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31/01/2014

Veloso 57

31/01/2014 + 3 Comentários
OPINIÃO/ HISTÓRIA

NOTA1: Não é hábito o EDB assinalar os aniversários dos jogadores e atletas do "Glorioso" por uma questão de princípio. A assinalar os aniversários de uns teria de assinalar os aniversários de todos. E isso não é possível.


NOTA2: Com o texto de hoje abre-se uma excepção devido à situação, que é pública, das dificuldades financeiras que afectam a nossa Glória Veloso. Se bem que eu tenha a ideia que Veloso já é do tempo em que os futebolistas foram bem pagos e que têm meios, mais do que suficientes, para viverem sem dificuldades, se acautelarem os rendimentos para poderem sobreviver até receberem a Reforma da Segurança Social (64/66 anos). Parece-me um típico caso de má gestão dos rendimentos enquanto futebolista, porque como treinador nunca deverá ter usufruído de rendimentos elevados a não ser para o dia-a-dia.


NOTA3: Independentemente das minhas opiniões que valem o que valem, importa que Veloso seja reconhecido como grande futebolista e, por isso, em condições de continuar ligado ao futebol, seja em que função for.



Alberto Miguéns


Um dos melhores polivalentes de sempre do futebol português fazia qualquer lugar, na defesa ou no meio-campo.

 PARABÉNS VELOSO PELO 57.ª ANIVERSÁRIO





António Augusto da Silva Veloso nasceu na vila de S. João da Madeira, em 31 de Janeiro de 1957, completam-se hoje 57 anos. Após concluir a 4.ª classe (actual 4.º ano) empregou-se para ser mais uma fonte de rendimento na família. Aos 11 anos já trabalhava numa das muitas fábrica de calçado em S. João da Madeira, aproveitando o pouco tempo livre disponível para “brincar ao futebol”, muitas vezes como guarda-redes. Em 1973, aos 16 anos, inscreveu-se no clube mais representativo da localidade onde nasceu e vivia, a AD Sanjoanense. Representou este emblema cinco épocas, entre 1973/74 e 1977/78, jogando a avançado, chegando a representar a AD Sanjoanense, na Zona Norte da II Divisão e estreando-se aos 18 anos na selecção nacional de Juniores, num encontro com a Itália, em Bérgamo. No início de 1978/79 transferiu-se para o SC Beira-Mar, que ascendera nessa época à I Divisão. No final da temporada seguinte, em 1979/80 foi contratado pelo “Glorioso”. Tinha 23 anos. Ficaria 15 temporadas até deixar de jogar futebol!





CONQUISTAR A TITULARIDADE “A PULSO”
Estreou-se no “Glorioso”, numa digressão no início da época de 1980/81, em Toronto, em 2 de Agosto de 1980, na vitória por 4-0 com o clube canadiano, da comunidade imigrante grega, o Pannellenic OAC. Entrou ao intervalo, para o meio-campo, marcando o 4.º golo do Benfica aos 76 minutos, com um potente remate “fora da grande-área”. Nesta época inicial, ao participar em 41 jogos, foi o 12.º jogador mais utilizado – 26 como titular, com 15 a defesa-direito, mas também 15 como suplente utilizado. Na época seguinte (1981/82) conquistaria definitivamente a titularidade até 1994/95, durante 14 anos, apenas interrompida, devido a operações, em duas temporadas – 1983/84 e 1984/85. 


MASSACRADO POR LESÕES
Em três épocas consecutivas, entre 1982/83 e 1984/85 foi apoquentado com algumas lesões graves e operações. Na temporada de 1982/83, em 9 de Janeiro de 1982, num jogo com o SC Braga, no nosso estádio, para o Nacional, fracturou o perónio da perna direita. Regressaria em 4 de Maio de 1983. Ressentiu-se, já na época de 1983/84, em 3 de Outubro de 1983 ficando inactivo até 2 de Fevereiro de 1984, para curar totalmente as mazelas. Na temporada de 1984/85, em 27 de Janeiro de 1985 uma forte pancada num jogo com o FC Porto, no estádio das Antas, provocou uma fissura no perónio da perna esquerda, inutilizando-o até final da época.



CONSISTÊNCIA E RAÇA
Foi um futebolista com grande disponibilidade física, um “trabalhador” incansável que nunca virava a “cara à luta”. Colocou a sua capacidade versátil ao serviço da equipa, jogando em várias posições, colmatando ausências ou “baixas de forma” de outros futebolistas. Foi um jogador de equipa, como poucos, a todos os níveis: jogava para o colectivo e jogava onde o colectivo necessitava. Em algumas épocas, começou a temporada num dos lados da defesa, mas acabou-a do outro lado, como por exemplo em 1989/90 em que após 14 jogos na direita, fez depois 32 na esquerda, acabando nos últimos três a defesa-central! A sua polivalência foi notável e merece ser exaltada, porque não é vulgar um atleta que não mantenha uma posição definida ao longo da sua carreira, conseguir ser consistente, como foi o percurso de Veloso.


POLIVALÊNCIA NA DEFESA E MEIO-CAMPO
Jogou no Benfica, ao mais alto nível, durante 15 temporadas consecutivas, entre 1980/81 e 1994/95, mantendo-se titular em 12 épocas, se bem que em posições diferenciadas: duas a defesa-esquerdo, entre 1981/82 e 1982/83; quatro a defesa-direito entre 1985/86 e 1988/89; cinco a defesa-esquerdo, entre 1989/90 e 1993/94; e ainda uma a defesa-direito em 1994/95. Ou seja, foi alternando na defesa, entre a esquerda e a direita, com um total de sete temporadas a defesa-esquerdo e cinco a defesa-direito. Entre 27 de Outubro de 1985 e 10 de Agosto de 1986 participou em todos os 44 jogos consecutivos da nossa equipa, num total de 3 942 minutos.



VERSATILIDADE
Com grande mobilidade actuou como titular em 615 jogos, jogando em oito posições tácticas. Na defesa, 546 encontros, com 309 jogos à direita, 224 à esquerda, e ainda 13 como central – oito na direita e cinco na esquerda. No meio-campo, efectuou 69 jogos, com 34 no centro e 35 nas alas: 22 a médio-defensivo, 18 na ala-esquerda, 17 na ala-direita e 12 a médio-ofensivo. Na defesa, jogou mais épocas como titular à esquerda que à direita (7/5), mas fez mais jogos a defesa-direito que a defesa-esquerdo (309/224). Aliás, Veloso é o jogador do Clube com mais jogos como defesa-direito, “recorde” que detém desde 1995, no seu último jogo (!), quando “ultrapassou” os 308 jogos de Jacinto Marques! A estatística tem destas “coisas”…


CAPITÃO DO EXEMPLO!
Entre 1990/91 e 1994/95, durante cinco temporadas, capitaneou a nossa equipa. Mas, já desde 1988/89 que capitaneava com frequência a equipa, pelo facto do capitão não ser com regularidade titular. Como capitão actuou em 322 encontros, sendo o segundo capitão da nossa história com mais encontros, a “apenas” seis jogos de Coluna. Esteve em 227 vitórias e 71 empates.


DESPEDIDA APÓS PERCURSO BRILHANTE
No início da temporada de 1995/96, em 13 de Agosto de 1995, o Benfica organizou uma festa de despedida em que vencemos, por 3-2, uma selecção de futebolistas estrangeiros a jogar em Portugal, actuando a defesa-direito. Chegou ao Benfica aos 23 anos. Despediu-se aos 39! Haviam passado 15 anos! Nos 658 jogos em que representou o Benfica ajudou o Clube a obter 431 (65 por cento) vitórias e 134 empates, marcando 13 golos. Como defesa-esquerdo em 224 jogos, esteve em 156 (70 por cento) vitórias e 43 empates, marcando três golos. Entre os jogadores do Benfica, é o 6.º defesa-esquerdo mais utilizado e o 4.º jogador com mais tempo de jogo!




Foi o penúltimo futebolista do Benfica (o último foi Preud' homme) com jogo de despedida organizado em exclusivo para assinalar a sua ausência no futuro!



INTERNACIONAL
Pela selecção principal obteve 40 internacionalizações, estreando-se em 18 de Novembro de 1981 e fazendo o último jogo em 19 de Janeiro de 1994, capitaneando a equipa num encontro com a Alemanha. Participou no Euro’84, cuja fase final se realizou em França. Em 1986 foi vítima da cabala em que se foi transformando o futebol português. Convocado para o Mundial, cuja fase final se disputou no México, foi acusado de “doping” num controlo viciado. Na contra-análise o resultado foi negativo, o que é muito raro ocorrer. Afinal tudo não passou de um estratagema para proteger outro jogador de um clube adversário. Veloso começava a “pagar” o facto de ser um destacado jogador benfiquista…



19 TROFÉUS OFICIAIS
Na equipa de 1.ª categoria conquistou 19 troféus oficiais: sete Nacionais, incluindo um bicampeonato e em dois foi o capitão das conquistas: 1990/91 e 1993/94; seis Taças de Portugal, jogando em cinco finais (apenas em 1984/85 não participou no jogo decisivo), com três “dobradinhas” em 1980/81, 1982/83 e 1986/87 - na final de 1982/83 venceu o FC Porto, no seu Estádio das Antas e na de 1992/93 capitaneou a equipa; três Supertaças; duas Taças de Honra de Lisboa; e uma Taça Ibérica em 1983/84. Registo notável, por serem títulos e troféus obtidos numa fase em que o Benfica já tinha dificuldades em se opor ao “sistema” que viciava o futebol em Portugal! Só muito querer e raça permitiram tanta glória!



TREINADOR
Após a carreira de jogador, fez parte dos quadros técnicos do FC Alverca entre 1996/97 e 1999/2000, quando o clube ribatejano teve um protocolo como clube-satélite do Benfica, subindo à I Divisão. No final de 1999/2000 e no início da temporada seguinte treinou o Atlético CP, subindo o clube alcantarense da III à II Divisão B. Ainda no ano de 2000, regressou ao Clube como treinador-adjunto de Toni, em 5 de Dezembro, fazendo parte da equipa técnica que substituiu José Mourinho no Benfica, ficando até ao final de 2000/01. Manteve-se ligado ao Clube até 2002/03, treinando a nossa equipa B em 2001/02. Em 2006/07 assumiu o comando técnico do Atlético Clube da Malveira, a competir na Divisão de Honra da A.F. Lisboa, onde esteve até 2007/08 passando a treinador da AD Oeiras do mesmo escalão regional continuando em 2008/09. Em 2009/10 foi o treinador do CF Estrela da Amadora, classificando-se em 10.º lugar na zona sul da II Divisão B. A extinção do clube, por questões judiciais de incumprimento financeiro, apesar da classificação garantir a permanência lançou Veloso no desemprego. Onde ainda se mantém... quatro anos depois.


Veloso é um dos melhores futebolistas de sempre e o melhor polivalente com consistência no futebol português, a par de Cavém. Apesar de tanta qualidade, experiência, títulos e um passado que “não engana ninguém”, não treina clubes primodivisionários! Nem de divisões secundárias! Será por ser Benfiquista? Claro que é! Dá que pensar…

QUADRO RESUMO

Ordem de tempo de utilização            4.º                      
Minutos jogados                             54 675’

Jogos totais                                     658
Jogos completos                                  548
Jogos substituído                                  64
Jogos expulso                                           3
Suplente utilizado                                 43

Jogos a titular                                  615                      
Jogos a defesa-direito                          309
Jogos a defesa-esquerdo                     224
Jogos a médio-defensivo                       22
Jogos médio-ala-esquerdo                    18
Jogos a médio-ala-direito                      17
Jogos a defesa-central                            13
Jogos a médio-ofensivo                          12

Golos marcados                                 13                                   

Jogos como capitão                       322

Jogos consecutivos a titular                   
44 J 3 942’ 1985/86 a 1986/87 (10 meses)     

Épocas no Benfica                                
15 (entre 1980/81 e 1994/95)     

Épocas no Benfica (titular)                     
12 (7 a defesa-esquerdo de 81/82 a 82/83 e de 89/90 a 93/94)
      (5 a defesa-direito de 85/86 a 88/89 e em 1994/95)      

19 Troféus oficiais (com 13 títulos: sete campeonatos e seis Taças)                          
7 Camp. Nac. 80/81 82/83 83/84 86/87 88/89 90/91 93/94
6 Taças de Portugal 80/81 82/83 84/85 85/86 86/87 92/93
3 Supertaças 1980/81 1985/86 1989/90
2 Taças Honra Lisboa 1981/82 1985/86

1 Taça Ibérica           1983/84

Internacional por Portugal                       
40 (entre 1981 e 1994, uma como capitão)

Clubes anteriores                           
 AD Sanjoanense (5 entre 1973/74 e 1977/78)
 SC Beira-Mar (2 entre 1978/79 e 1979/80)     

Festa de despedida                         13 de Agosto de 1995



Alberto Miguéns

NOTA FINAL (previsão): No EDB, pela meia-noite de 31 de Janeiro para 1 de Fevereiro:
Festas de Homenagem e Despedida no "Glorioso". A Cultura Benfiquista a um nível superior



3 comentários
comentários
  1. Já agora e só por curiosidade até porque não me lenmbro...

    No que respeita o mundial de 86, no lugar de Veloso, foi aquele bandeirinha mas quem era o verdadeiro dopado Alberto? Sempre desconfiei que fosse o Futre...

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    1. Caro,

      Tenho ideia que não havia ninguém dopado. A contra-análise deu negativo. O que se disse foi que alguém mentiu para Veloso ser desconvocado e entrar Bandeirinha entretanto contratado, entre 1985/86 e 1986/87, pelo FC Porto à equipa da Associação Académica de Coimbra! Quando surgiu o resultado da contra-análise o facto estava consumado. Penso que se justificou com um erro de interpretação de um funcionário da instituição onde foi feito o controle. Uma vigarice!

      Alberto Miguéns

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  2. Erro de interpretação...

    É, houve muito disso na agência cosmos, no envelope do xico silva, no cheque do josé guímaro, nos tribunais e magistrados que julgavam o Apito Dourado...

    O Veloso, penso que foi dos últimos actos de gestão do poeta artur, logo depois do Isaías e do Paneira ;)

    Saudações Gloriosas

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