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06/07/2017

MVB: Reparar Uma Injustiça

06/07/2017 + 2 Comentários API
EU CONSIDERO MAURÍCIO VIEIRA DE BRITO UM PRESIDENTE À PARTE.
Não sendo, efectivamente, o presidente da Direcção em 2 de Maio de 1962, em Amesterdão, era ele o grande obreiro do Bicampeonato Europeu. Por tudo. Mesmo tudo! Ele e o urso BENFICA oferecido por um "Zoo" holandês aquando da final frente ao Real Madrid CF

Foi o Presidentes-Mecenas. O Benfica tem tido associados de grande craveira profissional, exemplarmente cívicos e de um Benfiquismo de excelência. Considero que três se distinguiram por motivos diferentes. Todos eles elevando, aos píncaros essas características, e conseguindo com isso valorizar o Clube. 



Três gigantes do Dirigismo
Joaquim Ferreira Bogalho foi o Presidente-Ideólogo. Pensava o Benfica. E muito antes de chegar a presidente, em 1952. Foi ele que adaptou o "Glorioso" à realidade, após 1926, quando Cosme Damião vivia uma utopia, e já se escreveu acerca disso neste blogue «Isto é Tão Benfica», em 8 de Agosto de 2016 (clicar). Também Bogalho já teve vários textos, como este «O Presidente Dos Presidentes», em 20 de Maio de 2011 (clicar).

Duarte Borges Coutinho em cronologia é o último dos três. Foi um presidente que deu uma nova dimensão ao cargo. Um Presidente-Institucional. Depois dele o cargo de presidente de um clube nunca mais foi visto e entendido como até ele exercer a gerência. Em Portugal, a nível das presidências dos clubes cuja principal actividade é o Futebol, há um antes e um depois Borges Coutinho. Já se escreveu acerca disso, neste blogue «Muito Mais Que Um Presidente», em 12 de Abril de 2014 (clicar).

Maurício Vieira de Brito é o Presidente-Mecenas. Sucedeu a Bogalho e foi por este indicado como o melhor para lhe suceder. O Benfica em 1956 apresentava uma situação financeira deficitária. Bogalho um dia, numa entrevista, em meados dos anos 60, explicou o porquê de não querer/poder continuar "arriscando-se" a ser Campeão Europeu (como tempo provou) e de ter sido Maurício Vieira de Brito o seu sucessor. O Benfica (os associados) não tinham capacidade financeira para fazer crescer o Benfica. O Benfica necessitava de um presidente rico e ele, Bogalho, não era rico. Só alguém com vasta riqueza e disponível podia potenciar o que estava feito. O Relatório e Contas de 1956 não deixava dúvidas. O Benfica tinha de ter alguém que conseguisse disponibilizar dinheiro ou tinha que repensar os gastos com a actividade desportiva. E reduzi-los drasticamente. Maurício Vieira de Brito era suficientemente rico (e demasiado idealista) para poder desenvolver o clube aproveitando o potencial criado pelo mandato (1952-1957) de Bogalho.



Bogalho e o seu pragmatismo
Ninguém sabia (soube - além de Cosme Damião) ou saberá (aqui já é uma previsão falível porque é da minha responsabilidade) mais acerca do que é o Benfica na realidade (em vez de ilusões) que Bogalho. No mandato que terminou em início de 1957 com contas referentes ao ano civil de 1956 - que seria o último - ele percebia que só havia duas hipóteses. Se continuasse presidente, o "Glorioso" teria de estancar todo o potencial que a sua gerência criara (1952-1957) pois a criação tornou-se maior que o criador. Ele não tinha condições financeiras - e o estádio para 40 mil pessoas (sobrelotado, se estivessem todas de pé pelas escadarias, muros e bancadas) estava no limite - nem os associados conseguiam suportar os custos da grandeza que queriam. E não havia endividamento, pois Bogalho era contra fazer aos outros o que lhe fizeram a ele! E nem a banca, em 1957 e muitos anos a seguir...financiava ilimitadamente! Só havia uma solução. Este Benfiquista que está aqui - por baixo deste texto - a admirar a "Obra" que depois fez: Torres de Iluminação, Terceiro Anel, um treinador bem pago e um plantel de luxo, capaz de vergar os campeões nacionais de todos os países da Europa!


Urge reparar uma injustiça (I)
Neste blogue há muito (desde 28 de Fevereiro de 2011) que se pensava escrever acerca de Maurício Vieira de Brito. Mas descrever só a sua actividade como presidente da Direcção do SL Benfica, entre 1957 e 1962 é demasiado redutor. E em tempos já fiz isso no jornal "O Benfica". É preciso ir muito mais longe pois ser Mecenas (oferecer parte da riqueza pessoal/familiar  a uma instituição, numa idade ainda tão jovem - tinha 38 anos -  e com descendentes) não é norma. É excepção.

Urge reparar uma injustiça (II)
Como é evidente os Benfiquistas não têm que ter conhecimentos vastos acerca do passado ou da Gloriosa História. O Benfiquismo é sempre mais importante a cada presente (conquistar títulos desportivos e prestigiar socialmente o Clube) e que sejam tomadas a cada presente soluções que não comprometam o Futuro. Mesmo ganhar muito de forma não sustentada no Presente (seja em que década for) é comprometer depois as conquistas e o prestígio do Clube no Futuro. É assim desde 1904!
Se os Benfiquistas devem preocupar-se com o presente, já os Benfiquistas que conhecem a Gloriosa História têm a obrigação e o dever de divulgar o que de bom tem tido o Clube. Dar a conhecer os que nos honraram o passado. Depois deixar que os outros, que queiram...apreciem, recusem, conheçam ou até se interessem e procurem saber mais.


Felicidade Benfiquista
Há no entanto algo que me deixa satisfeito enquanto Benfiquista, falando com pessoas contemporâneas dessas três presidências. Não houve ingratidão dos associados. Antes muita consideração e respeito por haver consciência da realidade. Nos anos 50 os associados sabiam bem a importância de Ferreira Bogalho desde 1926, até foi Águia de Ouro (em 1938) num tempo em que para o conseguir era muitíssimo mais difícil do que se tornou depois muito antes de ser presidente (1952) e sabiam que só foi possível a "Odisseia da construção da Saudosa Catedral, um Monumento ao Benfiquismo" por ser Bogalho o líder. Fazer um estádio que ficasse pago, sem encargos futuros para os Órgãos Sociais que lhe sucederiam. Mais ou menos assim: O estádio será o que os Benfiquistas tiverem capacidade de fazer, contribuído. Muito ou pouco será reflectido na imponência do recinto. Só ele conseguia mobilizar os Benfiquistas transformando-o em Benfiquismo com o Futebol a perder desde 1950/51 até 1953/54 (quatro épocas consecutivas)! A "Saudosa Catedral foi construída entre 1953 e 1954! E desde 1945/46 a 1953/54 (nove temporadas) conquistou-se o campeonato nacional de 1949/50 juntando-se-lhe a Taça Latina em 1950! Depois da inauguração (1 de Dezembro de 1954) ainda conseguiu no Futebol duas "dobradinhas": 1954/55 e 1956/57. Dia 1 de Dezembro devia ser Feriado Benfiquista: O Dia de Fazer do Impossível...Possível!

Borges Coutinho era um aristocrata - Marquês da Praia e Monforte - que "ia no meio dos associados subir a azinhaga dos Alfinetes para vermos o Benfica frente ao Oriental" contou-me um Benfiquista numa das últimas assembleias gerais. Era um estratego de grande classe. E foi bem recompensado, pois eleito em 1969 (em 12 de Abril e o campeonato foi conquistado a 27) até 1977, o Benfica durante a sua Gerência de oito épocas conquistou sete campeonatos (um invicto em 1972/73), apenas cedendo em 1970 e 1974. Se perdeu dois em oito épocas como foi possível conquistar...sete! É a estúpida fulanização do Futebol. Faltou um título na UEFA, mas ainda chegámos às meias-finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus, em 1971/72. 

Maurício Vieira de Brito também viu reconhecida a sua entrega (esta a todos os níveis) ao Clube. Eu tinha dúvidas que à época houvesse consciência dos milhares de contos que doou ao Clube (Torres de Iluminação e Terceiro Anel) bem como de ser com parte da sua fortuna que o Benfica conseguiu fazer as aquisições para ser Bicampeão Europeu e TRIfinalista na Taça dos Clubes Campeões Europeus. Tinha dúvidas porque tudo isto não era propagandeado, nem por ele, nem pelos restantes dirigentes. Era reservado. O que contava era a grandeza do Benfica. As "coisas" apareciam feitas sem encargos para o "Glorioso" e isso é que interessava. Mas já a preparar este texto falei com um conhecedor desse período que me disse haver consciência que a grandeza crescente do Benfica durante os cinco anos da sua gerência estava alicerçada, em parte (grande ou alguma, logo se verá...) na riqueza do presidente e que os associados tinham um enorme carinho por ele, reconhecendo a sua generosidade e importância. Fiquei bem contente ao saber disto. Para mim a gratidão Benfiquista para os que nos fizeram maiores e a indiferença (que não desprezo pois foram eleitos pelos associados ou escolhidos por quem foi eleito pelos sócios) para os que tiveram más decisões é sempre motivo de orgulho.


Caminhos que gostaria de desenvolver (I)
O texto em que pretendo honrar Maurício Vieira de Brito nem é este. Esse está reservado para 8 de Agosto, assinalando os 42 anos da sua entrada no "Quarto Anel". A componente do dirigismo Benfiquista tenho-a bem documentada. Embora contributos sejam sempre bem-vindos. Os relatórios anuais (até nisso Maurício Vieira de Brito é ímpar na Gloriosa História) são os mais pormenorizados em todos os 113 anos-e-meio da nossa existência. Além disso tenho oito entrevistas, cinco longas e duas de excelência que permitem perceber as suas ideias para elevar ainda mais alto o Ideal Benfiquista. 


Se o Relatório de 1956 tinha 152 páginas, repare-se na evolução: 1957 (152 pp), 1958 (255 pp), 1959 (360 pp), 1960 (326 pp), 1961 (371 pp) e 1962 (425 pp). O de 1963 já contava "apenas" com 287 páginas. E nestes documentos que oficializam a Vida do Clube não é só o tamanho que conta. É a qualidade na transparência, discriminação da actividade desportiva, associativa e gastos ao pormenor e rigor. Com errata quando foi necessário. Um respeito para com os associados a um nível ímpar!

Caminhos que gostaria de desenvolver (II)
O que pretendo é explorar duas outras perspectivas ou componentes que não se podem dissociar da sua passagem pelo Clube porque estão directamente ligadas à sua chegada, permanência e saída. Para perceber a sua chegada e permanência gostaria de falar pessoalmente com familiares. Com descendentes.  Se possível netos. Há muitos anos falei com um que me disse que o Benfica "herdou mais" do que os filhos. Calculava em cerca de 25/30 por cento da sua riqueza (empresa Mário Cunha Lda) do início dos Anos 60 aplicada no Benfica.
Para perceber a sua saída (para muitos extemporânea) gostaria de falar com o professor Adriano Moreira, em 1961/62, Ministro do Ultramar. É que o facto de ser o presidente Campeão Europeu (31 de Maio de 1961) Maurício Vieira de Brito ganharia sem contestação as eleições de 31 de Março de 1962, até porque o Benfica estava praticamente apurado para a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, pois tinha vencido, por 3-1, o Tottenham HFC. Aliás quando deixou efectivamente de ser presidente do "Glorioso" (deu a tomada de posse, em 16 de Abril de 1962, ao seu vice-presidente que apoiou para presidente, Fezas Vital) o Benfica já estava na final.
O que Francisco Campas (que foi seu tesoureiro me contou) perante a minha estupefacção de alguns anos - porque não continuou presidente, sabendo-se que não estava doente, pois faleceu em 1975? - é que após o início da Guerra Colonial (Angola; 15 de Março de 1961 com os massacres de brancos e negros leais ao colonialismo por parte dos guerrilheiros da UPA) os "africanistas" foram chamados ao Ministério do Ultramar e confrontados com a decisão do Governo português. O governo vai fazer um esforço de guerra gigantesco para assegurar a permanência em Angola e dar segurança a pessoas e bens. Mas os grandes proprietários que têm a sua riqueza obtida com a exploração dos recursos angolanos têm de deixar de esbanjar essa riqueza noutros lugares. Têm de dar melhores condições de vida à mão-de-obra que necessitam. O regime de utilizar nativos baratos, quase semi-escravatura terminou. Há que construir estradas, hospitais, escolas, entre outras infraestruturas. Não faz sentido ter o governo a proteger-vos a riqueza para depois a "enterrarem" noutros lugares. É que se Angola deixar de ser portuguesa a vossa riqueza terminará. Por isso têm que fazer mais investimentos onde a conseguem obter para haver menos descontentamento da população indígena e esbanjar menos onde vos apetece. No caso de Maurício Vieira de Brito era "enterrar a riqueza" no Benfica! Era isto que gostava de confirmar oficialmente. Espero até 8 de Agosto ser bem sucedido nestas duas "investigações". Lendo este texto, se algum familiar de Maurício Vieira de Brito ou algum conhecido do professor Adriano Moreira o conseguir contactar é fazerem o favor de comunicar. Eu, no entanto, seja ou não contactado, irei à procura deles durante este mês.

O presidente da Direcção do SLB eng.º Maurício Vieira de Brito acompanha o pequeno Joselito (miúdo prodígio actor-cantor espanhol, conhecido por "rouxinol" deliciado com o espólio incomparável do Benfica) numa visita à Sala de Troféus do SLB, na rua Jardim do Regedor, em Lisboa, certamente durante a temporada de 1957/58, pois o "Glorioso" foi detentor do título na Taça de Portugal durante a época, depois de a conquistar, em 1957, ao SC Covilhã (V 3-1) no tempo em que o troféu original ficava nas instalações do clube titular, daí a tradição de ser um título

Maurício Vieira de Brito
Se há presidente, entre os 33 que existiram, que criou as condições para ser bem sucedido nas suas gerências foi Maurício Vieira de Brito. E do bolso dele em grande parte. No início da década de 60, a cada ano agrícola, sem as 30 mil toneladas de café e milhares de litros de óleo de palma dos 20 mil hectares (e 40 mil trabalhadores) nas mais de 50 roças que a Mário Cunha Lda tinha à volta de Gabela - cidade construída pelo pai do engenheiro agrónomo Maurício Vieira de Brito - e na província de Cuanza Sul (o nosso presidente nasceu na sua capital, em Novo Redondo) não tinha havido - pelo menos da forma como houve - Torres de Iluminação, Terceiro Anel, Béla Guttmann, Eusébio (embora neste caso haja uma curiosidade) e o plantel de luxo que foi três temporadas consecutivas à final da Taça dos Campeões Europeus. Francisco Campas dizia que Maurício Vieira de Brito pediu ao seu vice-presidente Fezas Vital para passar a presidente (Campas tal como dez dos onze directores efectivos da gerência de 1961/62 mantiveram-se em 1962/63 com Fezas Vital) pois este era da sua confiança para ele manter-se como financiador do Benfica não "dando tanto nas vistas" perante "terceiros". Francisco Campas dizia (infelizmente já faleceu) que nunca viu ninguém tão desprendido a passar cheques ao Benfica e que por vezes até eram os outros directores a dizerem-lhe que não fizesse essas loucuras (como por exemplo, querer "comprar" os hoquistas Adrião e Velasco para ter a hegemonia no Hóquei em Patins) e gastar "uma pipa de massa" a formar uma equipa para um ciclista do Benfica - contratando o campeoníssimo Ribeiro da Silva (faleceu em 1958 antes de se estrear com o "Manto Sagrado") - para voltar a vencer a Volta a Portugal em Bicicleta, pois desde de 1947 que tal não ocorria, como o "Glorioso" dominava no Basquetebol e Futebol, entre outras modalidades como se confirmará em 8 de Agosto. Ele respondia taxativo: «Ninguém me obrigou ou obriga a ser presidente do Benfica!» e «O Benfica quando tiver dinheiro (gerar lucros) poderá "acertar" contas!» Claro que o Benfica nunca teve lucros para acertar, nem sequer, algumas contas - nem um tostão - com o nosso presidente! Tenho quase a certeza que ele - pela sua simplicidade e generosidade - nem gostaria que eu estivesse para aqui com esta conversa pois ele fazia-o de livre vontade. Mas eu gosto de pôr os pontos nos is! Além disso ele está no "Quarto Anel" e eu corro o risco de não ir para lá! Risco por risco digo o que penso que deve ser dito!

Se no "Glorioso" houvesse culto de personalidade tenho poucas dúvidas que o "engenheiro" seria venerado como o Maior de Todos ainda hoje

Alberto Miguéns

NOTA: Em tempos este blogue homenageou Francisco Campas, «Só o Tempo Derrotou o Campas», em 19 de Dezembro de 2013 (clicar). Infelizmente aquelas tardes bem passadas na sua residência, no n.º 19 da rua Ramalho Ortigão, em Lisboa, a Benficar horas-a-fio, já não se podem fazer. E dava tanto jeito pelo menos mais uma! 
2 comentários
comentários
  1. Isto não é apenas mais uma aula...isto é CÁTEDRA!!!
    A firma Mário Cunha Lda. chegou a ser um dos meus patrões, pois trabalhei numa cooperativa que aglutinava TODOS os produtores e exportadores de café.
    Além da Mário Cunha tinham também, na região da Gabela, a CADA (Companhia Angolana de Agricultura) um monstro de Companhia.
    Casei na Gabela!!!

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  2. Mário da Cunha Brito, jovem natural de S. Pedro de Alva e filho de gente humilde, partiu para África em busca de fortuna, cheio de esperança no futuro, deixando para trás a mãe e uma irmãzita.
    Foi assim, que um dia, nos alvores do século XX, um rapaz de 15 ou 16 anos, embarcou com outros, em idênticas condições, com destino a Angola.
    Casou aos 22 anos de idade com a Sr.a D. Zenóbia Vieira de Brito, filha e neta de honrados colonos oriundos do Algarve, e de quem lhe nasceram dois filhos.
    Com a ajuda de sua esposa, viu os negócios prosperarem a tal ponto que, dentro em pouco, se tornava sócio-gerente de uma das mais importantes empresas comerciais e agrícolas da fértil região de Novo Redondo e Amboim.
    Apartando-se desta sociedade, fundou em 1929 na região de Novo Redondo e Amboim, a “Firma Mário Cunha Lda“. Nenhuma contrariedade ou insucesso conseguiu alguma vez arrefecer o seu entusiasmo.
    Lançou-se na execução de um novo plano de trabalhos, investindo, todo o seu dinheiro em roças. As cotações dos produtos ultramarinos, entre as quais as do café, apresentavam-se baixas, com a crise que todo o mundo sofria.
    Durante muitos anos, comprou e plantou quanto pôde. Algumas vezes, lastimando-se da atribulada vida que levava, ouviu de amigos recriminações azedas, mas reagindo, replicava sempre com este seu estribilho: "Deixem lá, descansem e não se aflijam; quando um dia o café vier a ter o dobro do preço actual, ficarei rico!".
    Com grande espírito de sacrifício, vontade indómita de vencer, possuidor de grande inteligência e honestidade, prosperou e ficou rico. Não esquecendo as suas origens, Mário da Cunha Brito quis criar em S. Pedro de Alva uma obra de beneficência para dar assistência médica e social a toda a população da sua terra natal, na grande maioria pobre.
    Contava 63 anos de idade quando este grande homem desapareceu sem conseguir realizar a obra com que tanto sonhava.
    N.02/06/1890 F.04/12/1953

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