FC Setúbal
Carcavelinhos FC
Sporting CP
CF "Os Belenenses"
1924/25
Sporting CP
Carcavelinhos FC
Império LC
SL Benfica
1925/26
CF "Os Belenenses"
Vitória FC Setúbal
SL Benfica
Carcavelinhos FC
TOTAIS
8 em 20
40 %
10 em 18
56 %
12 em 18
67 %
7 em 15
47 %

Três épocas inéditas: 1909/10, 1913/14 e 1915/16
O SL Benfica foi o único clube, entre 1908/09 e 1947/48, ou seja durante 40 temporadas (23 com quatro categorias - 1911/12 a 1933/34 - e as restantes 17 com três categorias) que conquistou a totalidade dos títulos: 1909/10 (três títulos de campeão regional) e 1913/14 e 1915/16 (ambas com quatro títulos de campeão regional). O Sporting CP viria a obter uma proeza idêntica, mas já com a competição reduzida a três categorias, em 1934/35. Inolvidável e inigualável "Glorioso". Três vezes a fazer o pleno!

O Grupo Infantil
O Benfica conseguiu em meados dos anos 10 ter uma quinta equipa, constituída por um grupo de jogadores muito jovens - 12/13 anos - que foi denominado "Grupo Infantil" para não ter a designação de 5.ª categoria, que tinha um significado pejorativo devido a dizer-se "é uma equipa de 5.ª categoria".

FASE II

António Ribeiro dos Reis e a nova concepção do Futebol Benfiquista
Com o afastamento de Cosme Damião aquando nas eleições em 8 de Agosto de 1926, ao não aceitar o cargo de presidente querendo ser vice-presidente para continuar a liderar o futebol e não presidente tendo como vice-presidente Ribeiro dos Reis, o futebol do "Glorioso" passou a ter uma nova orgânica. O Benfica finalmente enveredou pelo semi-profissionalismo contratando futebolistas a outros clubes. Se os efeitos desta nova política para o futebol não tiveram grande impacto nas conquistas regionais da 1.ª categoria, permitiram as primeiras conquistas nacionais no Campeonato de Portugal (antepassado da Taça de Portugal) e no campeonato da I Liga (antepassado do Campeonato Nacional da I Divisão). O Benfica conquistou um inédito Bicampeonato/Taça de Portugal (1929/30 e 1930/31), mais um Campeonato/Taça de Portugal (1934/35) e o Tricampeonato da I Liga (1935/36, 1936/37 e 1937/38), antes de conquistar o campeonato de Portugal já devidamente denominado Taça de Portugal (1939/40 e 1942/43) e o Bicampeonato nacional da I Divisão (1941/42 e 1942/43), nesta última temporada - 1942/43 - com a primeira "dobradinha" de uma história gloriosa!

CAMPEÕES REGIONAIS DE LISBOA (1926/27 - 1947/48)
Época
1.ª
2.ª
3.ª
4.ª
1926/27
Vitória FC Setúbal
SL Benfica
CF "Os Belenenses"
Carcavelinhos FC
1927/28
Sporting CP
Carcavelinhos FC
SL Benfica
Casa Pia AC
1928/29
CF "Os Belenenses"
SL Benfica
SL Benfica
Casa Pia AC
1929/30
CF "Os Belenenses"
CF "Os Belenenses"
CF "Os Belenenses"
SL Benfica
1930/31
Sporting CP
SL Benfica
CF "Os Belenenses"
Sporting CP
1931/32
CF "Os Belenenses"
CF "Os Belenenses"
SL Benfica
União F Lisboa
1932/33
SL Benfica
CF "Os Belenenses"
SL Benfica
União F Lisboa
1933/34
Sporting CP
CF "Os Belenenses"
Carcavelinhos FC
União F Lisboa
1934/35
Sporting CP
Sporting CP
Sporting CP
-------------
1935/36
Sporting CP
SL Benfica
SL Benfica
-------------
1936/37
Sporting CP
CF "Os Belenenses"
Carcavelinhos FC
-------------
1937/38
Sporting CP
Sporting CP
SL Benfica
-------------
1938/39
Sporting CP
SL Benfica
SL Benfica
-------------
1939/40
SL Benfica
Sporting CP
SL Benfica
-------------
1940/41
Sporting CP
SL Benfica
Sporting CP
-------------
1941/42
Sporting CP
Sporting CP
SL Benfica
-------------
1942/43
Sporting CP
SL Benfica
SL Benfica
-------------
1943/44
CF "Os Belenenses"
CF "Os Belenenses"
SL Benfica
-------------
1944/45
Sporting CP
SL Benfica
SL Benfica
-------------
1945/46
CF "Os Belenenses"
CF "Os Belenenses"
Sporting CP
-------------
1946/47
Sporting CP
CF "Os Belenenses"
SL Benfica
-------------
1947/48
Sporting CP
CF "Os Belenenses"
CF "Os Belenenses"
-------------
TOTAIS
2 em 22 (1)
9 %
8 em 22 (2)
36 %
13 em 22
59 %
1 em 8
13 %
NOTA: (1) O Sporting CP arrasou com 14 títulos em 22 temporadas, o CF "Os Belenenses" conquistou cinco títulos, o SL Benfica dois triunfos e o Vitória FC Setúbal (antes da criação do distrito de Setúbal e respectiva associação regional) conquistou o outro título de campeão regional de Lisboa;
         (2) O CF "Os Belenenses" conquistou nove títulos (mais um que o Benfica)

António Ribeiro dos Reis e a separação
Este enorme Benfiquista e desportista, pensador e inovador do futebol em Portugal (a par de Cândido de Oliveira) desde que deixara a prática do futebol como jogador da 1.ª categoria (no final de 1924/25) que estava integrado na estrutura criada por Cosme Damião, o «Conselho Técnico». Ribeiro dos Reis foi sempre um defensor da separação entre veteranos e adolescentes. Por isso impulsionou em meados dos anos 20 a criação do campeonato regional para a Categoria Infantil (na prática os actuais juniores) impedindo a sua presença nas equipas seniores, mesmo da 3.ª categoria. Um inovador. E recordemos que Ribeiro dos Reis apesar de exercer o cargo de seleccionador nacional na temporada de 1925/26, também jogava na 3.ª e 4.ª categoria do Benfica, sagrando-se campeão regional pela 3.ª categoria. Ou seja fazendo o percurso descendente tão do agrado de Cosme Damião.


Muito antes, antes e agora
O Benfica foi SEMPRE o clube a formar, em quantidade e qualidade mais futebolistas em Portugal. Com Manuel Gourlade/Cosme Damião (1904/05 a 1925/26) por uma questão de Ideologia Benfiquista, com Ribeiro dos Reis/Janos Biri (1926/27 a 1947/48) por uma questão de tradição, com Bogalho/Valdivielso (anos 50) até anos 60 (Ângelo) por questão de necessidade. O Benfica estava limitado aos futebolistas portugueses, por isso desesperava por conseguir obtê-los na Formação ou não tendo qualidade conseguir em quantidade para depois envolvê-los nas transacções de futebolistas de outros clubes. Nos anos 50 apesar de Moçambique/Angola ser o principal "mercado" houve clubes que viveram bem à conta do Benfica, do tipo «darmos um, recebemos dinheiro e uns três ou quatro do Benfica», como foi o caso do SCU Torreense, o Vitória SC Guimarães, o SC Braga, o SC Covilhã e o Atlético CP. Nos anos 60 continuou a "saga" com o Leixões SC, Vitória FC Setúbal e Vitória SC Guimarães a beneficiarem muito dessa política. O Vitória SC Setúbal com duas transacções - Jaime Graça (1966) e Victor Batista (1971) - recebeu quase uma equipa completa se juntarmos 1966 e 1971. Em 1979, concretizada em 1979, com a "abertura" aos jogadores estrangeiros, o Benfica foi mudando a política de formação dando, com Nené e depois Jesualdo Ferreira, mais força à sua formação social e humana como cidadãos procurando ter valores com valor futebolístico para rejuvenescer o plantel. Actualmente os títulos passaram a ser secundários, principalmente os de Júniores pois a valorização da Equipa B desfalca o plantel júnior. São opções. A minha seria outra. Eu fazia "baixar" os juniores e juvenis aos seus escalões nas respectivas fases finais. Mas os dirigentes sendo eleitos têm legitimidade para tomar as opções que pensam ser as melhores. Eu "conservador Benfiquista" penso que o que vai ficar para o futuro são os títulos nacionais conquistados em cada um dos três escalões. Não fazer tudo o que é possível para os conquistar?

Não percebo nem quero perceber!

Alberto Miguéns




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