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08/12/2012

O Que É a Mística?

08/12/2012 + 0 Comentários API


OPINIÃO



CONFESSO: Ainda tenho aquele empate “atravessado”

Não vou definir o que é a mística, por que até pelo valor sentimental do conceito cada um define, para si e por si, o que um sentimento significa. E ainda para mais estar esta, a mística, relacionada com o Benfica. Vou apenas, e só dar a minha opinião. E acrescentar – aliás primeiro até vou descrever – o que alguns dos futebolistas dos anos 20/30 diziam ser ou como eles entendiam o que era a Mística.

Mística pelos que a criaram
Já não consegui falar com muitos dos futebolistas do “Glorioso” que jogaram no tempo em que na Imprensa se começou a escrever que o “Benfica jogava com Mística”. E estes escritos aparecem no início dos anos 30, principalmente após o inesperado sucesso no Campeonato de Lisboa, em 1932/33, dado como perdido, que a equipa conseguiu levar para uma finalíssima, derrotando por 2-1, o CF “Os Belenenses” depois de 1-0 (Augusto Dinis, aos 35’), 1-1, aos 56’ e 2-1 (Vítor Silva, aos 57’). O nosso adversário era favorito. É que nas últimas 5 épocas (1927/28 a 1931/32), o CF “Os Belenenses” tinha conquistado 4 (quatro!) campeonatos de Lisboa, incluindo 1931/32, ou seja defendia o título em 1932/33. O Benfica há 12 temporadas (desde 1919/20) que não era campeão regional. Em 1932/33, o Benfica tinha um internacional português, Vítor Silva. O CF “Os Belenenses” tinha… quatro: o capitão de Portugal (Augusto Silva), César, João Belo e José Luís. Durante a 1.ª fase do Regional o Benfica ao perder muitos pontos, o título foi dado como “impossível, mais uma vez, há 13 anos”. Depois recuperou, terminou em igualdade com o CF “Os Belenenses” forçando uma final. Que contra a opinião alheia (menos a dos Benfiquistas) o “Glorioso” venceu, conquistando o título mais importante desse tempo (não havia campeonato nacional), algo que fugia ao Benfica desde 1919/20. De referir que na competição seguinte, que fechava as épocas, o Campeonato de Portugal (depois alterou o nome para Taça de Portugal) o Benfica foi eliminado pelo FC Porto (quartos-de-final) e o vencedor foi o… CF “Os Belenenses” (V 3-1, ao Sporting CP).

Xavier, Albino e Cardoso
Do plantel dessa época falei com três Glórias: Luís Xavier (1907-1986), Francisco Albino (1912-1993) e Fernando Cardoso (1915-1996). Mas os que se seguiram, nos anos 30, e com os quais consegui falar: Valadas, Espírito Santo, João Correia e Macarrão diziam o mesmo. Eles relacionavam a mística com a vontade que toda a equipa tinha em vencer. Acreditavam que se todos estivessem imbuídos do mesmo sentimento, necessidade e crença em vencer esta ficava mais fácil de obter. Acreditavam e jogavam, até ao apito final, para conseguir o melhor para a equipa. Por que tinham consciência que a equipa estava a representar não apenas cada um deles que estavam a jogar, mas os que estavam de fora (por castigo, lesão, doença ou “baixa de forma”), mesmo todo o clube, todos os adeptos. Havia que fazer tudo, o melhor de tudo, para conseguir vencer. Ou o melhor resultado. Todos. A Mística.

Mística para mim
É a capacidade em acreditar que é possível vencer. Se a equipa acreditar (e jogar com atitude positiva e solidária) pode mais facilmente atingir a vitória ou conquistar títulos. Não é só ter atitude, porque isso qualquer boa equipa tem. É transcender-se em defesa de um emblema, de um Ideal, que se considera merecedor dessa entrega.

Se o Benfica é Mística, o valor será sempre o de todos e nunca o de alguns utilizarem todos

Alberto Miguéns

NOTA: Tudo isto porque não consigo “digerir” o empate (com sabor a derrota) do Benfica em Barcelona. Já perdemos com o FC Barcelona porque o clube catalão foi-nos superior (até muito superior em jogo e classe) ou porque o jogo não correu bem, nem para nós nem para os árbitros… Mas perder assim, por falta de crença e jogo solidário. Não consigo, nem “digerir”, nem entender o que se passou no Camp Nou, sendo o Benfica… a Mística! Não dá para entender! Não quero entender!

        OS 20 JOGOS DO 
        GLORIOSO” COM FC BARCELONA
Época
Cmp
Res.
Cidade
S
Estádio
1921/22
Par
D 0-5
Barcelona
F
Calle Indústria
D 2-5
1930/31
Par
D 1-5
Barcelona
F
Les Corts
1931/32
Par
D 2-5
Lisboa
C
Amoreiras
1940/41
Par
D 2-4
Barcelona
F
Les Corts
1957/58
Par
V 4-0
Lisboa
N
Restelo
1960/61
TCE/F
V 3-2
Berna
N
Wankdorf
1961/62
Par
E 1-1
Barcelona
F
Camp Nou
1963/64
TRC/mf
V 3-2
Cádis
N
Ramon Carranza
1966/67
Par
E 1-1
Barcelona
F
Camp Nou
V 1-0
Lisboa
C
Luz
1990/91
TTH
D 0-2
Corunha
N
Riazor (Teresa Herrera)
1991/92
LC
E 0-0
Lisboa
C
Luz
D 1-2
Barcelona
F
Camp Nou
1993/94
TPC
V 2-1
Lisboa
C
Luz
2002/03
Par
D 0-1
Lisboa
C
Luz
2005/06
LC1/4
E 0-0
Lisboa
C
Luz
D 0-2
Barcelona
F
Camp Nou
2012/13
LC:2
D 0-2
Barcelona
C
SLB
LC:6
E 0-0
Barcelona
F
Camp Nou
     NOTAS: TRC - Troféu Ramon de Carranza; TTH - Troféu Tereza Herrera;
                    TPC - Taça Pepsi Cola
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