A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o Sport Lisboa e Benfica e a sua Gloriosa história. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

SEMANADA: ÚLTIMOS 7 ARTIGOS

18/10/2014

Nem Um Quanto Mais Dois Presidentes. Só o Benfica. Em 1914!

18/10/2014 + 6 Comentários API
SILÊNCIO QUE SE VAI FALAR DA GLORIOSA HISTÓRIA. QUEM NÃO GOSTAR É MELHOR ESPERAR POR OUTRO DIA POR OUTRO TEMA.


AVISO PRÉVIO: Texto muito longo

Há 100 anos, precisamente na tarde deste domingo, próximo das 17 horas, em 18 de Outubro de 1914, o Benfica estreou-se na temporada de 1914/15 com um jogo de futebol de beneficência ou solidariedade como se diria na actualidade para angariar dinheiro que ajudasse a tratar os feridos dos países em conflito na Grande Guerra. Uma causa nobre, muito nobre. Mas que teve um significado para o Clube gigantesco, muito para lá desse gesto de grande dignidade e solidariedade.


Jornal O Século; Primeira página; 18 de Outubro de 1914
Convidados para o jogo de futebol: imbatíveis em popularidade (dinheiro em caixa) e Tricampeões (imbatíveis em futebol)
Não é difícil perceber porque foi o Benfica escolhido para defrontar o misto de futebolistas ingleses dando um carácter "internacional" ao jogo, integrando-o no motivo, uma guerra mundial.
O SLB era Tricampeão regional conquistando quatro campeonatos em cinco temporadas. Apenas em 1910/11 não se sagrou campeão mas pouco separou o "Glorioso" (2.º classificado) do Internacional/ CIF. Incontestavelmente o Benfica era o melhor clube português.
Sabia-se - constatava-se quando jogava - que o SLB era o clube que conseguia mobilizar mais espectadores. Arrastava os seus simpatizantes, em maior número por ser o clube português mais popular, e os dos outros, por apresentar sempre perspectivas de um bom jogo e vitórias. Quando os jogos do SLB eram internacionais exponenciava as assistências. Não era por acaso que era conhecido por ser "A melhor equipa portuguesa frente a equipas estrangeiras". Independente das classificações internas e momento de forma dos futebolistas.
As receitas num jogo "internacional", quando jogava o Benfica, estavam garantidas. Dinheiro em caixa.

Cinco antigos (alguns veteranos) e seis novos
A época de 1914/15 anunciava-se com expectativa muito elevada para o Tricampeão. Três futebolistas, dois eram pilares - Paiva Simões a guarda-redes e Artur José Pereira como centrocampista - passaram no Verão de 1914 para o Sporting CP. Seria que o Benfica conseguiria recompor-se desta estocada sportinguista? Em 1907 conseguira, não logo em 1907/08 mas nas épocas seguintes! Para o jogo de futebol inaugural desta 11.ª temporada Cosme Damião escolheu cinco titulares da época anterior (1913/14) e seis debutantes - três das categorias abaixo da primeira e três vindos de outros clubes, neste caso "escolares". O "onze" anunciado nem era assim mas, por motivos (ainda) desconhecidos, faltaram: Jaime Cadete (este por polémica com o Sporting CP), José Domingos Fernandes e Henrique Costa (dado como suplente mas que na falta dos outros dois também não jogou).

O dilema de Cosme Damião
Cosme Damião "sofreu muito" (Benfiquistamente falando) com a saída de Artur José Pereira. Para Cosme Damião era ele que o iria substituir a médio-centro. Talvez não a capitão por ser um jogador muito temperamental (ao contrário daquilo que Cosme Damião pensava serem as qualidades para ser capitão). Anunciava-se com a criação da FPF (Março de 1914) a realização de campeonatos nacionais e a formação da selecção nacional. Seria Artur José Pereira a liderar futebolisticamente o Benfica e a selecção. Mas não foi assim. Foi-se a troco de dinheiro, ser capitão (para ser o primeiro a tomar banho num tanque um-a-um) e outras mordomias que não posso publicar neste blogue, que também é lido por menores de idade!
Com o final da carreira a aproximar-se Cosme Damião tinha de resolver rapidamente o problema do médio-centro (naquele tempo a posição mais importante e decisiva numa equipa, a par do guarda-redes e avançado-centro). Mas tacticamente ainda mais importante, pois tinha de organizar as acções defensivas e ofensivas: era o primeiro a defender e o primeiro a avançar.
A solução podia estar num "miúdo" que brilhara nas duas últimas temporadas na equipa da Casa Pia que competia nos campeonatos escolares e que fora galardoado com o prémio "Doutor Januário Barreto" para distinguir o seu aprumo desportivo e académico. Nome: Cândido de Oliveira. Mas Cosme Damião também não teve "sorte" com ele. No Verão de 1920 abandonou o "Glorioso". E Cândido de Oliveira era completo: médio-centro e capitão. Foi ele que, como futebolista do Casa Pia AC, capitaneou a primeira selecção nacional, em 18 de Dezembro de 1921.

Futebolistas do "Glorioso" entre os ingleses. Da esquerda para a direita: Cândido de Oliveira, Mário Monteiro, Júlio Ribeiro da Costa, Herculano dos Santos, Aníbal dos Santos, Manuel Veloso, Cosme Damião, Augusto da Fonseca Júnior, Carlos Homem de Figueiredo e Leopoldo Mocho. Alberto Rio não está presente

O onze que estreou 1914/15 (Época 11 do "Glorioso")
O capitão-geral (olheiro, seleccionador - para todas as categorias, orientador, treinador, capitão e jogador) Cosme Damião organizou um «onze de segurança», que lha dava garantias de honrar o "Manto Sagrado" neste primeiro jogo da temporada depois da deserção do Verão. Além dele (Cosme Damião) duas grandes figuras do Benfiquismo (Carlos Homem de Figueiredo e Leopoldo José Mocho), mais uma dedicação ao futebol (Alberto Rio) e um novato que era as duas "coisas" - dedicado ao Benfica, ou seja, Benfiquista e dedicado ao futebol (Herculano João dos Santos). Estes cinco serviam de rede aos restantes seis: três com provas dadas nas categorias abaixo da primeira (mas sempre uma incógnita quando tinham de jogar entre os melhores) e três que chegavam ao Clube mas Cosme Damião sabia bem como desenvolver as capacidades de cada um em prol de um, do Benfica.

A ACTIVIDADE DOS ONZE FUTEBOLISTAS ATÉ AO FINAL DA TEMPORADA ANTERIOR (1913/14)
Futebolista
N.º Épocas
Minutos
Jogos
Golos
Capitão
Títulos
Campeão
Regional
1.ª
Total
Cosme Damião
05/06
9
11 660
130
18
122
4 CR + 3 JON
Alberto Rio
08/09
6
6 410
71
40
-
4 CR + 3 JON
Carlos Figueiredo
09/10
5
7 260
81
4
-
4 CR + 1 JON
Leopoldo Mocho
06/07
5
2 970
33
1
1
2 CR
Herculano Santos
11/12
3
2 990
33
15
-
2 CR + 1 JON
Mário Monteiro
Estreia: Em 1913/14 na 2.ª categoria
Júlio Ribeiro Costa
Estreia: Em 1913/14 na 4/3.ª categoria
Manuel Veloso
Estreia: Em 1913/14 na 4.ª/3.ª/2.ª.ª categoria
Cândido de Oliveira
Estreia: Em 1913/14 na equipa escolar Casa Pia de Lisboa
Aníbal Santos
Estreia: Em 1913/14 na equipa escolar Casa Pia de Lisboa
Augusto da Fonseca
Estreia: Em 1913/14 na Associação Académica de Faro
NOTA: JON - Torneio de futebol dos "Jogos Olímpicos Nacionais" organizado pela Sociedade Promotora da Educação Física Nacional, uma entidade oficial que organizou o torneio em conjunto com a Liga Portugueza de Futebol (até 1910) e com a Associação de Futebol de Lisboa (depois de 1911)

Os cinco "velhos"
Leopoldo Mocho jogou como defesa à esquerda. Carlos Homem de Figueiredo como médio à direita ou como se dizia: meio-defesa à direita. Cosme Damião capitaneou e jogou como médio-centro ou meia-defesa-centro. Herculano dos Santos jogou a avançado na meia-direita ou meia-ponta direito e Alberto Rio como avançado na meia-esquerda ou meia-ponta esquerdo.
Com muitos anos de Benfica e futebol continuavam a ser um suporte para Cosme Damião. Serviam de exemplo para os mais novos. Davam-lhes lições de Benfiquismo e de futebol, ou seja, de como se posicionar e o que fazer em campo, de como o interesse da equipa era mais que o somatório dos interesses individuais. E da responsabilidade de fazerem o que devia ser feito para continuarem a saga de campeões dos que os antecederam no Clube e na equipa. Ou seja, a ideia que depois Félix Bermudes, em 1929, soube brilhantemente converter numa das estrofes do nosso Hino: «Honrai agora os ases que nos honraram o passado!»

Os novos um a um
Os seis estreantes eram novatos mas apenas na primeira categoria do Glorioso Futebol. Três (Mário Monteiro, Manuel Veloso e Ribeiro da Costa) tinham vários anos de prática em que foram melhorando as suas capacidades e aprendendo nas categorias inferiores do Benfica as três virtudes para Cosme Damião: orgulho (perceberem a importância de Ser Benfiquista para ser jogador do Benfica), respeito (pelo jogo de futebol procurando uma conduta diária que desse vigor físico para aguentar as partidas jogadas e capacidade futebolística treinada para poder ter as melhores decisões durante os jogos) e responsabilidade (para continuarem a fazer da equipa um grupo campeão). Os outros três (Cândido de Oliveira, Augusto da Fonseca e Aníbal Santos) eram referenciados pelos Benfiquistas que observavam os seus jogos como elementos de muita valia. E que jogavam "À Benfica".

Mário Monteiro (guarda-redes)
Com a saída de Augusto Paiva Simões para o Sporting CP, Mário Monteiro seria o substituto natural do anterior guarda-redes pois era o "seu" reservista (jogava na 2.ª categoria). Tinha feito uma excelente temporada anterior (1913/14) que permitiu à 2.ª categoria sagrar-se campeã regional com 21 pontos, em 12 jogos (10 vitórias, um empate e uma derrota) com 18 golos marcados apenas quatro (4) sofridos, numa média de 0.3 por jogo (um golo sofrido a cada três jogos). Para Cosme Damião, Mário Monteiro era o exemplo do que ele advogava. Fez-se Jogador e Benfiquista nas categorias abaixo da primeira. Para Cosme Damião não havia categorias inferiores. Jogavam todas para conquistar os respectivos campeonatos.

Manuel Veloso (médio à esquerda ou meia-defesa à esquerda)
Foi um dos futebolistas com um percurso vertiginoso desde a 4.ª até à 2.ª categoria. Em 19 de Outubro de 1913 alinhou, como defesa à esquerda, pela 4.ª categoria, mas em Maio de 1914 já estava a ser "testado" em jogos da 2.ª categoria como meia-defesa à esquerda (ou médio-esquerdo). Foi campeão regional na 4.ª categoria.

Aníbal Santos (ponta-direita)
Avançado rápido vindo da equipa escolar da Casa Pia antevia-se um futuro brilhante. Tinha a "fisionomia certa" para o lugar, ponta ou meia-ponta. Talvez precisasse de aprimorar o Benfiquismo. Por isso em breve iria "estagiar" nas categorias abaixo da primeira. 

Cândido de Oliveira (avançado-centro)
Era o diamante quase lapidado. Com poder físico, entroncado e possante, organizado e metódico, estudioso, mesmo ainda tão jovem (18 anos completados em 24 de Setembro) mais a capacidade intelectual e de "rasgo/ improviso" acima da média, fazia as delícias de Cosme Damião. Que nele depositava muitas esperanças. Por isso, ao contrário do que era habitual com o nosso Mestre, Cândido de Oliveira  "pegou de estaca" na 1.ª categoria.

Júlio Ribeiro da Costa (defesa à direita)
Nasceu em Lisboa, a 30 de Dezembro de 1894. Foi eleito, em 31 de Julho de 1938, aos 43 anos presidente da Direcção, após quase 26 anos como associado, pois entrara para sócio, com o n.º 663, aos 18 anos, em 12 de Novembro de 1912, proposto por Cosme Damião! Este nosso precioso fundador não poupava esforços para reforçar todas as equipas de futebol. Apercebendo-se do valor de Ribeiro da Costa, enquanto futebolista “escolar” do Liceu da Lapa (actual Pedro Nunes) convidou-o a ingressar na 4.ª categoria do SLB logo em 1912/13. Só que cedo as suas qualidades como dirigente suplantariam as capacidades desportivas, e a 13 de Agosto de 1914 foi eleito como 2.º secretário da Mesa da Assembleia Geral, num mandato em que o presidente da Direcção era o dr. Alberto Lima.
Do Benfica para Coimbra
Enquanto futebolista Júlio Ribeiro da Costa fez a “habitual” ascensão nas equipas dirigidas por Cosme Damião, defesa direito da 4.ª à 1.ª categoria, onde não se conseguiu fixar porque entretanto foi continuar os seus estudos em Coimbra, passando a fazer parte da equipa de futebol da Associação Académica de Coimbra, entre 1916/17 e 1919/20, chegando mesmo a defrontar o “seu” Benfica, a 7 de Março de 1920, num encontro em Coimbra em que vencemos por 8-1. Quando regressou a Lisboa foi eleito a 10 de Setembro de 1921, vogal da Direcção presidida por Bento Mântua, continuando a sua carreira desportiva na 2.ª categoria, ainda como defesa direito, em 1921/22.
Vida profissional intensa, mas Benfiquista para sempre
Após alguns anos em que teve que se dedicar à sua actividade profissional, viu a sua carreira militar bloqueada (em capitão) por divergências (que datavam ainda de Coimbra, onde ambos foram colegas!) com o presidente do Conselho de Ministros, dr. Oliveira Salazar. A 15 de Outubro de 1935 com 40 anos foi eleito como vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral, num mandato que teve Vasco Ribeiro como presidente da Direcção. Manteve-se no cargo nas gerências seguintes (1936 e 1937) presididas na Direcção por Manuel da Conceição Afonso. Foi depois em 1938 eleito presidente da Direcção onde esteve apenas um mandato (anual) por considerar que o Benfica estava a ser prejudicado, pelos poderes políticos e futebolísticos, por ele ser presidente do Clube.
Havia Vida Benfiquista para lá da presidência
Júlio Ribeiro da Costa no mandato seguinte foi eleito em 29 de Julho de 1939 presidente da Mesa da Assembleia Geral, mas teve sempre a impressão de que o Benfica estava a ser prejudicado politicamente (e desportivamente) pelo facto de constar nas listas eleitorais, decidindo afastar-se definitivamente em 1946 dos cargos directivos. Tornou-se no entanto uma referência do Benfiquismo, pelas suas participações nas Assembleias Gerais, em alocuções em momentos delicados ou festivos, sempre prestável para reforçar a nossa identidade. Uma das mais nobres referências do “Glorioso”, foi agraciado com a “Águia de Prata” em 30 de Março de 1962 e com a distinção máxima, a “Águia de Ouro” a 6 de Dezembro de 1991. Já como sócio n.º 1 do Benfica, também “anel de platina” em 1988, e após 80 anos de associado, faleceu a 21 de Setembro de 1992. Pouco tempo antes de morrer falei com ele na sua residência na avenida 24 de Julho. Se há  22 anos soubesse o que sei hoje da Gloriosa História, mais que um dia seria um mês...

Nesta cerimónia, em 28 de Fevereiro de 1988, destaco que o sócio n.º 2 (infelizmente a fotografia não foi publicada) era Rogério Jonet. Além disso na imagem por baixo do capitão Júlio Ribeiro da Costa destaco Joaquim Macarrão (nascido em 5 de Maio de 1920) uma dedicação inigualável ao "Glorioso" escorraçado do Clube em Dezembro de 2002 por um idiota (e que apressou a sua morte pouco tempo depois)

Augusto da Fonseca Júnior (ponta-esquerda)
Nasceu em Colos, no concelho de Odemira, em 10 de Fevereiro de 1895. Mais tarde foi estudar para Faro, onde se iniciou no futebol, capitaneando a equipa da Associação Académica de Faro. Quando veio para Lisboa, aos 19 anos, inscreveu-se no nosso Clube, jogando como médio esquerdo na 2.ª e 1.ª categoria, na temporada de 1914/15, actuando com Cosme Damião, Ribeiro dos Reis e Júlio Ribeiro da Costa, entre outros, que seriam também seus companheiros como dirigentes do Benfica, vinte anos mais tarde! Não esteve muito tempo em Lisboa, porque foi estudar para Coimbra, continuando companheiro de Ribeiro da Costa, na Universidade e na equipa de futebol da Associação Académica de Coimbra, jogando a médio centro, chegando mesmo a defrontar o Benfica, a 7 de Março de 1920, num encontro em Coimbra, que vencemos por 8-1. Segue depois como médico, uma carreira militar na Marinha de Guerra. No início dos anos 30 com a patente de 1.º tenente dirige, com assinalável êxito, o Asilo D. Maria Pia, em Xabregas.
Reentrar como se nunca tivesse saído
A 31 de Outubro de 1933, proposto por Manuel da Conceição Afonso reentra aos 38 anos para associado do Clube, sendo eleito a 4 de Setembro de 1934 como dirigente, iniciando um período de dez mandatos anuais consecutivos, em que ocupou cargos directivos: um mandato como vice-presidente da Direcção (de Vasco Ribeiro), em 1934/35; quatro gerências como presidente da Mesa da Assembleia Geral, entre 1935 e 1939; e cinco mandatos como presidente da Direcção, entre 1939 e 1945.
Mais que presidente, foi presidentes (o plural não é erro)
Depois das eleições de 18 de Janeiro de 1945, o dr. Augusto da Fonseca júnior deixou os cargos directivos até às eleições de 3 de Março de 1951, quando foi eleito para presidente do Conselho Fiscal, mantendo-se até ao final desse mandato, a 15 de Março de 1952. É um dos dois associados, em 110 anos de Gloriosa História, que ocupou em várias gerências a presidência dos três órgãos sociais, a par de Alfredo Silveira Ávila de Melo. Nos anos 50 e início da década de 60 fez parte de várias comissões de Benfiquistas,  para melhorar e honrar a Vida Desportiva do Clube, falecendo em Lisboa, aos 76 anos, a 2 de Janeiro de 1972.


NOTA: Como estes dois enormes Benfiquistas são na actualidade pouco referenciados pelo Clube, este blogue vai tentar honrá-los com duas evocações: em 30 de Dezembro de 2014 (120 anos do nascimento de Júlio Ribeiro da Costa) e em 2 de Janeiro de 2015 (45 anos do falecimento de Augusto da Fonseca Júnior)

A festa e festival em imagens e papel de jornal
Como o texto já vai longo não faz sentido escrever acerca do que ocorreu nessa Festa e jogo realizado há cem anos. Deixo depois da "assinatura" digitalizações de jornais da época para quem quiser saber mais. Há sempre alguém interessado nestes assuntos com "bolor".

São escassos os clubes que tiveram...
Um presidente da Direcção que tivesse jogado futebol na principal equipa do clube;
Ainda é mais difícil encontrar clubes que tiveram...
Dois presidentes que tivessem jogado futebol na principal equipa do clube em épocas diferentes;
É impossível encontrar um clube que teve...
Dois presidentes a estrearem-se na mesma equipa, no mesmo dia, na mesma hora e meia!

Só o Benfica! Estrear no mesmo dia, a jogar futebol, dois futuros presidentes do Clube. Deve ser único no Mundo

Alberto Miguéns

NOTA FINAL: O relato dos acontecimentos

Na "Ilustração Portuguesa" (na página 541 e 542 do número 453 em 26 de Outubro de 1914)



Em "O Sport Lisboa" (na página 1 e 2 do número 62 em 24 de Outubro de 1914)








Em "O Século" (na página 2 em 19 de Outubro de 1914)





6 comentários
comentários
  1. Muito bom.

    Provavelmente... Mais que provavelmente, vou aproveitar este post para relembrar muitas coisas a muita gente:

    PS: As minhas desculpas por conspurcar este post/blogue. Não tenho outro meio de conversar com o Alberto... isto está muito perigoso:

    http://www.record.xl.pt/Futebol/Arbitragem/interior.aspx?content_id=910179

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Minha Chama

      Nada que não se soubesse. Antes encontravam-se às escondidas.

      Os "árbitros modernos" são muito bem pagos. PP deve ter rendimentos superiores a 250 mil euros por ano.Têm um estatuto que lhes permite viver afastados dos comuns mortais.

      Há muito que deixaram de ser cidadãos idóneos. Não merecem ser respeitados porque não se dão ao respeito.

      Gloriosas Saudações Benfiquistas

      Alberto Miguéns

      NOTA: Veja também os dois tontos - um de cada lado, qual galheteiro - autênticos produtos do "Futeluso": o treinador do FC Penafiel e o apalermado Nuno Alvalade.

      Eliminar
  2. Excelente texto. Muito obrigado pelo nível de detalhes e pelo magnífica estrutura.

    Essa época deve ter sio complicada. Acresce às três saídas a incapacidade de Álvaro Gaspar. O SCP tinha mesmo a prática de compensar a sua falta de qualidade com a qualidade dos outros. Nesse tempo ainda era mais notório dado que o mercantilismo actual não existia. E note-se que entre os que saíram em 1907 e estes de 1914 ainda existiu Francisco (Ernesto) Viegas.

    Tinha ideia de que Mário Monteiro era mais antigo no clube. Aliás pensava que seria um dos vizinhos dos Catataus? (Carrilhos e Monteiros?) Acabou por não guardar a baliza por muito tempo. Viriam depois Stock, Picoto e Guerra.

    Tenho uma dúvida quanto aos jogadores que foram os jogadores do Benfica que sairam para o Casa Pia Atlético Clube? No V&P falam de 4 que presumo terão sido Pinho, Cândido de Oliveira, Rosmaninho e Almeida. Existiram outros? Por exemplo os irmãos Gralha?

    Os detalhes das saídas e turbulências de jogadores do Benfica para a formação do Belenenses e do Casa Pia são escassos. Devem ser histórias muito interessantes nomeadamente do Belenenses com as trapalhadas de Alberto Rio.

    Em relação ao hino do Benfica, é estranho que nunca tenha existido vontade de lhe dar uma roupagem moderna. Seria talvez interessante. Talvez as conotações políticas ainda existam. É pena pois felizmente o nosso clube é dos que melhor tem separado as águas. Ao desporto o que é do desporto. E somente isso.

    Augusto da Fonseca Júnior foi ainda presidente da AFL. Era seguramente um homem com capacidades organizativas e de chefia. Assim como o Capitão Ribeiro da Costa. Penso que eram ambos militares o que explica essas virtudes. Fico com curiosidade à espera das suas merecidas evocações.

    Presidentes que jogaram futebol ou treinaram no nosso clube terão sido:
    Benfica - José Rosa Rodrigues, Januário Barreto (?), Félix Bermudes, Júlio Ribeiro da Costa, Augusto da Fonseca Júnior e Ferreira Bogalho;
    Belensenses - Luis Viera e Reis Gonçalves.
    Casa Pia - ...Cosme Damião.
    LPF - Januário Barreto (?);
    AFL - Augusto da Fonseca Júnior, Reis Gonçalves, Virgílio Paula
    SCP - Daniel Queiroz dos Santos.
    Deve haver outros.

    Desconhecia essa história infeliz sobre o Senhor Joaquim Macarrão. Lamentável. Do que ouço era um Benfiquista inexcedível. Daqueles que não pactuam com (vou usar o termo do Alberto mas talvez o mais ajustado fosse outro) idiotas. Presumo quem foi esse idiota.


    Muito obrigado

    Saudações Benfiquistas

    VJC

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Victor João Carocha

      Do Benfica para o Casa Pia AC em 1920 foram: Cândido de Oliveira, António Pinho e Clemente Guerra (1.ª categoria) mais José António de Almeida, Silvestre Rosmaninho, José Maria Gralha, Álvaro Gralha, etc (ou seja mais de 20).

      Alberto Miguéns

      Eliminar
  3. Caro Alberto

    Palavras para quê?
    História do Benfica é aqui que se lê o resto é paisagem
    Parabéns por mais este excelente trabalho.
    Eu como benfiquista e sócio do glorioso, é raro passar um dia sem vir visitar este Blogue.
    Para mim é a Bíblia
    Como sou um amante de estatísticas, só aqui consigo tirar dúvidas de muitos resultados e outros temas sobre o nosso clube, pois o que anda aí na praça é para esquecer.

    Gloriosas saudações benfiquistas

    Jorge Santos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Jorge Santos

      Obrigado.

      Não há nada melhor para um Benfiquista ser elogiado por um Benfiquista. Muito melhor do que pelos BESfiquistas.

      Viva o Benfica!

      Gloriosas saudações Benfiquistas

      Alberto Miguéns

      Eliminar

Em Defesa do Benfica no seu E-mail